O KDE Neon é a distro dos que fazem e amam o KDE

Baseada no Ubuntu, a distro KDE Neon é um fork realizado pela própria comunidade de desenvolvedores do KDE Plasma.
O objetivo é ter uma distribuição GNU/Linux para testar as versões mais atuais do ambiente.
kde neon logo

O Neon provê uma maneira fácil e elegante para as pessoas testarem as últimas versões dos softwares que compõem o universo do KDE, à medida em que ele vai evoluindo.

É impossível não comparar com o Kubuntu, claro. Mas a proposta é diferente.
O Kubuntu é uma distro Linux de facto, baseada no Ubuntu.
Já a proposta do KDE Neon é prover o Ubuntu LTS com uma das versões do KDE Plasma, como é explicado abaixo.
Atualmente, os desenvolvedores estão montando o ambiente gráfico sobre o Ubuntu LTS 16.04 Xenial Xerus.
Portanto, a distro continua sendo o Ubuntu — contudo, para facilitar a comunicação, vou continuar a me referir ao KDE Neon como “distro”.
Pode ser instalada a partir de 4 versões ou canais de desenvolvimento:

  1. User Edition LTS — voltada para o ambiente de produção. Se você prefere ter mais estabilidade e um tempo de suporte estendido, este é o melhor KDE Neon para você.
  2. User Edition — voltada para todos os usuários. Se não tiver certeza, baixe sempre esta. Aqui você encontra uma versão do KDE Plasma estável e atualizada com foco no usuário comum.
  3. Developer Edition Stable — O foco deste branch é o desenvolvedor da comunidade KDE. Se você não for desenvolvedor, mas gosta muito do KDE e não se importa de encontrar alguns bugs pela frente, esta edição vai te dar a experiência de uso do software mais atualizado possível, com estabilidade razoável.
    Outro ponto que pode incomodar usuários comuns, na developer edition são as atualizações constantes (diárias) na distribuição.
  4. Developer Edition Unstable — Nesta edição o fluxo das atualizações é mais intenso e você vai se deparar com uma quantidade maior de bugs. Esta é usada pelos desenvolvedores do KDE e é a edição que proporciona uma experiência mais rica em termos de uso de software atualizado.

Lembre-se, quando se fala em stable, unstable ou LTS a referência é o KDE. A versão do Ubuntu é sempre a mesma para todos: a LTS atual.

Quem é o público alvo do KDE Neon

Este é o público a que se destina o produto:

  • desenvolvedores que precisam obter atualizações constantes do KDE e usar a GUI mais avançada possível
  • fãs do KDE, que admiram o trabalho da equipe de desenvolvedores e querem acompanhar a evolução do ambiente e, ocasionalmente contribuir com comentários sobre os rumos do projeto, contar sobre o que está funcionando ou não, nos fóruns sobre o assunto

kde neon logo
A maioria deve optar entre a segunda e a terceira edição.
Os mais aventureiros irão pela Developer Edition Stable. Se você pretende instalar o KDE Neon em uma máquina de trabalho, opte por uma das User Edition, contudo.
A quarta opção pode ser uma boa pedida, se você tiver uma máquina de testes. O que permite que você use os recursos mais avançados que os desenvolvedores colocaram no KDE e, se algo der errado, no máximo será necessário reiniciar o sistema — é o que fazem os usuários de um “outro SO muito popular” e nem reclamam, coitados.
Pessoalmente, gosto mais da interface minimalista do GNOME para trabalhar — mas tenho uma máquina de testes rodando a versão mais atual do Neon há mais de um ano.
Além disso, tenho muitos motivos para gostar do KDE.

Onde baixar o KDE Neon

kde neon site download
O site oficial de download tem uma página com todas as 4 opções reunidas, nesta URL: https://neon.kde.org/download.
Se preferir, pode usar o comando wget, dentro de um terminal, para fazer o trabalho:


# User edition
wget https://files.kde.org/neon/images/neon-useredition/current/neon-useredition-current.iso

# User LTS edition
wget https://files.kde.org/neon/images/neon-userltsedition/current/neon-userltsedition-current.iso

# Developer STABLE edition
wget https://files.kde.org/neon/images/neon-devedition-gitstable/current/neon-devedition-gitstable-current.iso

# Developer UNSTABLE edition
wget https://files.kde.org/neon/images/neon-devedition-gitunstable/current/neon-devedition-gitunstable-current.iso

As imagens são live e, portanto, permitem que você possa testar sem instalar, se quiser.
Para saber como criar um pendrive inicializável, leia este post, por favor.
Se quiser, conte para a gente o que achou do KDE Neon e qual a edição que você prefere. 😉

Conheça o sistema operacional POP!_OS da System76

Denver Colorado skyline
Vista da cidade de Denver, Colorado (EUA)
A System76 é uma empresa norte-americana, sediada na cidade de Denver, no estado do Colorado — no centro geográfico dos Estados Unidos, portanto.
A empresa fabrica e vende computadores e acessórios voltados para a comunidade de usuários de softwares livres.
Para ser mais específico, vende equipamentos pré-instalados com o sistema operacional Ubuntu.
Opcionalmente, é possível baixar os papéis de parede e o tema GTK da System76
O sistema operacional POP!_OS (não esperem que eu mantenha esta grafia…) é um passo a mais para personalizar os excelentes computadores da empresa.

Vamos conhecê-lo melhor e saber o que oferece.

O que é o System76 POP!_OS

De acordo com a empresa, o POP OS foi projetado para os proprietários de seus equipamentos e é baseado no sistema operacional Ubuntu.
Entre estes usuários se encontram designers, programadores, profissionais gráficos que precisam desenvolver modelos 3D sofisticados etc.
O propósito da interface POP é “ser invisível” e atrapalhar o mínimo possível o fluxo do trabalho do usuário, ao mesmo tempo que pretende oferecer possibilidades avançadas de customização.
Uma vez que é baseado no Ubuntu, o POP se beneficia da vastidão de softwares da plataforma, disponível em seus repositórios.

A proposta do POP!_OS sintetiza o que sempre pensei de uma boa interface gráfica: ser simples e não atrapalhar o meu trabalho.
Acredito que o melhor ambiente desktop é aquele que fica fora do nosso caminho, usa o mínimo de recursos e deixa o máximo livre para rodar os aplicativos.

Se o POP vai entregar ou não o que promete… é você quem vai dizer, se fizer o download e o testar.

Como baixar e instalar o POP OS

No momento em que escrevo este post, o produto ainda está em fase Alpha (baseado no Ubuntu 17.04) e tem previsão de lançamento para Outubro de 2017 — neste caso, provavelmente será baseado no Ubuntu 17.10.
O link para download é este: http://iso.system76.com/current/pop-os.iso.
Se preferir, use o wget para baixar a versão atual (current):


wget http://iso.system76.com/current/pop-os.iso

Outras versões (anteriores), podem ser encontradas neste site: http://iso.system76.com/.
A companhia, até agora, não liberou torrents, que costumam ser mais rápidos para baixar.
System76 Galápagos

O Linux precisa, mesmo, de um outro fork do Ubuntu?

Antes desta pergunta, poderíamos também questionar se a comunidade precisa também de mais um desktop gráfico.
E outro sabor do Linux, baseado no Ubuntu?!
Lançar e manter atualizado apenas um tema da empresa, não seria suficiente?

Eu também adoraria perguntar: « Não tinha um nome “mais complicado” para escolher?! »

É claro que o mundo do software livre é feito de diversidade de opções e esta é uma das coisas mais lindas que há, por aqui.
A gente é assim: ama personalizar o nosso ambiente.
Se o local de trabalho tiver centenas de computadores rodando Linux, nenhum será igual ao outro.
A diversidade faz parte deste espírito coletivo.
Mas, enfim, já temos o Linux Mint, Ubuntu (Mate, GNOME, Kubuntu, Neon, Deepin, Xubuntu etc.)
system76 laptop
A Dell também vende computadores com seu Ubuntu OEM pré-instalado. Por que a System76 não poderia personalizar uma distro para atender melhor a seus clientes?
Convenhamos que o pessoal da System76 demonstra muito mais paixão pelo Linux (especificamente, pelo Ubuntu) do que o pessoal da Dell…
A propósito, eu experimentei o POP OS no meu Dell 5448 e gostei. Creio que vou mantê-lo por algum tempo — depois eu volto para o Debian, como sempre… 😉
Comente. Dê sua opinião.

Referências

Site oficial do POP!_OS: https://system76.com/pop.
Site de ofertas de laptops da System76: https://system76.com/laptops.

5 distribuições Linux que sempre vale a pena considerar

O debate é extenso (e muito bem vindo) sobre qual a melhor distro Linux para cada tipo de aplicação, situação ou usuário.
Neste texto, a análise se volta para as maiores distribuições da atualidade (estou escrevendo no início de 2017).
Alguns pontos, são pacíficos, contudo.
A gente sabe que o Linux é muito mais rápido e seguro do que outras opções de sistemas operacionais.
Se você é novato e pretende se dar a chance de usar o sistema operacional presente em 99,9% da lista dos 500 supercomputadores mais poderosos do mundo, este texto é para você também.
Para os novatos, sempre vou recomendar experimentar mais de uma distro Linux, antes de fazer uma escolha definitiva. Ouvir e ler conselhos dos outros é muito bom — mas você continua sendo a pessoa mais indicada para fazer a escolha final.

Debian

É uma das mais antigas e tradicionais distribuições Linux, que oferece excelente performance e flexibilidade para todos os usuários e aplicações.
Muita gente usa no desktop ou no notebook de trabalho (eu!).
Ainda assim, ela é excelente para ser usada em um servidor.
Esta distribuição, desde o início estabeleceu os padrões no ambiente de servidores a serem seguidos por toda a indústria.
A estabilidade do Debian tem também incentivado inúmeras empresas e indivíduos a criar novas soluções e distribuições a partir dela.

As vantagens do Debian

  1. estabilidade
  2. facilidade e baixo custo para montar uma solução de servidor
  3. suporte de prazo estendido
  4. Mais controle sobre o software em uso no sistema

As desvantagens do Debian

  1. tende a favorecer estabilidade em detrimento de tecnologia nova. Ou seja, as novidades em softwares chegam um pouco mais tarde para usuários Debian
  2. alguns hardwares podem não ser 100% compatíveis com a distro. Em parte, isto se deve ao item anterior, quando o hardware é muito novo
  3. não há uma companhia/empresa por trás do projeto, com a obrigação de te dar suporte. Mas você pode pagar, relativamente barato, para obter suporte direto de desenvolvedores

Ubuntu

É uma das distribuições mais usadas e é baseada no Debian.
A distro tem uma interface só dela, o Unity. É otimizada para vários diferentes tipos de sistemas e inclusive para a interface de sistemas mobile.
Pode ser a melhor escolha para usuários vindos do Windows e do MacOS.

As vantagens do Ubuntu

  1. Por ser baseada no Debian, as duas distribuições compartilham a maior quantidade de tutoriais da Internet, além de uma enorme comunidade com conhecimento técnico para te ajudar. Em outras palavras, se a solução serve para o Debian, na maioria das vezes serve para Ubuntu também (e vice-versa)
  2. É baseado na versão testing do Debian e portanto, oferece uma gama bem mais atualizada de softwares. Ao mesmo tempo, é muito segura
  3. É simples e único na sua interface gráfica
  4. A interface gráfica é fácil de entender e aprender
  5. Tem um design voltado para dispositivos móveis ou com notebooks com tela de toque

As desvantagens do Ubuntu

  1. o suporte comercial oferecido pela companhia é uma realidade em outros países, mas não é no Brasil, ainda
  2. para alguns usuários a interface gráfica não é muito rica e falta opções de customização

OpenSUSE

Depois do Debian, é a minha distro favorita.
O OpenSUSE é, ao lado do Debian, uma das primeiras importantes distribuições Linux a surgir.
Tem uma longa história e começou na Alemanha, em 1992. Já pertenceu a uma empresa estadunidense, sediada no Texas e, hoje, pertence à MicroFocus International, uma empresa britânica.
Embora sua trajetória possa parecer conturbada — e talvez seja, mesmo — trata-se de uma distro sólida e com uma ampla comunidade de usuários.
O OpenSUSE serve bem, tanto a usuários iniciantes, quanto a desenvolvedores avançados.

As vantagens do OpenSUSE

  1. estabilidade
  2. software atual e excelente compatibilidade com hardwares novos
  3. comunidade de usuários engajada e disposta a ajudar

As desvantagens do OpenSUSE

  1. O público desta distribuição espera que os softwares proprietários venham empacotas na distro principal — o que não é a realidade. Mas podem ser instalados à medida da sua necessidade, contudo
  2. Não tem repositórios tão extensos (variedade de softwares) quanto os do Debian e Ubuntu

Arch Linux

Para usuários avançados, o Arch Linux pode trazer muita satisfação. Trata-se de uma distro simplificada e limpa (sem excessos).
Tem nova versão a cada seis meses e, embora não seja voltada para iniciantes, tem uma larga e excelente documentação disponível online.
Com o Arch Linux, você será incentivado a aprender cada bit, cada detalhe, sobre o GNU/Linux como sistema operacional — uma vez que terá que fazer muita coisa manualmente ou por conta própria.

As Vantagens do Arch Linux

  1. bem otimizada, o que se traduz em eficiência, rapidez e segurança
  2. totalmente personalizável
  3. é o lugar perfeito para aprender Linux
  4. já mencionei a documentação? Pois é. Tem muita documentação (inclusive na wiki oficial) e de excelente qualidade

As desvantagens do Arch Linux

Nada é perfeito…

  1. atualizar um sistema operacional a cada 6 meses pode ser muito ruim para quem usa no notebook de trabalho
  2. a documentação é excepcional, mas é, em grande parte, em inglês

Fedora

O Fedora é um spin off de uma distribuição tão tradicional quanto o Debian: O Red Hat.
Esta distro se beneficia de todos os anos de trabalho e experiência da comunidade Red Hat.
É a escolha ideal para quem deseja buscar uma certificação Red Hat.

As vantagens do Fedora

  1. costuma ter melhor suporte a peças de hardware mais novas do que o Debian (e algumas vezes, até, do que o Ubuntu)
  2. Sempre a versão mais atual do GNOME 3, com todas as suas qualidade e defeitos
  3. tem um excelente gestor de pacotes: o dnf

As desvantagens do Fedora

  1. tem menos softwares disponíveis nos repositórios oficiais. Neste quesito, a vitoriosa ainda é a Debian, com dezenas de milhares de pacotes de softwares disponíveis.
    No Fedora, se quiser software um pouco fora do comum, você terá que confiar em alguma PPA.
    Espera-se que com o uso crescente do Flatpak, isto melhore sensivelmente
  2. como consequência do que foi exposto acima, você provavelmente terá que baixar o código fonte para compilar alguns dos softwares que considerar necessários

Estas são minhas principais considerações sobre algumas das principais distribuições Linux.
Não sou o dono da verdade e o espaço de comentários está sempre aberto, caso você queira dar sua contribuição sobre o assunto 😉
Não esqueça de dar uma olhada no post distribuições Linux que vale a pena conhecer em 2016.

As vantagens de usar uma distro Linux superleve

Em oposição às grandes distribuições populares do Linux, que primam por tornar a vida de seus usuários mais simples e suas tarefas mais eficientes, com a adição de recursos visuais e que aproveitam melhor a tecnologia disponível no hardware — sempre houve a possibilidade de optar por distribuições com ambientes gráficos mais leves ou lightweight.
À medida em que ambientes desktop como o GNOME, o KDE e, na última década, o Unity se popularizavam, muitas pessoas se mantiveram ou migraram para ambientes como o XFCE, LXDE.
Algumas pessoas optaram, ainda, por uma redução mais drástica, proporcionada pelo IceWM, i3 etc.
Sem falar que suprimir totalmente a interface gráfica (GUI) também tem sido opção… mas isto é assunto para outro post.
Mas que motivos uma pessoa teria para desejar esta redução na quantidade de recursos gráficos e abrir mão da beleza, em uma máquina atual e moderna — com 2 GPUs, vários núcleos na CPU principal, grande quantidade de memória RAM, drives flash SSD etc.?
Vou tentar responder além do óbvio neste post — por que, se você tem um equipamento com recursos muito limitados ou antigos, é evidente que usar uma distro muito pesada vai tornar sua vida mais chata e sem graça…

Reaproveitar o seu PC, netbook ou laptop antigo

A razão mais comum para procurar por distribuições Linux super leves é pela possibilidade de voltar a usar equipamentos antigos (com 3 anos ou mais).
Um velho netbook, encostado em um canto, pode brilhar novamente na sua vida, com a distro certa.
Nesta categoria, as distribuições GNU/Linux são muito pouco exigentes em termos de hardware.
Estou escrevendo este texto em um netbook Semp Toshiba Infinity STI 1093, originalmente com apenas 1 GiB de memória RAM (hoje, com 2 GiB), rodando a distro LXLE.
Muitos notebooks/netbooks antigos sequer contam mais com uma bateria — cuja vida útil dificilmente supera 5 anos — ou seja, perdem a função da mobilidade. Mas podem ser usados como Desktop PCs.
Você pode dar vida nova a um equipamento antigo, como servidor de arquivos Owncloud, central de multimídia, roteador etc.
Você ficaria surpreso em como a experiência pode ser incrível.

A tendência entre as grandes distribuições é abandonar a arquitetura 32-bit.
As distribuições super leves poderão continuar a dar suporte por mais alguns anos — mas não espere que isto ainda seja realidade daqui a uma década.
Minha recomendação pessoal é pôr este “PC velho” para trabalhar, dar tudo o que ele pode, até o fim.
Não poupe esta máquina.

Menos é mais

Quem tem um equipamento atual, dotado dos mais recentes avanços do mercado, também tem bons motivos para usar uma distro Linux super leve.
Convenhamos, a gente não liga computador para “usar sistema operacional”. Quanto mais transparente esta categoria de software for, melhor.

Quanto menos recursos o sistema operacional e sua interface GUI usarem, mais os recursos de hardware ficarão disponíveis para as suas tarefas.

Edição de imagem e vídeo, jogos 3D, simulações, alguns softwares de engenharia etc. — estas, entre muitas outras, são aplicações vorazes e que consomem grande quantidade de memória e processamento.
Os usuários de aplicações pesadas têm razões de sobra para optar por uma distro que consuma menos recursos dos seus equipamentos, deixando o máximo disponível para suas aplicações.

Menos porcarias inúteis instaladas

No post Como Instalar Ubuntu a Partir do Mínimo, mostrei como é possível construir uma distro Linux, baseada no Ubuntu Mini, desde a CLI (interface de linha de comando) básica, até onde você quiser.
Um dos motivos de uma distro ser light é que ela vem sem “as perfumarias”.
A ideia é o que não é necessário, não entra.

Se o usuário quiser, pode instalar por si mesmo os softwares de que precisa — o gerenciador de pacotes sempre estará lá para isso.

Sistemas leves são potencialmente mais seguros

A quantidade de software instalada pelas grandes distribuições escapa da compreensão de um usuário comum.
As possibilidades de algo dar errado ou o sistema ficar instável são maiores.
Em sistemas super leves, é menos provável “tropeçar nas próprias pernas”.
Com menos software instalado, fica mais fácil manter as políticas de segurança do seu sistema.
Enfim, você leva menos bugs ou possíveis exploits para casa (ou para o escritório) ao optar por uma distro Linux minimalista.

Pense nisso!

O que faz o Ubuntu diferente do Debian.

O Ubuntu é uma distro GNU/Linux que muitos sabem (outros não) é baseado em outra grande e excelente distro: a Debian.
No dia a dia, usuários podem sentir pouca diferença entre usar um e outro. Os dois projetos trocam muitas informações entre si e alguns desenvolvedores trabalham em ambos.
Há algumas diferenças históricas e filosóficas entre as duas distribuições, contudo.
Vale a pena conhecê-las.

Uma breve história do Debian

A história do Debian ocuparia bem mais do que alguns parágrafos, mas a gente vai tentar resumí-la, para manter o foco no tema deste post.
Criada em 1993 pelo, então universitário Ian Murdock, a distro é uma das 3 primeiras grandes distribuições GNU/Linux, que deram origem a quase todas as outras que conhecemos — ao lado da Red Hat e Slackware.
Tal como o Ubuntu, o Debian também dá “nomes” às suas distros, ao lado dos números das versões.
O nome de cada edição Debian é inspirado em um dos personagens da saga Toy Story.
É creditado a Ian Murdock, enquanto liderança, a criação de um sistema democrático para gerir o andamento do projeto. Os líderes do Debian são eleitos entre os colaboradores do Projeto a cada 2 anos.
A filosofia da gestão do Debian é um modelo que tem sido também largamente copiado em vários outros projetos — não somente de sistemas operacionais.
debian flat badge

Uma breve história do ubuntu

A distribuição Ubuntu, foi lançada em 2004, como derivada do Debian, pelo milionário Sul-africano Mark Shuttleworth.
Shuttleworth tem hoje o papel de Ditador Benevolente Vitalício do projeto Ubuntu.
Uma das suas missões, era tornar a distro Debian mais amigável e comercial.
Os números das edições do Ubuntu, se referem ao ano e ao mẽs de lançamento. Desta forma, é fácil saber que o Ubuntu 11.04 saiu em 2011/Abril.
Tal como o Debian, o projeto Ubuntu também costuma nomear cada edição.
Usualmente, são dados 2 nomes com a mesma inicial, seguindo a ordem alfabética. Você pode ver aqui a relação.
ubuntu flat orange badge
O posicionamento oficial da Canonical sobre o assunto é de que o Debian é a pedra fundamental do Ubuntu, mas cada qual tem sua equipe de desenvolvimento e sua própria interface padrão.
A Canonical tem se esforçado, com sucesso, para ser uma referência para empresas do mundo todo como uma companhia que fornece um produto gratuito e um sólido serviço (pago) de suporte 24/7.
Esta é uma diferença importante: o Debian não é uma empresa e não tem qualquer obrigação de prestar suporte a ninguém. Você o usa por sua própria conta e risco — embora seja conhecido com um dos sistemas operacionais mais estáveis.
Já, por trás do Ubuntu, há a Canonical, que oferece vários serviços pagos, embora a maioria dos usuários se contenta em baixar gratuitamente o sistema e usá-lo por sua própria conta e risco.
O fato de uma distro ser produto de uma empresa e a outra não, já implica em algumas diferenças: A Canonical paga seus desenvolvedores, atendentes, publicitários etc.
O desenvolvimento da distribuição Debian depende de trabalho voluntário — o que não significa que há menos gente trabalhando. Pelo contrário, trata-se da maior comunidade de desenvolvedores e mantenedores do mundo.

A popularidade do Ubuntu

Nos últimos anos, não só a popularidade do Ubuntu subiu, como a do Debian também.
Embora muitos usuários Debian tenham migrado para Ubuntu, também houve o fluxo contrário — pessoas que decidiram experimentar a distro original.

À época do lançamento do Ubuntu, a distro mais popular era o Mandrake (de origem francesa), derivado do Red Hat. Hoje, chamada Mandriva — fruto da fusão entre Mandrake e Conectiva (brasileira).

O instalador gráfico do Ubuntu se aperfeiçoou e o próprio ambiente de trabalho incorporou recursos gráficos mais atraentes aos novatos.
O Ubuntu já teve um foco maior em usuários Windows, chegando a ter um software chamado Wubi, que permitia instalar a distro em modo dual-boot — e era integrado ao sistema operacional de Redmond.
A versão de Junho de 2006 trouxe o compromisso de suporte prolongado — Long Term Support ou LTS.
As distro LTS desobrigavam os usuários a usar novas versões a cada 6 meses, uma vez que ofereciam maior estabilidade, junto com o suporte, por mais tempo.
Atualmente, as versões LTS, trazem suporte de 5 anos aos usuários — o que as torna indicadas para ambientes corporativos, usuários que precisam de estabilidade etc.
As versões intermediárias são voltadas a quem prefere novidades.
A partir dos aprimoramentos no visual do Ubuntu 10.04, este se distanciou significativamente do Debian e trouxe o Ubuntu Software Center pro centro das atenções, como plataforma de conexão aos repositórios de programas.
A partir do Ubuntu 16.04 Xenial Xerus e do Debian 8.0 Jessie “GNOME Edition”, ambas passaram a compartilhar o Gnome Software Center, como aplicativo gráfico de acesso aos repositórios.

As PPAs

Além dos repositórios oficiais, o Ubuntu introduziu a possibilidade de usuários oferecerem repositórios pessoais a outros usuários, de onde poderiam baixar e instalar seus pacotes de programas — as PPAs ou Personal Package Archives.
Isto foi um grande incentivo para desenvolvedores independentes.
Quando algum aplicativo ou pacote se torna muito popular, é comum a Canonical integrar sua versão mais estável ao seu repositório oficial.
O Ubuntu 11.04, trouxe o Unity para os palcos, com o objetivo de adaptar gradativamente o sistema a novos hardwares, como tablets, phablets, smartphones, netbooks etc.
Esta mudança foi grande e gerou debates inflamados — alguns contra, outros a favor.

Mir, Unity, SNAPS e Flatpak

O ano de 2016 prometia criar alguns novos divisores de águas.
A comunidade de desenvolvedores do X.org (servidor gráfico) se encontra em transição para o Wayland, que traz melhorias e código novo para dar resposta às novas necessidades e equipamentos tecnológicos.
A Canonical anunciou que iria partir para uma solução própria: o Mir — o que acabou por não se concretizar.
O sistema de empacotamento de softwares SNAP foi lançado para a plataforma Ubuntu 16.04, como método de instalação mais eficiente para certos tipos de aplicativos.
Há um projeto concorrente do SNAP, o Flatpak, mas ele não está tão adiantado.
A tendência pode ser a adoção do SNAP por outras distribuições — de forma que deixe de ser um diferencial do Ubuntu.

Ciclos de desenvolvimento

A versão “séria” do Ubuntu é a LTS (Long Term Support ou versão de suporte prolongado). Hoje, as LTS têm suporte de 5 anos.
Isto quer dizer que, usuários do Ubuntu 16.04, contarão com suporte da Canonical até Abril/2021.
No Debian, a versão de suporte prolongado ou stable, tem um tempo de vida de 2 anos.
Um time de suporte, composto por voluntários e empresas, estende o período oficial por mais 3 anos.
A cada 2 anos, é lançada uma versão LTS do Ubuntu. As edições intermediárias, tẽm suporte por 6 meses apenas — e são voltadas para usuários que desejam usar as versões mais atuais de seus softwares (abrindo mão, consequentemente, da estabilidade).
O Debian tem, além da stable, os canais testing e unstable.
A maioria dos usuários Debian, usam a versão testing em notebooks e desktops. A stable é a preferida em servidores.
O Ubuntu se baseia nos canais de desenvolvimento Debian testing e unstable.

Qual dos dois é mais estável

Para usuários comuns (eu!) não há muita diferença.
O Ubuntu LTS tem estabilidade equivalente à do Debian testing (que a maioria usa).
O Debian consegue bater o Ubuntu em estabilidade na sua versão stable, ao custo de usar softwares não muito atuais, porém mais maduros.

Qual é mais leve? Ubuntu ou Debian?

A versão mainstream ou principal, do Ubuntu, pode ser um pouco mais pesada que a versão principal do Debian — em função dos recursos visuais etc.
Mas, existem versões mais leves do Ubuntu, como Xubuntu e Lubuntu.
O Debian também pode ser relativamente pesado, na sua versão com KDE ou GNOME.
As diferenças dependem também do público para o qual cada uma se volta. O público do Ubuntu prefere ter o máximo de aplicativos e recursos à mão, logo após a instalação. Já o público do Debian não se importa (ou até prefere) configurar e instalar seus próprios aplicativos.
Para usuários preocupados com desempenho, ambas as distribuições oferecem soluções mais leves e rápidas.

A filosofia

A filosofia que move a comunidade que participa do desenvolvimento do Debian é mais fortemente sintonizada com os valores do software livre.
A distribuição principal do Debian GNU/Linux vem exclusivamente com softwares livres.
O uso de softwares não-livres é opcional — e não automática, como no Ubuntu.
Para desenvolvedores, a comunidade de desenvolvimento do Debian pode ser um ambiente “hostil”, no início. A meritocracia vale muito para eles.
Para se tornar um desenvolvedor de facto, há um caminho a ser percorrido dentro da comunidade do Debian. Normalmente, é necessário ter um sponsor ou alguém que “se responsabilize” por você, inicialmente.
Depois disto, a democracia prevalece na tomada das decisões, que são exaustivamente discutidas, antes de qualquer conclusão.
No Ubuntu, após um certo nível de debates, as decisões são tomadas por Shuttleworth, o dono da empresa. E ele é um homem de negócios.
O Debian não pertence a uma empresa, como já dissemos. É a distribuição de uma comunidade que ama o que faz.
É esta comunidade quem dita o ritmo do desenvolvimento e os rumos do projeto.
A filosofia do projeto da comunidade Debian desagrada a uns e agrada a outros. O mesmo vale para o projeto do Ubuntu.

Qual a melhor?

Eu jamais diria isso.
Só quem pode decidir qual a melhor distro GNU/Linux para você, é você.
É necessário usar uma distro, por alguns meses, para sentir se ela é a ideal ou não.
Além disto, o mundo do Linux não se resume a Debian e Ubuntu…

Referências

http://www.ubuntu.com/about/about-ubuntu/ubuntu-and-debian.