Os primeiros passos com o QEMU

O QEMU é uma plataforma de emulação ou virtualização de diversas outras plataformas.
Desenvolvedores podem usar a aplicação para verificar o comportamento de seus softwares em arquiteturas diferentes.

Um servidor, com hardware poderoso, pode hospedar dezenas de outros servidores virtuais, permitindo que diversas empresas ou usuários rodem aplicações independentes (servidores web, armazenamento de arquivos etc.)
O avanço da tecnologia de virtualização ajudou a reduzir os custos de hospedagem de sites, por exemplo.
Neste texto, vou mostrar como criar um espaço (drive) virtual para armazenar arquivos, como erguer uma máquina virtual e rodar um sistema operacional nela.
Na minha máquina física, eu rodo o Debian 10 testing (Buster).
O sistema operacional hospedeiro, usado no exemplo será o Ubuntu 17.10 (Artful Aardvark) 64 bit.
Você pode ir até o site https://ubuntu.com e baixar outra versão (provavelmente mais atual que a minha) ou usar qualquer outra imagem ISO de sistema operacional.
Os princípios explicados neste texto são os mesmos para qualquer distro Linux ou outro sistema operacional.
Se quiser, veja outros exemplos de virtualização com o QEMU, neste mesmo site.
E sempre clique nos links para obter mais informações importantes sobre algum tema.

Como montar uma máquina virtual

É bem fácil pôr no ar um PC ou servidor virtual completo, usando o QEMU.
Na verdade, é possível fazer isto em 5 minutos.
Mas, se você pretende experimentar um sistema operacional (uma distro GNU/Linux, por exemplo), baixada da Internet, em um arquivo ISO, é possível indicar em que máquina, especificamente, você deseja rodar o seu sistema operacional.
A minha ISO do Ubuntu pode ser experimentada com o seguinte comando:


qemu-system-x86_64 ubuntu-17.10-desktop-amd64.iso

Se você pretende usar outras vezes esta distribuição e gostaria que as mudanças feitas nela fossem persistentes, crie um espaço de armazenamento específico para ela, com o qemu-img:


 qemu-img create -f qcow2 ubuntu17.qcow2 50G

Formatting 'ubuntu17.qcow2', fmt=qcow2 size=53687091200 encryption=off cluster_size=65536 lazy_refcounts=off refcount_bits=16

O comando, acima, cria uma imagem no formato qcow2, com o nome ‘ubuntu17.10.qcow2’ e com espaço de armazenamento de 50 Gigabytes.
Sinta-se à vontade para usar outros valores, mais adequados para você.
Se quiser obter informações sobre a imagem recém criada, use a opção ‘info’:


qemu-img info ubuntu17.qcow2 

image: ubuntu17.qcow2
file format: qcow2
virtual size: 50G (53687091200 bytes)
disk size: 324K
cluster_size: 65536
Format specific information:
    compat: 1.1
    lazy refcounts: false
    refcount bits: 16
    corrupt: false

No comando, abaixo, vou acionar a recém-criada unidade (ubuntu17.qcow2) e rodar a imagem ISO, baixada, do Ubuntu 17.10, como se fosse de um CD-ROM:


qemu-system-x86_64 -hda ubuntu17.qcow2 -cdrom ubuntu-17.10-desktop-amd64.iso -boot d

Ao final da linha, a opção ‘-boot d’, informa que o meu sistema virtual deve iniciar a partir da unidade ótica (CD-ROM).
Vamos melhorar isto?!
A seguir, vou adicionar opções que (respectivamente) habilitam o kvm, estabelecem uma quantidade de memória de 2048 MB e inscreve o nome da distro no título da janela do QEMU:


qemu-system-x86_64 -enable-kvm -m 2048 -name 'UBUNTU 17.10' -boot d -hda ubuntu17.qcow2 -cdrom ubuntu-17.10-desktop-amd64.iso

Ubuntu 17.10 tela inicial
Se você decidir continuar a instalação, o sistema irá sugerir o unidade virtual, criada com o qemu-img.
Observe a imagem abaixo:
Instalação do Ubuntu 17.10
Depois de instalado, você pode dispensar o arquivo de imagem ISO e rodar o sistema operacional apenas da unidade de armazenamento virtual. Para mim, o comando é o seguinte:


qemu-system-x86_64 -enable-kvm -m 2048 -name 'UBUNTU 17.10' -hda ubuntu17.qcow2

Leia mais sobre o uso do QEMU, no Linux.

Ubuntu para computadores antigos e com poucos recursos

No site oficial, o Ubuntu 16.04 LTS apresenta uma relação de itens ou pré-requisitos fundamentais para você instalar e usar o sistema operacional.
Se você observar a captura de tela, abaixo, vai perceber que o site talvez seja muito otimista em relação ao hardware em que é possível rodar o Ubuntu e obter uma experiência satisfatória de uso do sistema.

Ubuntu prerrequisitos do sistema - busca no Google
Este post se baseia em um netbook Toshiba Netfinty STI 1093G com as seguintes configurações:

  1. Processador Atom N270 1.60 GHz — que não costumava ser mais rápido que os Celeron para desktop da mesma época.
    A linha de processadores Atom, foi concebida para ter consumo mais eficiente de energia, com algum sacrifício do desempenho.
    Ainda assim, dispõe de alguns recursos interessantes, como mais de um núcleo virtual e multithreading.
  2. 2 GiB RAM, ou seja, 4 vezes a quantidade recomendada (oficialmente) pelos desenvolvedores do Ubuntu 16.04.
  3. 500 GiB de espaço no HD — o que realmente faria diferença seria um HD híbrido ou um SSD puro.
    De qualquer maneira, já é melhor do que rodar o sistema de um pendrive.

Honestamente, a experiência não é boa, em um hardware tão limitado.
Não esqueça de ler o último tópico deste post, especificamente sobre hardware.
Sugiro, ainda, ler a continuação deste post, em que outros aspectos são abordados.

Os fatos apontam que não é razoável rodar o Ubuntu em hardware de recursos tão limitados.
Para estes casos, há alguns sabores do Ubuntu que podem satisfazer mais.

Se você experimentou rodar o Ubuntu em um PC ou notebook (ou um netbook) com recursos muito limitados, provavelmente também se sentiu frustrado.
Em máquinas atuais de configurações médias, o Ubuntu roda bem e sem qualquer problema.
Ainda assim, é possível que você sofra com o desempenho geral do sistema — provavelmente, em função de estar usando aplicações muito exigentes.
Neste segundo caso, talvez o Ubuntu também não seja a distro GNU/Linux ideal para você.
Se quiser saber um pouco mais sobre os diversos sabores do Ubuntu, sugiro a leitura deste artigo.
Hoje, vou falar sobre o Lubuntu.

lubuntu official logo

O que é o Lubuntu?

O Lubuntu é uma versão (ou um sabor) do Ubuntu, com o objetivo de usar o mínimo de recursos de hardware possível.
A distro é voltada para quem tem grandes limitações de hardware ou que tenha uma máquina de configuração parruda, mas faz uso de aplicações pesadas e que demandam muitos recursos.
No segundo caso, é natural desejar guardar o máximo de recursos de hardware para os aplicativos, em vez de desperdiçá-los com os efeitos visuais do sistema operacional.
lubuntu desktop
O funcionamento do Lubuntu é igual ao da distribuição de que ela é derivada, o Ubuntu.

Isto quer dizer que você pode aplicar ao Lubuntu todo o conhecimento por ventura adquirido com o uso do Ubuntu, o que inclui os tutoriais sobre o Debian.

Requisitos de sistema do Lubuntu

A documentação oficial não recomenda usar máquinas anteriores a 2000 (a caminho de fazer 20 anos de idade…) — Procure outra distro Linux mais adequada, se este for o seu caso.

  1. 256 MiB de memória física. Se você for usar o LibreOffice, o mínimo recomendado é ter o dobro.
    Para rodar vídeos, acessar o Youtube ou o Netflix e usar as redes sociais, pense em configuração mínima de 1 GiB.
  2. O sistema pode ser instalado dentro de 5 GiB, de uma partição no HD.
  3. O processador deve estar dentro da geração do Pentium 4 ou Pentium M ou AMD K8. Nada abaixo disto.

Os aplicativos padrão do Lubuntu

Se você está acostumado ao ambiente gráfico do Ubuntu — o Unity — vai perceber logo de cara a diferença em relação ao LXDE, ambiente de desktop padrão do Lubuntu.
lubuntu desktop screenshot

O nome Lubuntu é a junção de LXDE + ubuntu.
A distro está migrando para o ambiente LXQT, mais moderno e que aproveita melhor os recursos de máquinas com menos de 10 anos de idade.

Alguns aplicativos, que são padrão na principal distro, não estarão presentes no Lubuntu — onde são substituídos por similares, que fazem o mesmo trabalho, porém são mais leves.
O LibreOffice não estará presente na instalação principal.
No lugar dele, você encontrará o AbiWord (editor de textos), o Gnumeric (planilha eletrônica) etc.
O gerenciamento de arquivos, fica por conta do PCmanFM — super rápido.
Você é livre para instalar os aplicativos do Ubuntu, contudo.
Se fizer questão do LibreOffice, do Nautilus ou qualquer outro, estão todos nos repositórios à sua disposição.

Uma palavra sobre o seu hardware

Quando penso em laptops ou PCs com mais de 5 anos e, às vezes, encostados em algum canto, já imagino que estão cobertos de poeira.
É importante saber que a poeira provavelmente não está apenas no exterior, à mostra.
Pode haver muita sujeira dentro do equipamento.

O equipamento pode estar com as ventoinhas (ou fans) internos “empapados” de pó, pelos etc.
A pasta térmica, que tem a função de ajudar na dissipação do calor, sobre o processador pode estar ressecada e, portanto, totalmente inutilizada.

Estes fatores contribuem fortemente para o sobreaquecimento do sistema, como um todo.
Como consequência do sobreaquecimento, o processador não irá trabalhar na velocidade máxima.
Pelo contrário, para se preservar, vai usar um clock mais seguro e bem abaixo da capacidade projetada.

Para voltar a ter o melhor desempenho do seu hardware, você precisa levar isto em conta: fazer uma limpeza interna e trocar a pasta térmica.
Apesar de serem procedimentos delicados, você mesmo pode fazer.
Se não tiver afinidade com este tipo de trabalho ou não quiser, leve a uma assistência técnica de sua confiança. Normalmente, não é caro.

Por si só, este procedimento é mais barato (sai de graça, se você mesmo fizer) e mais eficiente para recuperar o poder fogo do seu hardware antigo do que adicionar um SSD ou mais memória.

Referências

Leia a continuação deste texto.

  1. Onde baixar a versão atual do Lubuntu: http://cdimage.ubuntu.com/lubuntu/releases/17.10/release/.
  2. Onde baixar a versão estável do Lubuntu:
  3. Outras opções de download: http://lubuntu.me/downloads/.
  4. Site oficial: http://lubuntu.net/.

Distribuições Linux que vale a pena conhecer, em 2016

Se você está estudando o Linux ou analisando novas distribuições para substituir a que está usando atualmente, este post é pra você.
Tenho uma lista de 6 distros, das quais sugiro que você escolha 2 ou 3 para experimentar — nem que seja em alguma máquina velha que você tenha disponível.
A lista não é definitiva e eu não sei qual será o desenvolvimento das distros no decorrer do ano.
(leia a atualização, ao final do texto!) 😉


Lembre-se de dar uma olhada no post 5 distribuições Linux que sempre vale a pena conhecer, para complementar este.
Sinta-se bem vinda(o) para usar a seção de comentários e deixar as suas próprias sugestões de distribuições Linux (explicando o por que de cada uma).
Linux comparation board

Ubuntu 16.04 LTS Xenial Xerus

Esta distro é a “última de uma linhagem”, embora a Canonical não se expresse desta forma.
Representa o auge do amadurecimento das últimas versões de suporte prolongado do Ubuntu — a versão mais amadurecida do Unity 7, com otimizações na interface gráfica.
Se você está procurando por uma distro madura e estável, vale ressaltar que ela terá suporte ativo até 2021 e, provavelmente (estou sendo um pouco profético, aqui…), será mais estável que sua sucessora.
Esta é também a última distribuição Ubuntu a vir com o servidor gráfico X server.
O Xenial Xerus é uma ótima opção para quem deseja ficar um bom tempo longe de formatar e reinstalar sistemas operacionais no seu computador de trabalho.


Leia mais sobre como baixar e instalar o Ubuntu 16.04, aqui.

Ubuntu 16.10

O que chama a atenção, aqui, é a estréia do servidor gráfico Mir e do Unity 8.
(Não esqueça de ler a atualização deste texto, lá embaixo… ) 😉
Embora ela só seja lançada no final de Outubro de 2016, será possível fazer download das Alfa e Beta alguns meses antes, para experimentar as novidades.
O Ubuntu 16.10 promete ser o grande hype dos sites e blogs de tecnologia, no segundo semestre de 2016 — bem ou mal, todos vão falar dele.
A adição ousada de novos recursos a esta distro pode trazer, como desvantagem, a instabilidade — o que é compreensível, neste caso.
Separe o seu computador de testes para esta versão do Ubuntu.

Linux Mint

O Linux Mint tem duas “vertentes” — uma que vem do Debian e outra que vem do próprio Ubuntu.
Por não ser tão tradicional, como as outras, esta distro ainda não teve tempo de formar uma grande comunidade que possa dar suporte a usuários novatos.
Como ela é originária do Debian/Ubuntu, isto não chega a ser problema — se a solução serve para Debian/Ubuntu, provavelmente servirá para Linux Mint.
A versão baseada no Ubuntu, faz uso de seus repositórios oficiais e de suas PPAs. É baseada na atual versão LTS do Ubuntu.
A que é baseada no Debian, é chamada de LMDE ou Linux Mint Debian Edition e tem uma base de usuários bem menor.
Além disto, a LMDE não guarda compatibilidade com as PPAs e é um pouco mais “crua” após a instalação — você vai ter que arrumar as coisas por conta própria, em outras palavras.
A LMDE 2 pode ser mais excitante para usuários mais avançados, por contar com uma gama maior de novos recursos.
Os links para download do Linux Mint LMDE 2 podem ser encontrados aqui.

Debian

Esta é uma das distribuições tradicionais, ao lado da Slackware, Red Hat, Suse entre outras.
Muitas distros conhecidas se originaram do Debian.
O Ubuntu usa a versão testing do Debian para constituir seus pacotes de softwares.
A versão principal vem despida de softwares e drivers não-livres e, portanto, você pode vir a ter algumas dificuldades iniciais para instalar em alguns sistemas.
A culpa não é dos desenvolvedores, mas dos fabricantes dos dispositivos que não disponibilizam o código de seus drivers, alegadamente, com “medo” dos concorrentes.
Se você optar pelo Debian non-free, provavelmente não terá problema algum para instalar o sistema.
A recente adoção do systemd pelo Debian (e Ubuntu) trará algumas mudanças no modo de se realizar alguns procedimentos ou como configurar alguns recursos.
Para usuários Ubuntu ou Linux Mint, que queiram conhecer melhor o sistema operacional, vale a pena dedicar algum bom tempo de estudo a esta distribuição.


Saiba aonde baixar a sua versão do Debian.

Arch Linux

Ao lado do Debian, é uma distro voltada para usuários de nível intermediário a avançado.
Se você entende um pouco de inglês, pode se beneficiar da excelente documentação online, disponibilizada para esta distribuição.

Não se intimide pelo fato de alguma distro ser possivelmente mais difícil de instalar e configurar — isto é uma oportunidade para aprender mais sobre o GNU/Linux e se tornar mais experiente.

Fedora e OpenSUSE

Embora nem sempre estejam no centro dos debates da comunidade do software livre, trata-se de 2 distribuições tradicionais.
A primeira é originária do Red Hat e a segunda tem suas raízes na distro alemã (anos 90) SUSE.
Ambas são sólidas e voltadas para o público corporativo.
Para quem deseja sair do mundo do Debian e do apt(-get), estas duas opções são boas.

Previsto para Maio/2016, o Fedora 24 virá com o Wayland, conforme anunciado em Agosto.
Pode ser uma ótima oportunidade para quem deseja experimentar este novo servidor gráfico.

O Fedora oferece uma instalação facilitada e bom desempenho geral da distro.
A OpenSUSE oferece um ambiente gráfico bonito, baseado no KDE e uma comunidade maior.

X.Org, Wayland e Mir

Estes são nomes de servidores gráficos, usados pelas várias distribuições GNU/Linux.
O tradicional X.org está em vias de ser substituído pelo Wayland (o processo está no início e vai demorar alguns anos para se completar).
Sou muito avesso a dar “as minhas opiniões” nos artigos — prefiro me ater aos fatos e deixar o leitor formar sua própria.
Mas… este é um artigo essencialmente opinativo.
A grande novidade, em 2015, foi a adoção do systemd em grandes distribuições, como a Debian e o Ubuntu.
Em 2016, espera-se que alguma movimentação comece a ocorrer no sentido da migração para o Wayland ou Mir.

A Canonical anunciou o desenvolvimento do Mir, há algum tempo, mas ainda não parece 100% certo que este caminho será o que ela irá trilhar.
O tempo dirá.

Alguns autores acreditam que ela poderá voltar atrás nesta decisão e acabar abraçando o Wayland, o que poderia lhe poupar boa quantidade de esforço.
Enfim, a chegada do Wayland e do systemd trarão a possibilidade de escrever muito sobre o assunto em 2016 — tutoriais, dicas de uso e configuração, análises etc.


Introdução sobre o Wayland.

Atualização

Como o texto foi escrito no início de 2016, não precisaria ser atualizado em outros anos — bastaria escrever um novo.
Como continua sendo muito lido, cabe fazer um adendo, em relação ao Ubuntu.
A esta altura, já sabemos que houve uma mudança de rumos na Canonical, em relação ao sistema operacional.
O Mir e o Unity foram “abandonados” e perderam o suporte oficial da empresa.

A Canonical irá concentrar seu foco em projetos que lhe são mais produtivos, como cloud computing e o próprio SNAP — e usar o trabalho pronto, ou em desenvolvimento mais avançado de outros projetos, quanto à interface gráfica.


Confira os nossos textos sobre o snap neste site.
O caminho, agora, é o Wayland e o GNOME.
Especula-se que o Ubuntu 17.10 já virá com o GNOME — em antecipação à versão estável, 18.04.
O tempo voa e logo iremos saber.

Ubuntu 16.04 LTS Xenial Xerus virá com o kernel 4.4

Ao baixar a versão atual do Ubuntu 16.04, o kernel incluído será o 4.2.
Neste ponto, os pacotes do Xenial Xerus permanecem baseados nos pacotes do kernel da versão estável, 15.10 Wily Werewolf.
Até agora, tudo indicava que o Xenial viria com o kernel 4.3 — mas a equipe de desenvolvimento anunciou planos de se movimentar na direção da versão 4.4 do kernel GNU/Linux, a ser incluído na versão final de lançamento do novo Ubuntu, em Abril.

Tal como o Ubuntu 16.04 LTS, o kernel 4.4 também terá suporte prolongado e, portanto, faz mais sentido que este seja o adotado, neste momento.

Ubuntu 16.04 LTS
Fonte: https://wiki.ubuntu.com/KernelTeam/Newsletter

Quem deveria migrar para Ubuntu 16.04 LTS?

Se você não está satisfeito com seu sistema operacional atual, considerar outras opções é natural e (quase) sempre bem vindo.
Neste post, escrevo para o público do Ubuntu.
Pra ser mais específico, falo para o público que tem preferência por versões mais estáveis do Ubuntu — que também já não é tão homogêneo e tampouco fácil de agradar.
Vamos entender o ponto de vista de cada um.
Ubuntu logo orange

O que é LTS

Trata-se de uma sigla, em inglês, para Long Term Support, ou suporte de longo prazo.
A Canonical mantém um suporte prolongado (por 5 anos) para algumas versões do seu sistema operacional.
A empresa lança uma versão nova do Ubuntu a cada 6 meses, o que garante aos clientes um software sempre atual.
As versões LTS, já são voltadas a quem prefere (ou precisa de) maior tempo de suporte e mais estabilidade, em detrimento das novidades.

O alvo do LTS são o público corporativo, pessoas e instituições que preferem um ambiente estável a ter novos recursos sempre à mão.

São versões conservadoras na adoção de novos recursos, portanto.

O que esperar do Ubuntu 16.04 LTS

Segundo Mark Shuttleworth, da Canonical, o Ubuntu 16.04 LTS Xenial Xerus será o último Ubuntu a vir com o X server. As próximas versões do sistema operacional terão o Mir, como servidor gráfico.
O 16.04 tem se mostrado estável e rápido, já nas fases iniciais de testes públicos.

A partir do Ubuntu 14.04 LTS, os pacotes do sistema operacional Ubuntu são importados do Debian unstable.
Quem precisa de um sistema operacional muito estável, deveria pensar na adoção do Debian stable release, a partir do qual o Ubuntu é constituído.

Você pode esperar do Xenial Xerus um sistema operacional estável e maduro.
Ainda assim, a recomendação de mudar para esta versão não pode ser dada a todo mundo.

Usuários do Ubuntu 12.04 LTS devem migrar pro 16.04?

Usuários e instituições que coloquem a estabilidade e a segurança em primeiro lugar, provavelmente ainda estão usando a versão 10.4 e a 12.04, ambas com suporte prolongado.
O Ubuntu 10.04 Lucid Lynx teve seu suporte encerrado em 2015 e quem estiver usando este sistema pode ter estabilidade, mas definitivamente não está seguro, por estar usando uma versão defasada e sem atualizações de segurança.
Uma máquina, com esta versão do Ubuntu, se conectada à Internet, está sob ameaça iminente e constante.
Neste caso, a mudança é urgente e as opções são:

  • Conservadora — mudar para o 12.04
  • razoável — mudar para o 14.04

Usuários do Ubuntu 12.04 LTS Precise Pangolin não estão em situação de urgência e gozam de suporte prolongado até o fim do ano de 2017.
Estes podem planejar com calma a mudança (conservadora) para o 14.04 ou ir experimentando, em algumas de suas máquinas, o 16.04.
Um ano passa muito rápido, contudo. É preciso levar a sério o cronograma de testes e migração.

Usuários do Ubuntu 14.04 LTS devem migrar para a nova versão?

A nova versão, veja bem, ainda tem que “se provar” estável e segura.

O processo de migração não é para ser uma prioridade dos clientes LTS da Canonical. Seu foco é no trabalho. Não no sistema operacional.
O cliente LTS, acredita que trocar de sistema operacional em menos de 3 anos, é um exagero.

O período de suporte oficial ao Ubuntu 14.04 LTS Trusty Tahr só acaba em 2019.
A partir de 2017, quando a Canonical abandonar de vez o Precise Pangolin, O Trusty será a versão mais estável e conservadora da empresa.
Dependendo do emprego que você dá às suas máquinas e do tamanho do seu parque, o melhor momento para começar a testar o Xenial Xerus e planejar a mudança é quando o Precise sair de cena.
Ubuntu LTS Release cycle

E os usuários do 15.04 e 15.10?

O pessoal das versões “normais” são um público também especial para a Canonical — com exigências diferentes.
Este é o público que quer ver novidades e usar os recursos mais novos do sistema operacional.
O Xenial não vem para satisfazer a este público.
Ainda assim, pode ser um bom “ponto de parada” antes do lançamento do Ubuntu 16.10, que virá carregado com “novidades reais”, segundo as promessas.
Aqui é importante que se diga que o suporte ao Ubuntu 15.04 Vivid Vervet acaba em Janeiro de 2016 e o do Ubuntu 15.10 Wily Werewolf, em Julho de 2016.

O pessoal do Vivid, se não “descer” pro 14.04 ou não “subir” pro Wily, ficará num vácuo de segurança até a chegada do Xenial, no fim de Abril — aproximadamente 3 meses.

O mesmo será válido para os usuários do Wily, a partir de Julho. Para estes, o 16.04 é parada obrigatória, enquanto esperam a aventura começar com o 16.10.
Conte, nos comentários, qual a sua opinião sobre o assunto e quais são os seus planos, se tiver, de migração. 😉


Fontes:
https://wiki.ubuntu.com/Releases
https://wiki.ubuntu.com/LTS