Experimente as novas distribuições Linux com o QEMU

Tem meses em que a comunidade do software livre está “em polvorosa”, com os lançamentos quase simultâneos de novas distribuições.
Haja DVD ou pendrive para gravar… 😉

Com uma plataforma de virtualização, como o VirtualBox, o VMWare, o QEMU etc. é possível experimentar qualquer distro live, sem a necessidade de ter que passar pelo processo da instalação — e você ainda preserva seus pendrives.
Neste texto, vou demonstrar o uso do QEMU, como minha plataforma favorita de virtualização para rodar uma distro brasileira, que eu acredito que vale a pena conhecer.
Os princípios são os mesmos para qualquer outra distro Linux — portanto, não se prenda às minhas opções.
O SimbiOS é um sistema operacional GNU/Linux (brasileiro) baseado no Debian testing.
Você pode encontrar uma ISO para instalação ou apenas para experimentar no site oficial: http://simbioslinux.weebly.com/.
O site SempreUpdate tem um review atualizado sobre a distro — link no final do texto. Não deixe de ler 😉

Como compor uma máquina virtual para rodar a minha distro favorita

Eu me sinto bastante confortável para usar ferramentas CLI (de linha de comando). Se este não for o seu caso, experimente uma das várias alternativas do QEMU para interfaces gráficas (GUI).
Neste exemplo, vou mostrar como rodar o SimbiOS em uma máquina virtual, nas seguintes condições:

  • Arquitetura básica de 64 bit
  • 2 GiB de memória RAM

qemu-system-x86_64 -enable-kvm -m 2048 -name 'SimbiOS 17 Light' -cdrom SimbiOS_17.0_light-amd64.iso -boot d

Entenda as opções:

  • -enable-kvm, habilita a virtualização completa com suporte ao módulo KVM.
  • -m 2048, determina a quantidade de memória RAM presente no hardware virtual.
  • O valor da opção ‘-name’ pode ser qualquer um à sua escolha.
  • Por fim, a opção ‘-boot d’ (opcional) força o boot pela unidade de cd-rom virtual.

Tenha o cuidado para usar o nome exato da ISO baixada do site, no comando acima.

Você pode usar um utilitário do pacote do QEMU para criar uma unidade de armazenamento virtual adicional, em que se pode instalar um sistema operacional.
Com isso, dá para ter uma melhor usabilidade.
Veja como rodar o qemu-img para criar uma unidade virtual de 30 GB:


qemu-img create -f qcow2 simbios17.qcow2 30G

Formatting 'simbios17.qcow2', fmt=qcow2 size=32212254720 encryption=off cluster_size=65536 lazy_refcounts=off refcount_bits=16

Note que eu usei o nome ‘simbios17.qcow2’.
Sinta-se livre para usar o nome/extensão que quiser para a sua unidade.
Agora, já dá para iniciar o sistema operacional a partir do arquivo ISO, com suporte à unidade de armazenamento virtual em simbios17.qcow2:


qemu-system-x86_64 -enable-kvm -m 2048 -name 'SimbiOS 17 Light' -cdrom SimbiOS_17.0_light-amd64.iso -hda simbios17.qcow2 -boot d

A partir daí, já é possível iniciar o processo de instalação, se este for o seu desejo, na unidade adicionada.
qemu Simbios 17
Ao fim do processo, desligue a máquina virtual e, na linha de comando, dispare o boot a partir da unidade que você criou:


qemu-system-x86_64 -enable-kvm -m 2048 -name 'SimbiOS 17 Light' -hda simbios17.qcow2

É quase certo que, desta maneira, vai rodar bem melhor do que a partir da ISO.
simbios linux boot menu

referências

Site oficial do SimbiOS: http://simbioslinux.weebly.com/

Downloads: http://simbioslinux.weebly.com/downloads.html

Review no SempreUpdate: https://sempreupdate.com.br/conheca-o-simbios-uma-distribuicao-baseada-no-debian-gnulinux/.

Use o QEMU para testar uma distro live instalada no pendrive.

Você não precisa reiniciar o seu computador para testar o Linux que você acabou de instalar em um pendrive ou, mesmo, em um CD/DVD.
O QEMU pode ser usado para criar uma máquina virtual a partir da sua instalação em mídia física externa.
Verifique aonde se encontra a sua mídia com o lsblk:


lsblk

NAME   MAJ:MIN RM   SIZE RO TYPE MOUNTPOINT
sda      8:0    0 465,8G  0 disk 
├─sda1   8:1    0   457G  0 part /home
└─sda2   8:2    0   8,8G  0 part [SWAP]
sdb      8:16   0  22,4G  0 disk 
├─sdb1   8:17   0  19,4G  0 part /
└─sdb2   8:18   0     3G  0 part [SWAP]
sdc      8:32   1   7,5G  0 disk 
└─sdc1   8:33   1   2,5G  0 part 

lsblk
Agora rode o comando abaixo, adequando-o à configuração que você possui aí:


qemu-system-x86_64 -hda /dev/sdc 

tails os qemu
Se o que você quer é testar uma imagem .ISO, a sintaxe do comando é a seguinte:

qemu-system-x86_64 -cdrom nome-da-imagem.iso

Veja um exemplo prático:


qemu-system-x86_64 -cdrom tails-amd64-3.1.iso

Leia mais sobre o QEMU, para conhecer outras opções de uso do programa.

Experimente o Debian com o kernel do FreeBSD.

O Debian é uma comunidade aberta a diversos projetos interessantes.
Há, pelo menos, 2 projetos que oferecem o sistema operacional combinado a um kernel alternativo.
Já falei sobre o Debian rodando com o kernel GNU/Hurd, antes.
Desta vez, vou mostrar como baixar uma versão que roda sobre o kernel do FreeBSD.
A melhor maneira de testá-la é rodar uma das imagens prontas para o QEMU/KVM.

O sistema não é pesado e dá para você se divertir e ter uma idéia do seu funcionamento.

Neste post, vou analisar uma destas 3 opções:

  1. debian_squeeze_kfreebsd-amd64_standard.qcow2
    — uma opção mais antiga, sem o ambiente gráfico (imagem c/204 Mb).
  2. debian_wheezy_kfreebsd-amd64_desktop.qcow2
    — uma opção mais atual (Debian 7), com o ambiente gráfico (imagem c/1,7 Gb).
  3. debian_wheezy_kfreebsd-amd64_standard.qcow2
    — Debian 7, sem o ambiente gráfico (imagem c/210 Mb).

As imagens estão comprimidas e se expandem até 25 GiB, na medida do necessário.
Os exemplos, que seguem, são baseados na 3a opção.
Se preferir outra, basta adaptá-los ao seu caso.
Use o comando wget para fazer o download ou baixe direto do site (links no final):


wget https://people.debian.org/~aurel32/qemu/kfreebsd-amd64/debian_wheezy_kfreebsd-amd64_standard.qcow2

Feito o download, rode o sistema a partir do QEMU:


qemu-system-x86_64 -hda debian_wheezy_kfreebsd-amd64_desktop.qcow2

Bem simples, não é?
Para poder usar melhor o sistema, use as seguintes informações:

  • A conta root usa a senha “root” (sem as aspas).
  • A conta user usa a senha “user”.

Para obter um melhor desempenho, ative o KVM:


qemu-system-x86_64 -enable-kvm -hda debian_wheezy_kfreebsd-amd64_desktop.qcow2

Para suprimir o modo gráfico, coloque o display no modo curses:


qemu-system-x86_64 -enable-kvm -display curses -hda debian_wheezy_kfreebsd-amd64_desktop.qcow2

Neste caso, pode ser necessário aumentar um pouco (ou maximizar) a janela do seu terminal, para conseguir ver toda a área de trabalho.
Como padrão, a imagem roda com 128 MiB de memória RAM.
Use a opção ‘-m’ do QEMU para ampliar este valor:


qemu-system-x86_64 -m 512 -enable-kvm -display curses -hda debian_wheezy_kfreebsd-amd64_desktop.qcow2


Se você optou por uma das imagens com ambiente gráfico, acima, vai precisar usar uma quantidade maior de memória RAM, claro.
Neste caso, as imagens usam lightDM com o XFCE e 1GiB de memória RAM deve ser mais do que o suficiente.
Se quiser trocar este ambiente, pelo original do Debian (GDM e GNOME), dê os seguintes comandos, dentro da máquina virtual (como superusuário):


update-alternatives --auto x-session-manager

echo /usr/sbin/gdm3 > /etc/X11/default-display-manager

Vale a pena instalar e usar o Debian com o kernel FreeBSD?

Diferente do Hurd, o kernel do FreeBSD é um kernel maduro e bem testado.
Aqui é possível usar todo o ambiente gráfico e usufruir do universo dos repositórios de softwares do Debian.
No lado do servidor, a opção é uma alternativa para quem deseja ficar longe do systemd e/ou evitar as eventuais vulnerabilidades do kernel Linux.
Há, ainda, o glamour de estar mais próximo de executar um kernel semelhante ao usado pela Apple em seus dispositivos.
Do ponto de vista de quem vem do FreeBSD, esta opção “mantém um pé” lá e outro nos vastos repositórios de softwares Debian.

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Referências

De onde baixei a versão analisada neste texto: https://people.debian.org/~aurel32/qemu/kfreebsd-amd64/.
Outras versões do Debian kfreebsd: http://jenkins.kfreebsd.eu/jenkins/view/cd/job/debian-cd_jessie-kfreebsd_kfreebsd-amd64/ws/build/.
Debian Mini .ISO (para instalar): http://cdn-fastly.deb.debian.org/debian/dists/jessie-kfreebsd-proposed-updates/main/installer-kfreebsd-amd64/current/images/netboot-10/.
Conheça o Debian GNU/Hurd: https://elias.praciano.com/2017/07/experimente-o-debian-com-o-kernel-gnuhurd-em-uma-maquina-virtual/.

Experimente o Debian com o kernel GNU/Hurd em uma máquina virtual

O GNU/Hurd é um microkernel, com quase 30 anos de estrada.
Apesar deste tempo, ainda não chegou a uma versão estável — ou seja, apropriada para um ambiente de produção.
gnu logo black and white
Há discussões, Internet afora, sobre o porquê deste projeto ainda não ter lançado uma versão estável — o que me dispensa de fazer esta discussão aqui. 😉

É possível experimentar este kernel dentro de distribuições, como o Debian e o Arch.

O Debian, é uma das distribuições GNU/Linux que oferecem opções de kernel alternativo. Por exemplo, o kernel do FreeBSD é também uma opção viável para usar no Debian.
Neste post, vamos manter o foco na versão do Debian, que roda com o kernel Hurd.
Parto do pressuposto de que você já tem o QEMU/KVM instalados aí.
Caso contrário, instale-os:


sudo apt install qemu qemu-kvm

Você pode fazer o download de uma imagem do Debian GNU/hurd, com o comando wget:


wget http://people.debian.org/~sthibault/hurd-i386/debian-hurd.img.tar.gz

Esta imagem pode ser usada dentro do QEMU ou do KVM, para iniciar uma estação com o Hurd dentro dela.
Feito o download, extraia a imagem:


tar -xz < debian-hurd.img.tar.gz

Em seguida rode a imagem com o kvm:


modprobe kvm

kvm -m 1G -drive cache=writeback,file=$(echo debian-hurd-*.img)

gnu hurd terminal
Para se autenticar, use o username "root", com a senha em branco.

Sua máquina virtual Hurd tem suporte a Python, Perl e Bash, sem precisar adicionar nada.
Você também pode instalar novos softwares através do apt.
Mesmo sendo "um pouco" limitado, ainda dá para brincar bastante com o ambiente.
O Hurd é comumente usado por estudantes de computação, como forma de aprender melhor sobre como construir um kernel.
Quando quiser finalizar a máquina virtual, use o comando 'shutdown -h now'.

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Referências

https://www.debian.org/ports/hurd/.
https://www.gnu.org/software/hurd/.

Front-ends gráficos para QEMU — parte 2: o aqemu

O aqemu é um front-end gráfico para QEMU e KVM.
Com o uso da biblioteca Qt (versão 5 ou 4), oferece uma interface gráfica ou GUI para gerenciar máquinas virtuais KVM ou QEMU.
A partir da GUI, é possível fazer os ajustes mais comuns às máquinas virtuais.
Veja as instruções de instalação para Fedora e Debian (Ubuntu) — que são (quase) as mesmas para qualquer outra distro GNU/Linux.
Não se esqueça de dar uma olhada na parte 1 desta série de artigos.

Como instalar o aqemu no fedora

Usuários do Fedora, podem inquirir os repositórios e obter informações sobre os pacotes através do aplicativo gestor dnf.
Para encontrar o pacote a ser instalado no Fedora, use o ‘search’:

dnf search aqemu
Last metadata expiration check: 1 day, 2:13:25 ago on Tue Dec 20 18:30:48 2016.
================================================= N/S Matched: aqemu ==================================================
aqemu.x86_64 : A QT graphical interface to QEMU and KVM
[root@fedora /]# 

Para obter informações sobre a versão disponível, espaço ocupado pelo software após a instalação etc. use o ‘info’:

dnf info aqemu

Para fazer a instalação, rode o “dnf install”:

dnf install aqemu

Como instalar o aqemu no Debian e Ubuntu

Instale o aqemu seguindo procedimento semelhante ao anterior.
Use o apt:

sudo apt install aqemu

FreeBSD virtual machine qemu