Como gravar Linux em um pendrive

Há várias maneiras de gravar o Linux em um flash drive ou pendrive, para ser executado posteriormente.
Mesmo tendo ele instalado em todos os meus laptops, também tenho alguns outros pendrives rodando algumas das minhas distribuições favoritas (ou necessárias).

O Tails é, na minha humilde opinião, a distribuição GNU/Linux mais indicada por quem deseja/precisa navegar na Internet com privacidade — Na sua casa, na dos amigos ou no cibercafé, o Tails oferece mais garantias de que a sua passagem por sites de bancos, governamentais, adultos etc. não será rastreada.
É o que faz dela uma das melhores distribuições para se ter em um (pen)drive portátil.

Outras distros são ótimas para quem trabalha com suporte técnico, pois permitem acessar todo o hardware do computador e fazer um diagnóstico mais preciso e, possivelmente, resolver problemas.
Em relação à mídias, como CD, DVD ou Bluray, o uso de uma mídia flash oferece várias vantagens — como a velocidade, a possibilidade de gravar várias outras vezes e poder ter um espaço para armazenar, dentro dele, seus arquivos pessoais.
Por fim, ter o Linux em um flash drive é uma das formas mais simples de instalar o sistema do pinguim em outros computadores ao seu redor.
Segue alguns dos métodos que eu mais uso para instalar Linux em pendrives ou cartões de memória flash (quando é possível dar boot com eles). Escolha o seu:

  1. Como instalar Ubuntu no pendrive
  2. Como criar um pendrive bootavel com Linux, usando unetbootin — tem a vantagem de fazer o download da sua versão Linux preferida e te entregar um pendrive pronto, ao final do processo. Vale experimentar.
  3. Como instalar o Linux em um pendrive com o comando dd — se você não tem medo da CLI (linha de comando), este pode ser o método mais simples, rápido e seguro.
  4. Como criar um pendrive bootavel com o openSUSE.
  5. Via Windows — há vários aplicativos para Windows que facilitam a instalação do Linux em um pendrive.
    Este é o único caso que eu não testei (não uso Windows há mais de 10 anos) e portanto continuo não sabendo como as coisas funcionam (ou não) por lá.
    Entretanto, fiz uma tradução livre do site Pendrive Linux e a postei em Como instalar Ubuntu em um pendrive via Windows. Faça o teste e nos conte como foi!

Os artigos contém links para outros textos ou tags do site, que podem ajudar a entender melhor um ou outro assunto específico.
Você usa algum outro método? Prefere fazer de outro jeito? Conte para a gente, nos comentários.

Baixe e instale o f3 para testar cartões de memória e pendrives no Linux

O kit de ferramentas F3, traz um conjunto de aplicativos para verificar, testar e consertar mídias flash falsificadas.
Desenvolvido pelo Michel Machado é uma alternativa a aplicativos proprietários (embora gratuitos), como o SOSFakeFlash e o H2testw.
A proposta é trabalhar com cartões de memória SD e, inicialmente, determinar se sua mídia é ou não autêntica — mas você pode usá-lo em pendrives também.
many sd cards
Neste texto, vou mostrar como baixar e compilar (para quem deseja usar a versão mais atual da ferramenta) e também como instalar pelo apt, no Debian e no Ubuntu. Escolha o método que achar que lhe serve melhor.
No Android, a ferramenta SD insight também pode ser usada para obter informações sobre cartões de memória inseridos no aparelho.
Alguns exemplos neste texto são executados em pendrives. Isto se deve ao fato de que, atualmente, os meus cartões de memória se encontrarem tão danificados que não é possível sequer montá-los. E a mídia precisa, em alguns casos, ser montada para algumas ferramentas funcionarem.

O kit de ferramentas F3

O conjunto de aplicativos consiste no f3probe, f3fix e no f3brew — e eu só usei a versão para Linux:

  • O primeiro, é a maneira mais rápida para identificar drives falsos e determinar o tamanho real deles, em bytes.
  • O segundo, cria condições para usar a capacidade real de uma mídia falsa, sem perder dados.
    Se você aceita um conselho, não use mídias falsas ou defeituosas, mesmo que estejam funcionando “razoavelmente” para armazenar arquivos importantes. Além disto, é importante ter uma prática de fazer backups de seus dados frequentemente.
  • O terceiro, ajuda desenvolvedores a entender o funcionamento de drives falsos.

De acordo com o Michel, F3 corresponde às palavras Fight Flash Fraud, (combate a fraude em mídias flash) ou Fight Fake Flash (combate a flash falso).

Se você tem mídias flash falsas, considere a possibilidade de doá-las ao desenvolvedor, para ele melhorar ainda mais o seu trabalho — veja os links ao final do artigo.

Como instalar o F3 no Debian e Ubuntu

Se você prefere baixar o código e compilar o F3, pule esta seção (não tenha medo, o processo é simples).
Para instalar o programa a partir dos repositórios oficiais, via apt, use o seguinte comando:

sudo apt update
sudo apt install f3

O meu sistema atual é Debian 9 Stretch e vou mostrar todos os procedimentos na linha de comando.
O F3, contudo, dispõe de duas interfaces gráficas para quem prefere este meio de resolver as coisas:

  • F3 QT — voltada para o ambiente Linux e usa (como o nome indica) a biblioteca gráfica QT.
    A interface suporta o f3write, o f3read, e o f3probe.
  • F3 X — para o MAC OS X, que usa o Cocoa. De acordo com a página oficial do autor, suporte o f3write e o f3read.

Neste artigo, não vou abordar a instalação ou o uso das interfaces gráficas.

Como baixar e compilar o F3

Se você já optou pelo método anterior de instalação, pule esta seção.
Para baixar o código, use o comando wget ou clique neste link, para baixar a versão estável:

wget https://github.com/AltraMayor/f3/archive/v6.0.zip

… ou apenas clique no link https://github.com/AltraMayor/f3/archive/v6.0.zip.
Se preferir, você pode tentar encontrar uma versão mais atual, no site do desenvolvedor.
As instruções, que seguem, constam do arquivo README.md, que vem junto com o pacote zip, baixado.
Copie o arquivo f3-xxx.zip ou v6.0.zip para o local onde você deseja deixar o código e os binários e siga o procedimento:

unzip f3-6.0.zip
cd f3-6.0
sudo apt install libudev1 libudev-dev libparted0-dev
make experimental

No procedimento, descrito acima, me baseei no Debian 9, para instalar as bibliotecas de desenvolvimento libudev1, libudev-dev e libparted0-dev. Se você usa outra distro, adéque o comando para a sua instalação.
Isto é o suficiente para ter o F3 funcionando no seu sistema.

Como usar o f3write e o f3read

Depois de inserir a mídia no seu leitor, certifique-se da sua localização com o comando lsblk:

lsblk 

Como já mencionei, meu cartão está danificado (não é falso) e não irá montar. Mas a sua presença pode ser detectada. Veja o destaque, na última linha:

NAME    MAJ:MIN RM   SIZE RO TYPE MOUNTPOINT
sda       8:0    0 931,5G  0 disk 
├─sda1    8:1    0  21,4G  0 part /
├─sda2    8:2    0 881,1G  0 part /home
└─sda3    8:3    0  10,4G  0 part [SWAP]
mmcblk0 179:0    0   1,9G  0 disk

Antes de prosseguir, certifique-se de ter backup de seus dados.
Depois de inserir o cartão no slot/leitor, aguarde a montagem da mídia.
Em seguida, execute o f3write em relação a pasta/diretório em que a mídia se encontra montada:

f3write /media/justincase/music/

O processo pode demorar alguns minutos:

Free space: 2.68 GB
Creating file 1.h2w ... OK!                        
Creating file 2.h2w ... OK!                        
Creating file 3.h2w ... OK!                        
Free space: 0.00 Byte
Average writing speed: 5.30 MB/s

O que ocorreu acima?
Sendo um drive de capacidade 4 GB, com 2,68 GB de espaço livre, o f3write procurou preencher o espaço livre com os arquivos 1.h2w, 2.h2w e 3.h2w.
Os 2 primeiros arquivos tem 1 GB, cada. O último ficou com 700 MB.
A programa preenche o drive, mas não apaga os arquivos preexistentes.
Use o comando ls, para ver o conteúdo, se quiser.
Em seguida, use o f3read para verificar a consistência dos arquivos .h2w:

f3read /media/justincase/music/

O resultado é separado em 5 colunas: A primeira coluna exibe a quantidade de setores OK. A segunda, a quantidade de setores corrompidos. A penúltima e última colunas mostram os setores que sofreram alterações e os que foram sobrescritos.

                  SECTORS      ok/corrupted/changed/overwritten
Validating file 1.h2w ... 2097152/        0/      0/      0
Validating file 2.h2w ... 2097152/        0/      0/      0
Validating file 3.h2w ... 1434984/        0/      0/      0

Data OK: 2.68 GB (5629288 sectors)
Data LOST: 0.00 Byte (0 sectors)
	       Corrupted: 0.00 Byte (0 sectors)
	Slightly changed: 0.00 Byte (0 sectors)
	     Overwritten: 0.00 Byte (0 sectors)
Average reading speed: 20.16 MB/s

Em destaque, acima, a quantidade de dados que se encontra em setores confiáveis (ou Data OK).
Os números dos campos Data LOST e Corrupted, correspondem aos setores ruins e que não merecem confiança dentro da sua mídia.
Se você tivesse problemas, esta seção exibiria algo parecido com o seguinte:

Data LOST: 27.81 GB (58322336 sectors)
	       Corrupted: 27.81 GB (58322336 sectors)

Repare, também na velocidade de leitura (reading speed), para comparar com o que é alegado na embalagem do cartão.
Este valor é baseado em testes de laboratório, em condições perfeitas.
O valor obtido pelo F3 é uma estimativa e pode variar drasticamente, em função de outros processos em execução no seu sistema. Além disto, o leitor e a porta USB podem ter fatores limitantes do fluxo de dados.
Você pode repetir os testes quantas vezes quiser, com o f3read — ele é independente do f3write.

Algumas variações no espaço/capacidade total da mídia de armazenamento, em relação ao anunciado na embalagem, podem ser atribuídas a sistemas de arquivos que fazem reservas de segurança (ext2, ext3, ext4 etc.)

Como testar o dispositivo de armazenamento com o f3probe

O f3probe não precisa que a sua mídia esteja montada e deve ser direcionado ao endereço “físico” e não à pasta de montagem.
Novamente, use o lsblk para descobrir onde se encontra o dispositivo em que você quer executar o f3probe.

sudo f3probe /dev/mmcblk0 

O resultado, abaixo, indica que o device está danificado e que tem 0.00 bytes *utilizáveis*.

[sudo] senha para justincase: 

F3 probe 6.0
Copyright (C) 2010 Digirati Internet LTDA.
This is free software; see the source for copying conditions.

WARNING: Probing normally takes from a few seconds to 15 minutes, but
         it can take longer. Please be patient.

Probe finished, recovering blocks... Done

Bad news: The device `/dev/mmcblk0' is damaged

Device geometry:
	         *Usable* size: 0.00 Byte (0 blocks)
	        Announced size: 1.88 GB (3952640 blocks)
	                Module: 2.00 GB (2^31 Bytes)
	Approximate cache size: 0.00 Byte (0 blocks), need-reset=no
	   Physical block size: 512.00 Byte (2^9 Bytes)

Probe time: 7.33s

Ao tentar usar uma identificação como /dev/sdb1 ou /dev/sdc3, para o f3probe, ele irá avisar que você precisa indicar o endereço “raíz”: /dev/sdb ou /dev/sdc.
Para acessar este tipo de endereço, é necessário ter privilégios administrativos.
Use a opção ‘–destructive’ se você não se importa em perder dados no dispositivo testado.
Acrescente a opção ‘–min-memory’, para economizar memória do sistema — em compensação o processo ficará mais lento.
A opção ‘–time-ops’, testa leitura, escrita e aplica resets.
A mensagem abaixo, se você a obtiver é indício de falsificação:
Bad news: The device `/dev/sdb’ is a counterfeit of type limbo.”
A opção ‘–destructive’ faz o utilitário desprezar o conteúdo do drive, para aumentar a velocidade do teste. Sem ela, o F3 fará backup dos dados, antes de os destruir e os copia de volta, quando terminar o teste.
O problema é que você ainda pode perder tudo, caso o F3 deixe de funcionar no meio do procedimento. Portanto, faça seu próprio backup, antes de usar o F3.

Como resolver o problema do cartão de memória falso

Obviamente, você não deve aceitar ficar com um produto falso.
O melhor caminho é deixar claro para o vendedor que você sabe que ele te vendeu um produto ilegítimo e procurar receber o seu dinheiro de volta.
Ao agir assim, você ajuda outras pessoas a não serem enganadas.
Se não houver meios de reaver o seu prejuízo, esta seção irá te ajudar a tentar reduzir os danos.
Uma mídia de armazenamento falsa, usualmente, tenta fazer passar que tem um capacidade muito superior à real.
Por exemplo, anuncia que é um cartão de 32 GB e tem, no máximo, 8 GB utilizáveis.
Se você prestar atenção, o resultado do f3probe contém uma sugestão de uso do f3fix que pode ajudar a corrigir o problema no caso de mídia falsa.
O aviso costuma ser parecido com este:

f3fix --last-sec=16477878 /dev/sdb

Certifique-se de ter privilégios de superusuário para rodar o comando contido no aviso que você obteve, aí.

O f3fix funciona criando uma partição no seu cartão de memória, que incluirá apenas a sua parte utilizável. Isto evita que dados sejam gravados na “área ruim” (ou inexistente).
Ainda assim, não é recomendável confiar os arquivos mais importantes da sua vida a um dispositivo nestas condições.
Esta solução te dará algum fôlego para guardar dinheiro para comprar um novo cartão de memória SD.

Se, ao final da execução, o f3fix avisar que tem que forçar o kernel a recarregar a tabela de partições (reload the new partition table), desconecte e reconecte o dispositivo. Assim que a nova partição estiver disponível, faça a sua formatação.
O exemplo, abaixo, formata a mídia em /dev/sdb1 com o sistema de arquivos VFAT:

sudo mkfs.vfat /dev/sdb1
mkfs.fat 3.0.26 (2014-03-07)

A partir deste ponto, o cartão deve estar a funcionar bem.
Monte-o novamente e faça o teste f3write/f3read, novamente
Se você ainda obtiver mensagens informando erros e setores corrompidos, repita o procedimento f3write/f3read, mais uma vez.
É comum alguns cartões se recuperarem de falhas em um segundo ciclo de escrita.
Contudo, se os setores corrompidos persistirem, o conselho é desistir da mídia — pois ela não é apenas falsa, mas de baixíssima qualidade.
Boa sorte!

Referências

Site oficial: https://github.com/AltraMayor/f3/.
Documentação: http://oss.digirati.com.br/f3/.

Como formatar um drive no Linux

Qualquer distro GNU/Linux provê uma gama de métodos para formatar seus dispositivos de armazenamento, tanto os externos (USB, p. ex.) quanto os internos.
Neste post, vou mostrar um método bastante comum, no ambiente gráfico, com o utilitário de discos.
Sei que as ferramentas gŕaficas são mais cômodas para alguns usuários. Caso você queira conhecer o mkfs, uma ferramenta CLI para formatar drives, clique aqui.
dispositivos de armazenamento de massa padrão
Antes de começar a fazer qualquer coisa, fica a advertência para o fato de que o processo de formatação apaga definitivamente todos os arquivos do dispositivo em que for aplicado.
Portanto, faça tudo com atenção redobrada, para evitar acidentes e aproveite para verificar se os seus backups estão todos em dia.
Os procedimentos foram testados em uma máquina Ubuntu 14.04 LTS Trusty Tahr, rodando sob o ambiente gráfico Unity e Debian 9 Stretch sob o GNOME.

Como formatar um dispositivo usando o utilitário gráfico

Nestas duas distros a ferramenta padrão para lidar com a formatação é o Disks ou Gnome-disk-utility.
Use o Dash para encontrar o aplicativo — pressione a tecla Super (que tem o logo Windows) e digite “discos” ou “disk” para fazer a busca.
gnome dash disk utility
O aplicativo possui uma série de opções para dispositivos de armazenamento. Entre as principais:

  • ele pode montar e desmontar qualquer dispositivo anexado — alguns podem precisar de privilégios administrativos
  • ele pode ser usado para particionar ou editar as partições existentes
  • criar ou recuperar uma imagem do seu disco

Há outras funções possíveis. Neste artigo, contudo, vamos tratar apenas de como formatar um drive.
Na janela, à esquerda, selecione o dispositivo sobre o qual deseja trabalhar — seja cuidadoso(a).
Logo abaixo da seção Volume, há um set de botões.
Através destes botões, é possível parar/desmontar um drive, excluir uma partição, formatar etc.
gnome-disk-utility drive selection
Selecione o botão para formatar.
system run high contrast icon
É possível entrar no painel de formatação também através do botão Mais ações, no canto superior direito da tela do aplicativo — a partir do qual é possível selecionar quase todas as mesmas ações.
A opção de Formatar é a primeira do menu Mais ações.
gnome disk utilities format menu
Vamos falar um pouco sobre cada um dos itens deste painel:

  • Apagar — você pode sobrescrever dados ou não.
    A primeira opção (não sobrescrever) é a mais rápida e, na verdade, em vez de “apagar” os dados contidos na mídia de armazenamento, apenas marca seu espaço como disponível para novas gravações.
    A segunda opção (sobrescrever) é a mais segura e garante que, por exemplo, seja mais difícil a alguém com conhecimento recuperar e acessar informações no dispositivo.
    Se trata-se de um pendrive ou cartão de memória, no qual você costuma armazenar dados sensíveis e você deseja entregá-lo a outra pessoa, é recomendado usar esta opção. Ela é mais demorada, por que, além de apagar, escreve um monte de dados aleatórios sobre o espaço vazio, para tornar mais difícil a recuperação dos dados anteriores.
  • Tipo — No Linux você não está restrito a menos de meia dúzia de possibilidades de sistemas de arquivos.
    linux format disk vfat filesystem

    1. A opção FAT (ou VFAT) é a mais “fraca” e insegura. É um sistema de arquivos velho e ultrapassado.
      Por outro lado, se você está formatando um dispositivo de baixa capacidade de armazenamento, para gravar músicas, fotos e vídeos e ser lido em qualquer equipamento, o FAT é, atualmente, o único sistema de arquivos que você irá poder usar.
      Com esta opção de formatação, o seu pendrive ou cartão de memória poderá ser lido em outros computadores, em smartTVs, no Playstation 3, em aparelhos de som (inclusive o do carro) etc.
    2. A opção NTFS tem uma universalidade reduzida, mas permite que você possa ler o dispositivo em computadores Windows.
    3. A opção Ext4 faz uso de um sistema de arquivos avançado e muito estável. Se você pretende fazer seus backups e precisa de um sistema de arquivos confiável, este é o melhor.
    4. A opção com criptografia LUKS é a mais indicada para quem irá armazenar dados sensíveis, pessoais ou profissionais. Neste caso, a criptografia LUKS oferece um nível de segurança elevado.
    5. Para finalizar, se nenhuma das opções anteriores satisfizer, personalize a sua escolha.
      Veja aqui uma relação detalhada de sistemas de arquivos específicos para mídias flash, SSD, NAND etc.
  • Nome — escolha um nome para identificar a sua unidade e ficar mais fácil saber seu conteúdo. Note que há limites de caracteres, dependendo do sistema de arquivos escolhido. O FAT permite nomes com até 8 caracteres, por exemplo.

Depois de escolher o nome do volume, inicie o processo de formatação, clicando no botão Formatar.
Há inúmeras outras formas para formatar dispositivos de armazenamento no Linux. Neste texto, apresentei uma das mais simples.
É possível usar a linha de comando para formatar, com maior número de opções de formatação. Mas isto já renderia outro artigo.

Introdução ao sistema de arquivos BTRFS – parte 2

Este post tem intenção de mostrar, na prática, como lidar com o sistema de arquivos Btrfs, no Linux.
Basicamente, vou cobrir algumas tarefas administrativas, o que inclui criar um sistema de arquivos Btrfs, montá-lo, alterar seu tamanho, usar compressão e auto desfragmentação.
É importante que se diga que o Btrfs, anunciado em 2007, ainda está em fase beta — neste momento, esta é a posição oficial dos desenvolvedores.
Sistema de arquivos Btrfs - logo
Contudo, há grandes empresas que usam o Btrfs em produção, mas ninguém, em sã consciência, abre mão de fazer seus backups. Problemas sempre podem aparecer.

Notas preliminares

Eu venho usando este sistema na minha máquina de trabalho há aproximadamente 6 meses e sem incidentes.
Atualmente, uso o Debian 8.3 “Jessie”, com o kernel 4.3.
Tudo o que descrevo, neste texto, funciona para mim. Não há qualquer garantia de que funcione para você, contudo.
Os comandos, descritos aqui, foram executados em alguns drives USB (vulgo, pendrives…) — o que está longe de ser o ideal para testar um sistema de arquivos tão robusto, mas serve para ilustrar o texto.
Debian 8 GNU/Linux terminal
Usuários Ubuntu, opcionalmente, podem usar o apt-get em vez do aptitude para instalar aplicativos — se isto os fizer sentir mais confortáveis.
Se quiser saber melhor as diferenças entre os dois, leia este artigo.
Outro ponto importante é que a maioria dos comandos, são usados com privilégios administrativos (com todos os perigos que isto implica).
Portanto, não esqueça de usar o ‘sudo’ no início da linha de comando ou logar como ‘root’ (que foi o que eu fiz).
Se você tiver curiosidade, leia Diferenças entre SU e SUDO.

Como instalar o suporte a Btrfs

Se você já instalou o Btrfs, pode pular esta parte.

Uma palavrinha sobre os backports…

Depois que instalei suporte aos backports no Debian, adquiri o hábito de checar se há pacotes mais atuais naqueles repositórios antes de instalar alguma coisa.
No meu caso, não há versão mais atual disponível nos backports, como é possível observar abaixo:

aptitude show btrfs-tools | grep -i vers
Versão: 3.17-1.1

aptitude -t jessie-backports show btrfs-tools | grep -i vers
Versão: 3.17-1.1

Sigamos em frente… 😉

Como ele já está incluído no kernel principal desde a versão 2.6.29-rc1, tudo o que você precisa é instalar as ferramentas para lidar com o sistema de arquivos Btrfs no espaço do usuário ou user space. Veja como:

aptitude update
aptitude install btrfs-tools

Isto é tudo.
Baixar o código fonte e compilá-lo, também é uma opção e pode te dar uma versão bleeding edge, ou seja, a última disponibilizada pelos desenvolvedores — mas vai impor alguns sacrifícios à estabilidade do seu sistema.

Como criar um sistema de arquivos Btrfs

Uma das várias boas notícias, aqui, é que você não precisa usar ferramentas de particionamento, como o fdisk, para preparar o dispositivo antes de formatá-lo com o Btrfs.
O sistema pode ser criado direto, com um único comando:

mkfs.btrfs /dev/sdc

Você pode usar um comando assim, para criar um volume novo até em mídias ainda não formatadas.
Se já houver algum sistema de arquivos (mesmo que seja Btrfs), o utilitário irá avisar:

/dev/sdc appears to contain an existing filesystem (iso9660).
Error: Use the -f option to force overwrite.
See http://btrfs.wiki.kernel.org for more information.

Se você tiver certeza do que está fazendo, pode “forçar” a criação do novo sistema de arquivos no dispositivo:

mkfs.btrfs -f /dev/sdc

Ao formatar a unidade, o mkfs irá aplicar as opções mais adequadas, automaticamente, para o tipo de mídia em questão. Veja o meu resultado, abaixo:

Btrfs v3.17

Turning ON incompat feature 'extref': increased hardlink limit per file to 65536
fs created label (null) on /dev/sdc
	nodesize 16384 leafsize 16384 sectorsize 4096 size 7.50GiB

Antes de concluir o tema, acho interessante falar destas duas opções de criação de um sistema de arquivos: --label e --mixed.
Ambas podem ser abreviadas, respectivamente, para ‘-L’ e ‘-M’.
A primeira serve para dar um nome (até 256 caracteres) ao seu volume e a segunda, mistura (mixa) partes de dados e metadados para obter um uso mais eficiente de espaço.
A aplicação deste recurso penaliza a performance em sistemas de arquivos maiores. Por isto, é recomendado apenas em pequenos sistemas de arquivos com 1 GiB de espaço ou menos.
Veja um exemplo de sua aplicação:

mkfs.btrfs --force --mixed --label "Justin Case" /dev/sdc

Para obter informações sobre o sistema de arquivos criado use o seguinte comando:

btrfs filesystem show /dev/sdc

Como montar um sistema de arquivos Btrfs

Se você conectar um dispositivo de armazenamento com um sistema de arquivos Btrfs, o Linux irá montá-lo automaticamente.
As opções, descritas a seguir, podem ser usadas por quem deseja fazer uso de algum recurso no momento da montagem ou configurar o fstab para obter resultados específicos.
A sintaxe do comando para montar uma unidade Btrfs não é muito diferente da usada para outros sistemas de arquivos. Veja um exemplo simples:

mount -t auto /dev/sdc /mnt

Como você pode ver, usei o parâmetro ‘auto’, por que sei que o kernel irá identificar corretamente o sistema de arquivos do dispositivo.
Mas eu o poderia indicar também, como pode ser observado no exemplo abaixo:

mount -t btrfs /dev/sdc /mnt

Ambas opções detectam e automatizam a escolha das opções de montagem mais adequadas para o seu dispositivo.
Veja alguns exemplos de outros parâmetros de montagem que podem ser usados.
Para montar o dispositivo com a compressão ativada, use a opção ‘compress’:

mount -t btrfs -o compress /dev/sdc /mnt

O algoritmo padrão de compressão é o zlib. Mas você pode usar também o LZO.
Entenda a diferença entre os dois e obtenha mais detalhes da aplicação no artigo Como ativar compressão no Btrfs.
Caso o sistema de arquivos já esteja montado, use o parâmetro ‘remount’:

mount -t btrfs -o remount,compress /dev/sdc /mnt

Assim, não será necessário desmontar e montar manualmente.
Se quiser ver as opções de montagem atuais da sua unidade Btrfs, use o mount combinado com o comando grep.

mount | grep btrfs

O meu resultado é o que segue:

/dev/sdc on /mnt type btrfs (rw,relatime,compress=zlib,space_cache,subvolid=5,subvol=/)

Pode ser interessante fazer testes, montando o sistema manualmente.
Quando tudo estiver funcionando do jeito que você quer, inclua estas opções de montagem no arquivo fstab.
Ao usar ‘autodefrag’, na montagem, o sistema irá executar o processo de desfragmentação em background ou nos bastidores, sem atrapalhar o uso da máquina, sempre que detectar alguma gravação aleatória.
Segue um exemplo de uso:

mount -t btrfs -o remount,compress,autodefrag /dev/sdc /mnt

Se você estiver tendo algum problema grave com a sua unidade de armazenamento, pode tentar recuperá-la durante a montagem, com ‘recovery’:

mount -o recovery /dev/sdc /mnt 

Como alterar o tamanho de um volume Btrfs

Não há necessidade de desmontar o volume para alterar o seu tamanho. Esta operação pode ser feita online.
Para reduzir o tamanho da unidade em 5 GiB, use o seguinte comando:

btrfs filesystem resize -5g /mnt

Para aumentar o tamanho em 500 MiB, use o seguinte comando:

btrfs filesystem resize +500m /mnt

Se isto não for possível, o sistema retornará o erro:

Resize '/mnt/' of '+500m'
ERROR: unable to resize '/mnt/' - File too large

Para ver o novo tamanho do volume, use o comando df:

df -h /mnt/
Sist. Arq.      Tam. Usado Disp. Uso% Montado em
/dev/sdc        4,1G   32M  3,3G   1% /mnt

Simples, não é?
Este artigo, dá uma ideia inicial das possibilidades do sistema de arquivos Brtfs e lhe permite começar a explorar toda a sua robustez.
Não esqueça de se aprofundar mais no assunto, lendo os textos linkados.
Divirta-se!

Qual sistema de arquivos escolher pro meu novo drive SSD?

A cada vez que vai instalar o Linux, para experimentar uma nova distro ou testar algum lançamento, ainda em fase beta ou alfa, você costuma ter a dúvida sobre qual sistema de arquivos usar em cada uma das novas partições criadas?
O sistema de arquivos a ser usado é apenas a ponta do iceberg, dentre tantas dúvidas e opções possíveis de ajuste do sistema, já antes da sua instalação.
Para não te aborrecer com um artigo enorme, vou tentar responder apenas a principal pergunta: qual o sistema de arquivos ideal para instalar Linux no drive SSD?
Além disto, vou me restringir ao ambiente desktop comum de usuário.
SSD drive by Toshiba
Das várias opções disponíveis, no ato da instalação, há basicamente 4 a serem consideradas neste momento:

  • EXT4 — Esta é a escolha natural e recomendada se você deseja estar do lado mais seguro.
    O Ext4 tem suporte total ao hardware dos SSD e ao trimming.
    Até esta data, o Ext4 ainda está ganhando na maioria dos benchmarks realizados entre ele e os outros 3 sistemas de arquivos citados nesta lista.
    Portanto, é também a opção mais adequada para quem deseja mais performance — mas não vai ser sempre assim.
    O Ext4 está atingindo o pico da sua maturidade e deve ter várias melhorias e novos recursos implementados, no decurso dos próximos anos, pelos seus desenvolvedores.
    O ritmo de desenvolvimento dos outros sistemas de arquivos, contudo, está em ritmo mais acelerado.
    No Red Hat, o Ext4 tem suporte a arquivos com tamanho até 16 Tb. O sistema de arquivos pode chegar a 50 Tb.
  • BTRFS — O nome pode ser um acrônimo para “better fs” (ou seja, “sistema de arquivos melhorado”).
    No Ubuntu e nas outras distribuições GNU/Linux baseadas no Debian, ele desponta como natural sucessor do Ext4.
    É seguro para o uso da grande maioria dos clientes mas não tem a maturidade exigida para o ambiente de produção.
    Em alguns testes de benchmark, o Btrfs já ganha do Ext4 em eficiência.
    Por ser mais novo, já nasceu com seu código voltado para as novas tecnologias de armazenamento.
  • XFS — Muitos usuários não sabem que o XFS também tem suporte ao TRIM.
    Este é o sistema de arquivos padrão no Red Hat, a partir da versão 7.
    Seu desenvolvimento remonta à década de 90, nas famosas workstations da Silicon Graphics.
    É mais maduro do que o Btrfs, de modo geral, embora tenha começado a ter suporte no Linux, há menos tempo.
    Se você usa o Red Hat ou o Fedora, recomendo usar este sistema de arquivos, para usufruir de todo o suporte que a empresa oferece.
    O XFS pode trabalhar com arquivos de até 500 Tb de tamanho e o próprio sistema de arquivos pode chegar a vários exabytes.
  • JFS — Teve suporte ao TRIM, adicionado a partir da versão 3.7 do kernel Linux.
    Há pouca documentação sobre ele.
    Ele tem sido comparado aos outros em vários testes de performance e tem se saído muito bem em alguns.

Além destes, há vários outros sistemas de arquivos desenvolvidos para unidades SSD e dispositivos flash — o F2FS é um deles.
No artigo Introdução ao ZFS, abordamos este sistema de arquivos especificamente.

Os testes de benchmarking

Foge ao escopo deste artigo fazer análises de performance — cujos resultados mudam o tempo todo.
Neste sentido, sugiro que você dê uma olhada nos links, abaixo. Selecionei algumas análises de desempenho que eu achei interessantes.
Antes de decidir, sugiro dar uma olhada e procurar por testes mais atuais.
Sinta-se à vontade para compartilhar com os outros leitores links para testes mais recentes ou sua experiência com o uso de alguns destes sistemas de arquivos, na sessão de comentários.

Referências

O novo sistema de arquivos padrão no Red Hat é o XFS: https://access.redhat.com/documentation/en-US/Red_Hat_Enterprise_Linux/7/html/Migration_Planning_Guide/sect-Red_Hat_Enterprise_Linux-Migration_Planning_Guide-File_System_Formats.html.
Teste de performance do Phoronix: http://www.phoronix.com/scan.php?page=article&item=linux-40-hdd&num=1
Sistemas de arquivos otimizados para mídias flash e drives SSD: https://elias.praciano.com/2014/09/sistemas-de-arquivos-otimizados-para-midias-flash-cartoes-de-memoria-ssd-nand/.