Como atualizar o kernel do Debian, dentro dos limites da segurança

Para quem usa o Debian Stable, pode ser chato ter que lidar com um kernel 4.x, na série inicial, enquanto os amigos já estão usando a série 4.x ou, até mesmo a 5.x.
Por outro lado, você também não quer abrir mão da segurança e da estabilidade do seu sistema.

Quem quer usar aplicativos mais atuais, não deveria usar o Debian Stable, que é tem a proposta de oferecer um ambiente seguro e estável para seus usuários.

Nestes casos, é possível que o Debian Testing ou o Debian Unstable ofereça uma relação entre a estabilidade e a atualidade de seus pacotes de softwares mais interessante.
O Ubuntu também é uma boa opção de sistema operacional GNU/Linux com softwares bem atualizados — e é baseado no Debian Testing.
O Debian Testing é conhecido por oferecer um conjunto de softwares mais atuais, sem abrir (muito) mão da estabilidade.
Com o uso dos backports, é possível ter no seu sistema a mesma versão do kernel, que virá embarcada na próxima versão estável do Debian.
Neste texto, vou mostrar como realizar fácil este procedimento.
Se quiser saber mais sobre algum assunto, clique nos links do post. 😉

Como obter a nova versão do kernel

Comece pela instalação dos backports. Uma maneira bem simplificada de fazer isto, segue abaixo:


echo -e "\n\n# Backports repository\ndeb http://http.debian.net/debian stretch-backports main contrib non-free\n" >> /etc/apt/sources.list

No exemplo, demos o comando adequado ao Debian 9 Stretch, lançado em 2017 e com uma expectativa de suporte (já que é LTS) até 2022.
Se ainda tiver dúvidas, leia o post sobre Como instalar os backports no Debian.
Agora sincronize os repositórios:


apt update 

Só pra lembrar, estes procedimentos requerem privilégios administrativos.
Após o update, já é possível ver as novas versões do kernel disponíveis para instalação no seu sistema:


apt search linux-headers

Adeque o comando, abaixo, à sua opção:


apt install linux-image-4.6.0-1-grsec-686-pae linux-headers-4.6.0-1-grsec-686-pae

Fácil, não é?

Onde baixar o seu Debian

Tanto usuários iniciantes como os mais avançados podem ter alguma dificuldade para encontrar uma versão específica do Debian para baixar.
Tal como a maioria das grandes distribuições GNU/Linux, o Debian é oferecido em diversos sabores ou blends – além de versões.
O site oficial vai sempre direcioná-lo para o download da última imagem estável (stable), que é empacotada sem softwares proprietários e satisfaz 100% quem tem o espírito de liberdade.
Mas, se esta não for “exatamente” a que você deseja, este artigo pretende ajudar as pessoas a navegar pelos servidores Debian e encontrar a exata versão desejada.
debian badge
Segue uma lista de canais oficiais de download dos “debians” disponíveis.
Sempre que possível, procure baixar via torrent — a forma mais rápida de obter sua distro GNU/Linux. Com este método e uma boa conexão, é possível estar com um pendrive pronto para iniciar a instalação em questão de minutos.
Se não tiver CD/DVD à mão, todas as imagens ISO, disponíveis, podem ser gravadas em pendrive, se preferir.

Onde encontrar o Debian Stable 100% livre

A versão estável, oficial, do Debian vem sem os drivers proprietários. Em alguns notebooks mais atuais (como os da Dell) você pode ter problemas, nos passos iniciais da instalação, por que serão exigidos os tais drivers — provavelmente para a instalação da placa de rede e da GPU. Vamos abordar este assunto, em particular, ainda neste artigo.
Você pode encontrar Debian principal, nos seguintes lugares:

  • Debian stable — a versão atual, para 10 arquiteturas diferentes pode ser encontrada aqui: http://cdimage.debian.org/mirror/cdimage/release/current/.
    Neste site, escolha a arquitetura desejada e, em seguida, selecione sua melhor opção de download: bittorrent, ISO ou jigdo — cada um destes métodos se subdivide em CD ou DVD. Obviamente, ao baixar o DVD, você terá um pouco mais de softwares à mão.
    Ao fazer a instalação a partir de um CD, você terá menos softwares instalados na sua máquina, mas o processo terminará mais cedo.
    Se você prefere passar ainda menos tempo dentro do procedimento de instalação e prefere fazer isto por si mesmo, depois, opte pelos netinstall — como iremos explicar, mais adiante.
    Se quiser um link mais específico, este é o do torrent do Debian, para arquitetura 64 bits, para gravar em DVD ou pendrive: http://cdimage.debian.org/mirror/cdimage/release/current/amd64/bt-dvd/.

    A arquitetura PC de 64 bits é chamada amd64, enquanto a de 32 bits é chamada i386. Fique atento(a) a estes detalhes.

    Se você preferir, pode baixar a imagem em CD, via torrent, no site http://cdimage.debian.org/mirror/cdimage/release/current/amd64/bt-cd/. Note que há o CD 1, CD 2 …
    Normalmente, você só precisa do CD 1, para instalar o Debian básico — o restante dos softwares pode ser baixado da Internet à medida em que você precisar.
    Em casos em que a conexão é muito lenta e há planos de instalar em vários computadores, (aí, sim!) vale a pena baixar todos os CDs/DVDs, contudo.
    O Debian netinstall é uma versão mínima do sistema operacional, semelhante ao Ubuntu Mini, voltado a entregar o sistema mais básico possível.
    Por ter tamanho reduzido, pode ser baixado muito rapidamente.
    Ao final da instalação, o tasksel vai perguntar sobre o perfil de sistema que você deseja e, só aí, irá fazer download do restante. Portanto, se você quer começar o mais rápido possível a instalar o Debian no seu equipamento ou deseja uma versão mais customizada do Debian, sugiro esta opção.

  • Debian Stable Live CD/DVD — permite usar o sistema operacional enquanto instala. Assim, você sempre poderá consultar algum site na web durante o processo e verificar se todo o seu equipamento irá funcionar bem com o sistema operacional.
    Você pode encontrar esta opção no site http://cdimage.debian.org/mirror/cdimage/release/current-live/ — disponível apenas para as arquiteturas PC 32 ou 64 bits.
    Tal como as outras, se subdivide também nos sabores com GNOME, KDE, Cinnamon, LXDE, XFCE, Mate e Standard. Esta última, entrega um sistema sem o ambiente gráfico — que pode ser instalado depois. O Standard pode também ser ideal para servidores.
  • Debian Stable for Openstack — Para rodar o Debian stable dentro de uma ou mais máquinas virtuais, baixe a versão pronta Openstack aqui http://cdimage.debian.org/mirror/cdimage/openstack/current/.
    Este assunto é abordado com mais profundidade neste texto.
  • Debian Blends ou Debian Pure Blends é um trabalho em progresso.
    A proposta é oferecer uma distro especializada a determinadas necessidades ou a um determinado grupo (profissional) de pessoas.
    Os blends oferecem coletâneas específicas de softwares (também chamadas de meta-pacotes ou meta-packages). Além disto, oferecem métodos de instalação e configuração mais facilitados para propósitos determinados.
    A ferramenta de instalação Tasksel, permite instalar em qualquer distro Debian/Ubuntu (e derivados) meta-pacotes voltados para crianças, cientistas, gamers, advogados, médicos, pessoas com deficência visual etc.
    Por exemplo, o pure blend para crianças, retira da distro tudo o que não interessa e deixa apenas os aplicativos voltados para este público

    Em outras palavras, dos mais de 22.000 pacotes de softwares presentes no Debian, um pure blend é constituído de uma seleção específica destes aplicativos, voltados para um determinado grupo de usuários/profissionais.

    Oficialmente, podem ser encontrados aqui: http://cdimage.debian.org/mirror/cdimage/blends-live/current/.

  • Saiba mais sobre o assunto, nesta página.

Onde encontrar o Debian Testing

Se você já leu Experimente as novidades do Debian antes de todo mundo, então já teve uma boa introdução sobre o Debian Testing e sabe os prós e os contras de usar esta versão.
Veja aonde baixar esta versão:

Onde encontrar o Debian (Stable e Testing) non-free ou firmware

Software e hardware proprietário podem ser um empecilho para usar o seu sistema operacional favorito.
Se você quiser, pode baixar o seu Debian, através de qualquer um dos métodos descritos acima, sem se preocupar muito com este “detalhe”.
O pacote adicional de firmwares proprietários pode ser oferecido durante a instalação ou depois.
Veja 3 soluções possíveis para este caso, da mais complexa para a mais simples (na minha humilde opinião):

  • Prossiga com a instalação, sem se importar com a falta dos arquivos pedidos. Quando tudo tiver terminado, altere o arquivo sources.list — neste caso, adicione os repositórios non-free e contrib.
  • A outra solução é fazer o download antecipadamente do pacote de firmwares para a distribuição que você pretende instalar.
    Em seguida, descompacte o pacote e grave os arquivos em um pendrive à parte.
    Quando o firmware for pedido, insira o pendrive para que o programa de instalação encontre o que precisa, para prosseguir.
    O pacote pode ser encontrado neste site: http://cdimage.debian.org/cdimage/unofficial/non-free/firmware/.
  • Já que vai se sujeitar a usar drivers proprietários, instale logo o Debian, cuja imagem inclua todos os firmwares, conforme será demonstrado a seguir.

Veja, a seguir, onde encontrar a imagem non-free do Debian — ou seja, com os firmwares proprietários.
Nestes sites, o Debian é comumente chamado de “firmware”, seguido da versão e das outras características da distro.

Se você quer o Testing non-free o site oficial é o que segue.
No momento em que escrevo, o sabor disponível é a Standard. Durante o procedimento de instalação, o tasksel irá perguntar qual o ambiente gráfico desejado.
Neste momento será possível, opcionalmente, escolher um dos vários Pure Blend do Debian.
Veja onde encontrá-lo.

Espero que isto ajude você a encontrar, baixar e desfrutar de um dos melhores sistemas operacionais existentes.

Como preservar a integridade e a estabilidade da sua instalação Debian.

O Debian é um sistema operacional conhecido por ser robusto e confiável.
Mesmo com a fama de ser estável e rápido, ainda pode ser fácil para usuários (novos ou experientes) estragar tudo — a ponto, às vezes, de que ter reinstalar todo o sistema.
Este post é baseado no documento dontbreakdebian e na minha experiência pessoal.
Debian girl mini
Segue uma lista de erros comuns cometidos por usuários do sistema, que podem levar a quebrar a sua confiabilidade.
Alguns dos procedimentos, relacionados aqui, podem ser feitos com segurança — mas você poderá precisar de alguma experiência extra para saber como resolver as coisas, quando derem errado.
Toque nos links, no decorrer do texto ou ao final, para se aprofundar nos temas abordados.

Alguns erros podem não ter consequências imediatas. Podem, por exemplo, tornar impossível atualizar o seu sistema futuramente — o que vai te obrigar a reinstalá-lo, se quiser realizar as atualizações de software e de segurança.

A importância dos repositórios para a segurança do seu sistema

Esta dica vale para todas as distribuições GNU/Linux.
Se você veio do Ubuntu ou de outra distro, provavelmente já sabe disso.
Em outros sistemas operacionais, existe uma cultura de procurar seus aplicativos de sites na Internet. Este é um péssimo hábito.
No GNU/Linux (vamos incluir o Android neste tópico) os usuários devem fazer o download do repositório central. E cada distro tem seu repositório.
O Debian conta com mais de 40 mil pacotes de softwares em seu repositório central.
Os pacotes incluídos no repositório oficial Debian são conhecidos por funcionar bem e, se estão lá, é por que foram testados.

Sempre que for possível, use apenas aplicativos que você possa instalar a partir do repositório oficial Debian.
Assim, você estará mais seguro contra falhas e possíveis malwares, entre outras contaminações possíveis, a que estão expostos os usuários de outros sistemas, que baixam seus aplicativos de sites não oficiais.

Não crie um FrankenDebian

O termo FrankenDebian é bastante comum, para descrever o resultado de alguns erros cometidos por usuários do canal do Debian Stable.
Para evitar esta situação, não combine o Stable com outras versões do Debian.

Não tente instalar softwares que não estejam disponíveis dentro do repositório do Debian Stable.

É uma má ideia tentar adicionar repositórios de outras versões.
Este erro não trará consequências imediatas, mas poderá impedir que você realize atualizações no futuro.
O que ocorre, é que as versões de cada pacote de software é testada para ser compatível com as versões dos outros aplicativos, que fazem parte da mesma versão de sistema.
Ao instalar um pacote do repositório testing, várias bibliotecas (das quais outros aplicativos, no seu sistema, dependem) podem ser atualizadas como consequência — o que pode acarretar instabilidade.
Isto resulta em um sistema que “não é nem Wheezy, nem Jessie, mas uma mistura quebrada entre os dois”.
Estes são os repositórios que podem “ajudar você” a criar um FrankenDebian, se usados com o Debian Stable:

  1. Debian testing release (na data deste post, chamado de Stretch)
  2. Debian unstable release (Conhecido como sid)
  3. Repositórios do Ubuntu, do Mint ou de outras distribuições derivadas do Debian, não são compatíveis
  4. As famosas PPAs do Ubuntu

frankendebian

Não use os scripts de instalação dos fabricantes de placas gráficas

O Debian já inclui drivers de código aberto e livre, com suporte a maioria das placas gráficas.
Os drivers livres (Free) oferecem a melhor integração entre a GPU e o restante do sistema Debian — e funcionam absolutamente bem para a maioria dos usuários.
Se você realmente precisa usar drivers proprietários, de código fechado, não os baixe diretamente do site do fabricante!
O problema desta abordagem é que o driver baixado só funcionará para versão atual do seu kernel. Na próxima atualização do kernel, o seu driver deixará de funcionar, até que seja manualmente reinstalado.
Felizmente, há um jeito apropriado para instalar drivers de vídeo proprietários, com o uso dos pacotes disponíveis no repositório.

Fazer a instalação de drivers, de acordo com o Debian way, garante que eles funcionem, mesmo após as atualizações do kernel.

Segue os sites explicativos, de cada plataforma de GPU:

  • AtiHowTo — contém instruções para usar os drivers de código livre e aberto para placas de vídeo ATI/AMD.
  • ATIProprietary — contém instruções para instalar drivers AMD/ATI proprietários e de código fechado via Debian way.
  • NvidiaGraphicsDrivers — contém instruções para instalar os drivers proprietários da Nvidia via Debian way.

Cure-se da síndrome de novidade a qualquer custo

A razão pela qual o Debian Stable é tão confiável é o fato de que seu software é submetido a extensas baterias de testes. Os aplicativos são corrigidos (bug-fixed) antes de serem incluídos na distribuição.
Isto significa que as versões mais recentes do software comumente não estão disponíveis nos repositórios Stable — mas isto não significa que os aplicativos estão velhos demais para serem úteis!
Para os casos em que realmente houver recursos novos, dos quais você necessita para realizar o seu trabalho do dia a dia, o Debian provê meios de obter versões mais novas/atualizadas do seu aplicativo.
Antes de tentar instalar alguma versão mais nova de algum programa, de algum lugar diferente do repositório Stable, tenha em mente os seguinte problemas:

  • A simples comparação entre os “números das versões”, não é a melhor forma de se julgar a qualidade dos softwares ou qual deles é o melhor.
  • A última versão do software que você deseja instalar, possivelmente, terá novos bugs.
  • Instalar softwares de fora dos repositórios oficiais, pode deixá-lo de fora das atualizações de segurança.

A melhor forma de obter versões mais novas do seu software favorito é através dos backports. Leia mais sobre o assunto, neste link.
Usuários avançados podem criar seus próprios backports para os últimos lançamentos.
A prática do self-backporting, ou seja, fazer seus próprios backports traz os riscos de que já falamos. Ainda assim, costuma ser uma prática mais segura que as outras formas de instalação.

Se você realmente precisa colocar em risco toda a situação de estabilidade do sistema, por que não considera a possibilidade de migrar para o Debian Testing ou Unstable?
Estes são os caminhos mais lógicos, caso você precise usar versões mais atuais de mais do que 1 ou 2 aplicativos.

debian sid unstable badge

Não use o método make install

Já mostrei o quanto é fácil baixar e compilar código fonte de aplicativos.
O problema deste método de instalação é que nem sempre será fácil remover o aplicativo instalado, posteriormente.
Pelo menos, não será possível removê-los com o apt.
Se você está seguindo instruções de instalação de algum site, verifique se as instruções também cobrem a desinstalação.
Softwares instalados desta forma tẽm as seguintes desvantagens:

  1. Pode não ser possível desinstalar depois.
  2. Pode conflitar com bibliotecas ou programas já presentes no sistema.
  3. Não podem ser atualizados junto com o restante do seu sistema. Ou seja, você precisará verificar por conta própria se há atualizações e fazê-las manualmente.

Como evitar problemas com este método

Esta abordagem, usualmente, envolve os comandos
./configure && make && make install
O script ‘make install’ pode fazer “suposições” inválidas sobre o local onde os binários pós-compilação, bem como seus arquivos associados, devem ficar, no sistema de arquivos.
Pode, também, não saber quais as permissões adequadas para o programa.

Softwares instalados com privilégios excessivos, podem causar erros e perda de dados em seu sistema.

Para evitar estes problemas, quando estiver construindo seus softwares a partir de fontes externas, é uma boa idéia fazer isto sempre como usuário normal. Não use o sudo.
Assim os aplicativos são instalados no seu próprio ‘home’ — onde podem ser executados, sem afetar o restante do sistema.
Quase sempre, é possível passar o parâmetro de instalar o aplicativo final no seu /home usando o script
./configure --prefix ~/.local
Usar a hierarquia de diretórios /usr/local/ para instalar softwares desempacotados é uma boa opção.
Você pode evitar o uso do script ‘make install’ com o uso do CheckInstall — entre outras coisas, ele gera um pacote .deb, que torna a administração do programa mais fácil e segura.
O checkinstall pode ser usado para criar pacotes RPM e compatíveis com o Slackware, também — Leia mais aqui.

Não siga instruções aleatórias cegamente

Muitas instruções, encontradas em sites de tutoriais funcionaram para a pessoa que as está relatando. Procure entender melhor quais as consequências do procedimento, antes de o implementar.
Leia um pouco mais e desconfie de soluções excessivamente fáceis. Leia mais de um tutorial sobre o assunto e compare as diferenças entre eles.
É melhor investir seu tempo aprendendo sobre o procedimento correto do que gastá-lo consertando um sistema quebrado depois.

Não execute comandos no seu sistema, sem entender exatamente o que eles fazem.

Outro cuidado a ter com os tutoriais de blogs e posts em fóruns é com a data da postagem. O que era seguro e funcional, há 2 anos atrás, pode não ser mais agora. Procedimentos executados em uma versão do Debian, podem não ser adequados a outra.
Não tenha preguiça de sempre ler um pouco mais.
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Cuidados ao remover aplicativos

É necessário ter alguns cuidados ao remover softwares do seu sistema.
Às vezes, para remover um determinado pacote, o gestor precisa remover outros também.
Isto ocorre quando os pacotes adicionais, dependem daqueles que você está tentando remover.
Nestes casos, o gerenciador de pacotes irá te avisar e exibir uma lista de tudo o que será removido. Ele não seguirá em frente, sem confirmação.

Certifique-se de ler atenciosamente as mensagens do sistema, antes de sair “apertando” Sim ou Não.

Faça anotações

Anotar o que você está fazendo, passo a passo, durante todo o procedimento, pode ajudar a entender exatamente o que deu errado, depois.
Às vezes, ao tentar diferentes abordagens em relação a um problema, fica difícil saber, mais tarde, qual foi a correta.
Anote os ajustes à medida em que os vai fazendo.
Ao alterar arquivos de configurações, use # comentários para tornar mais fácil entender o que foi feito.
Inclua nos comentários, as razões das alterações e a data em que foram realizadas.
Faça backup dos arquivos de configuração, antes de alterá-los.

Seja educado, quando for procurar ajuda de outras pessoas

Quando for pedir ajuda, lembre-se que você está usando o tempo de outras pessoas. O Debian é um projeto voluntário.
As pessoas estarão mais propensas a te ajudar, se você demonstrar interesse e for gentil.
Siga os seguintes conselhos, quando for pedir ajuda:

  • Pesquise, antecipadamente, o problema por conta própria, antes de pedir ajuda.
  • Dẽ detalhes sobre o problema e sobre o que você já tentou fazer. Capriche no português (não obrigue as pessoas a tentar interpretar o que você quer).
  • Não desconte suas frustrações nas pessoas que voluntariamente estão tentando te ajudar.
  • Não espere ser tratado como um bebê. Se você sente que precisa ser guiado passo a passo, isto é sinal de que ainda precisa ler mais sobre o assunto. Neste caso, é polido pedir dicas de documentação a ser lida.
    Volte mais tarde, se ainda não estiver conseguindo resolver.
  • No IRC, evite ficar teclando Enter a cada palavra e aguarde um pouco, para obter respostas.
  • Se for postar código, use o site http://paste.debian.net/.

Por fim, não se esqueça de dar de volta o que recebeu.
Se resolveu o problema, volte para agradecer e contar como resolveu, e contar qual procedimento teve efeito para solucionar a sua situação.

Referências

Fonte: https://wiki.debian.org/DontBreakDebian
Imagem do “Frankendebian”: http://forums.debian.net/viewtopic.php?f=6&t=121841.

Conheça as diferentes categorias do kernel Linux

As várias versões ativas do kernel do Linux caem em, basicamente, 4 categorias — semelhantes às do Ubuntu e do Debian, por exemplo.
As categorias são as seguintes:

  1. Prepatch ou “RC” (Release Candidates) — Estas são as principais pré edições do kernel. Seu público são outros desenvolvedores do kernel e entusiastas Linux, que gostam de “viver perigosamente” e usar os recursos mais atuais.
    As versões Prepatch precisam ser compiladas do código fonte e comumente trazem novos recursos que ainda precisam ser testados antes de serem colocados na versão versão estável (stable).
    As versões Prepatch são mantidas e lançadas por, ninguém menos que, Linus Torvalds.
  2. Mainline — Esta é a árvore principal do kernel e também é mantida pelo Linus.
    É aqui que todos os novos recursos são inseridos.
    Há quem diga que os momentos mais excitantes do trabalho de desenvolvimento acontece nesta árvore do kernel.
    Os kernels Mainline são disponibilizados para download a cada 2 ou 3 meses.
  3. Stable —Após o lançamento do kernel Mainline, ele é considerado em estágio “Stable“.
    Todas as correções de erros, ou bug fixes, são trazidas da árvore Mainline e aplicadas por um mantenedor do Stable.
    Algumas correções ainda podem ser feitas ao kernel até o lançamento da próxima versão — a menos que ela se torne uma versão de manutenção prolongada ou longterm maintenance kernel.
    Quando necessário, a cada 2 ou 3 meses, há atualizações do kernel Stable.
  4. Longterm — Estas versões do kernel são mantidas por mais tempo.
    Ninguém insere novos recursos nestas versões. As equipes de manutenção trabalham apenas na correção e erros importantes, brechas de seguranças (quando há) e raramente fazem atualizações.

    linux tux badge
    Conheça os atuais Longterm release kernels:

    Versão Mantenedor Lançamento Projeção de fim de vida
    4.4 Greg Kroah-Hartman Início de 2016 Fev/2018
    4.1 Greg Kroah-Hartman 21/06/2015 Set/2017
    3.18 Sasha Levin 07/12/2012 Jan/2017
    3.14 Greg Kroah-Hartman 30/3/2014 Ago/2016
    3.12 Jiri Slaby 03/11/2013 2016
    3.10 Greg Kroah-Hartman 30/6/2013 No final de 2015
    3.4 Li Zefan 20/5/2012 Set/2016
    3.2 Ben Hutchings 04/01/2012 Mai/2018
    2.6.32 Willy Tarreau 03/12/2009 Início de 2016

As edições do kernel das árvores Prepatch e Mainline não devem ser usados em computadores de produção.
Ao fazer uso destas versões e fornecendo feedback aos desenvolvedores, você ajuda no desenvolvimento do kernel do Linux — mas deve separar uma máquina de testes para isto.
Na sua máquina de trabalho, você deve usar a versão Stable ou, mesmo a Longterm — a depender das suas necessidades.

Qual o significado de “stable/EOL” e “longterm”?

À medida em que os kernels saem do estágio mainline para entrar no stable, duas coisas podem acontecer:

  • Podem chegar ao fim de sua vida útil, após algumas revisões e correções de erros — o que significa que os mantenedores do kernel não irão mais trabalhar nesta versão. Ela será abandonada e marcada como EOL (fim de linha…)
  • Podem entrar em longterm maintenance, o que significa que terão suporte prolongado por um tempo muito maior. (veja a tabela acima).

Se a versão atual do seu kernel estiver marcada como “EOL”, você deveria se preocupar em fazer um upgrade de kernel ou de distribuição Linux — uma vez que não vai receber mais correções de erros ou updates de segurança.

Versões do kernel presentes nas distribuições

Muitas distribuições oferecem sua própria manutenção ou suporte prolongado do kernel — que não são necessariamente mantidas pelos desenvolvedores do kernel Linux.
Estas versões não podem ser baixadas no site Kernel.org e não tem qualquer suporte oficial dos desenvolvedores originais.

É fácil determinar se seu kernel é fornecido por uma distribuição ou é “original”: Se não baixou, compilou e instalou sua própria versão do kernel, você estará usando uma versão da sua distribuição, com certeza.

Para saber qual a versão atual do seu kernel, use o comando uname:

uname -r
3.16.0-4-amd64

Referências

Site oficial do Kernel.org: https://www.kernel.org/category/faq.html.

Debian LTS: Entenda a política de suporte prolongado do Debian.

Quem usa Ubuntu há algum tempo, já está acostumado com a sigla LTS que encerra o significado de suporte prolongado.
Em inglês, LTS quer dizer Long Term Support.
Toda distribuição GNU/Linux tem um ciclo de desenvolvimento, com lançamento de versões novas periodicamente.
A cada versão nova de uma distribuição, novas versões de pacotes de softwares são fornecidas aos clientes.
Os ciclos de vida mais comuns costumam ser 6 meses e 1 ano.
Para o público corporativo e para as pessoas que precisam ter um sistema operacional mais estável e que não podem arcar com os custos de renovar o parque de software instalado todo ano (ou a cada 6 meses, no caso do Ubuntu), existem as versões de suporte prolongado ou LTS.
As versões LTS do Debian GNU/Linux têm suporte ativo por 5 anos.
Veja, na lista abaixo, qual a atual versão LTS e quais estão programadas para ser as próximas:

  • Debian 6 “Squeeze” até Fevereiro de 2016
  • Debian 7 “Wheezy” de Fevereiro de 2016 a Maio de 2018
  • Debian 8 “Jessie“ de Maio de 2018 a Abril/Maio de 2020

Neste momento a distro mais recomendada para uso em máquinas de produção (onde a estabilidade é fundamental) é o Debian 6 “Squeeze”.

Veja bem. Debian 7 e 8 também são estáveis ou stable release, embora não sejam ainda LTS.

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A manutenção do Debian LTS

A equipe de desenvolvimento e manutenção do Debian LTS se organiza de forma semelhante a outras equipes dentro do Debian e, portanto, aceita de bom grado contribuições de qualquer um.
Se sua empresa faz uso do Debian LTS e tem o desejo de contribuir para o projeto, há várias formas de fazer isto.
Se não tiver desenvolvedores capacitados a contribuir com o código ou resolver algum problema, é fácil contratar um dos desenvolvedores do projeto Debian LTS para resolver problemas pontuais ou específicos para a sua empresa.
Para isto, existe a empresa Freexian, constituída para estabelecer a ponte entre a sua empresa e um dos desenvolvedores disponíveis do projeto.
Você pode obter mais informações sobre os desenvolvedores disponíveis aqui. Se quiser saber onde adquirir pacotes de assistência técnica, entre inúmeros outros serviços, clique aqui.
Se levar em conta que a grande maioria das soluções poderão ser replicadas por todo o seu parque de hardware e software, a solução é muito mais eficiente da que é oferecida por empresas de software proprietário.