Passe as fotos da câmera ou do cartão de memória mais rápido para o seu computador.

O aplicativo rapid-photo-downloader faz o que o nome promete.
Quando o programa está no ar, basta conectar um cartão de memória ou a sua câmera via USB para ver na tela todos os thumbnails das suas fotos.

Dali pra frente, é só selecionar o que você quer transferir. Por padrão, todos os arquivos já ficam selecionados.
Sim. O programa tem suporte a imagens RAW.

Pode ser instalado a partir dos repositórios oficiais da sua distro GNU/Linux.
Abra o app de instalação de programas (a lojinha da sua distro) e procure por ‘rapid-photo-downloader’.

Na imagem, acima, tela de instalação do aplicativo no POP Shop.

Se preferir usar a CLI, abra um terminal e instale, com o apt (ou dnf, se você usa o Fedora):


sudo apt install rapid-photo-downloader

Uma vez instalado, pressione a tecla Super e procure pelo ‘rapid-photo…’

Quando estiver carregando, insira o seu cartão de memória ou conecte sua câmera.
O aplicativo também irá detectar que seu celular está conectado — mas precisa estar no modo de transferência de fotos (PTP).

O Rapid Photo Downloader se diferencia de outros aplicativos do gênero por ser bem mais rápido que os outros.
Ele reconhece e importa rapidamente todo o seu set de imagens.
Pode ser usado para renomear um grande conjunto de arquivos.
Este é mais um dos programas, para Linux, desenvolvido por fotógrafos para fotógrafos.

Site do aplicativo: http://www.damonlynch.net/rapid/index.html.

Como determinar a memória usada por um processo no Linux, com o utilitário pmap

O utilitário pmap tem a função de exibir um mapa do uso da memória por um ou vários processos.
Com ele, é possível obter um valor, em KB, da quantidade de memória RAM usada por um programa, no seu sistema.
Você precisa informar apenas o PID (Process ID) do programa, para o pmap.
Para obter o PID, use o comando ps.
Use o ps para obter o PID de algum processo. No exemplo, abaixo, veja como obter esta informação sobre o navegador Firefox:


ps aux | grep firefox

justinc+  1889 46.2 10.6 3262532 839236 tty2   Sl+  09:21   9:00 /usr/lib/firefox-esr/firefox-esr
justinc+ 13572  0.0  0.0  12784   992 pts/0    S+   09:40   0:00 grep --color=auto firefox

O PID é exibido na 2a coluna. No meu caso, é 1889.
Agora, basta oferecer este número ao pmap:


pmap 1889

O mapa pode ser bastante extenso e você pode informar mais de um PID, se quiser.
Ao final, é exibido o total de memória (em KB) usada pelo processo.
Use o comando grep, para obter uma visualização mais resumida:


pmap 1889 | grep -i total

 total          3270732K

Você também irá encontrar informações sobre a memória ocupada por processo no diretório /proc ou com os utilitários ps ou top.
O problema destas alternativas é que será necessário calcular o valor total da memória usada “manualmente”, ou seja, adicionar os valores de memória compartilhada, mapeada e virtual, entre outros.
Já o pmap oferece o valor total, de mais fácil compreensão, ao final da listagem.

Use o comando watch para monitorar processos em execução

O utilitário watch é usado no Linux para rodar outros programas periodicamente e exibir resultados atualizados.
O que ele faz é reexecutar programas, até que você o mande parar.
Para interromper o seu andamento, use as teclas ^C (Ctrl + c).
O watch aceita parâmetros e opções para determinar de quanto em quanto tempo ele deve rodar novamente um comando.
Segue alguns exemplos de uso.

Como monitorar o uso das unidades de armazenamento do seu sistema

Você pode observar o espaço livre de todos os drives (internos, externos ou remotos) conectados ou montados no seu sistema ao combinar o comando df com o watch.
Veja um exemplo:


watch df -h

Como padrão, o watch reexecuta seu comando a cada 2 segundos.
linux free watch
Você pode alterar este comportamento com a opção ‘-n’ ou ‘–interval’:


watch --interval 0.5 du -h

Na linha acima, ajustei o intervalo entre uma execução e outra para meio segundo.
Desta vez, usei o comando du, que mostra a ocupação (ou uso) de cada diretório montado no sistema.
linux disk usage
Note que o watch exibe, no canto superior esquerdo da tela, o intervalo de tempo entre cada execução do programa: Every 0,5s (ou seja, “a cada meio segundo”), na imagem acima.

O comando df (disk free) mostra o espaço livre em uma unidade montada.
O du (disk used ou disk usage) mostra o uso ou a ocupação dos diretórios atuais

Como monitorar o uso da memória no Linux

O comando free é usado para mostrar a quantidade de memória livre, em diversos locais (RAM, SWAP etc).
Você pode usar o watch para verificar como o uso dos programas no seu computador afetam a memória do sistema.
Experimente o seguinte:


watch free

Aqui também é possível estabelecer um intervalo de atualização.
A visualização pode ficar mais interessante, se você permitir ao watch destacar os dados que sofreram alterações:


watch --differences --interval 0.1 free

Note que o menor intervalo possível é 0.1 segundos.
linux free memory

Outros exemplos de uso do watch

É possível encontrar outros exemplos de uso no manual do comando (man watch).
Por exemplo, para monitorar os arquivos que sofrerem algum tipo de modificação ou edição, no diretório atual, use o comando da seguinte forma:


watch -d 'ls -l'

Este tipo de comando é mais usado no diretório de logs ou no sistema de arquivos proc.

Baixe e instale o f3 para testar cartões de memória e pendrives no Linux

O kit de ferramentas F3, traz um conjunto de aplicativos para verificar, testar e consertar mídias flash falsificadas.
Desenvolvido pelo Michel Machado é uma alternativa a aplicativos proprietários (embora gratuitos), como o SOSFakeFlash e o H2testw.
A proposta é trabalhar com cartões de memória SD e, inicialmente, determinar se sua mídia é ou não autêntica — mas você pode usá-lo em pendrives também.
many sd cards
Neste texto, vou mostrar como baixar e compilar (para quem deseja usar a versão mais atual da ferramenta) e também como instalar pelo apt, no Debian e no Ubuntu. Escolha o método que achar que lhe serve melhor.
No Android, a ferramenta SD insight também pode ser usada para obter informações sobre cartões de memória inseridos no aparelho.
Alguns exemplos neste texto são executados em pendrives. Isto se deve ao fato de que, atualmente, os meus cartões de memória se encontrarem tão danificados que não é possível sequer montá-los. E a mídia precisa, em alguns casos, ser montada para algumas ferramentas funcionarem.

O kit de ferramentas F3

O conjunto de aplicativos consiste no f3probe, f3fix e no f3brew — e eu só usei a versão para Linux:

  • O primeiro, é a maneira mais rápida para identificar drives falsos e determinar o tamanho real deles, em bytes.
  • O segundo, cria condições para usar a capacidade real de uma mídia falsa, sem perder dados.
    Se você aceita um conselho, não use mídias falsas ou defeituosas, mesmo que estejam funcionando “razoavelmente” para armazenar arquivos importantes. Além disto, é importante ter uma prática de fazer backups de seus dados frequentemente.
  • O terceiro, ajuda desenvolvedores a entender o funcionamento de drives falsos.

De acordo com o Michel, F3 corresponde às palavras Fight Flash Fraud, (combate a fraude em mídias flash) ou Fight Fake Flash (combate a flash falso).

Se você tem mídias flash falsas, considere a possibilidade de doá-las ao desenvolvedor, para ele melhorar ainda mais o seu trabalho — veja os links ao final do artigo.

Como instalar o F3 no Debian e Ubuntu

Se você prefere baixar o código e compilar o F3, pule esta seção (não tenha medo, o processo é simples).
Para instalar o programa a partir dos repositórios oficiais, via apt, use o seguinte comando:

sudo apt update
sudo apt install f3

O meu sistema atual é Debian 9 Stretch e vou mostrar todos os procedimentos na linha de comando.
O F3, contudo, dispõe de duas interfaces gráficas para quem prefere este meio de resolver as coisas:

  • F3 QT — voltada para o ambiente Linux e usa (como o nome indica) a biblioteca gráfica QT.
    A interface suporta o f3write, o f3read, e o f3probe.
  • F3 X — para o MAC OS X, que usa o Cocoa. De acordo com a página oficial do autor, suporte o f3write e o f3read.

Neste artigo, não vou abordar a instalação ou o uso das interfaces gráficas.

Como baixar e compilar o F3

Se você já optou pelo método anterior de instalação, pule esta seção.
Para baixar o código, use o comando wget ou clique neste link, para baixar a versão estável:

wget https://github.com/AltraMayor/f3/archive/v6.0.zip

… ou apenas clique no link https://github.com/AltraMayor/f3/archive/v6.0.zip.
Se preferir, você pode tentar encontrar uma versão mais atual, no site do desenvolvedor.
As instruções, que seguem, constam do arquivo README.md, que vem junto com o pacote zip, baixado.
Copie o arquivo f3-xxx.zip ou v6.0.zip para o local onde você deseja deixar o código e os binários e siga o procedimento:

unzip f3-6.0.zip
cd f3-6.0
sudo apt install libudev1 libudev-dev libparted0-dev
make experimental

No procedimento, descrito acima, me baseei no Debian 9, para instalar as bibliotecas de desenvolvimento libudev1, libudev-dev e libparted0-dev. Se você usa outra distro, adéque o comando para a sua instalação.
Isto é o suficiente para ter o F3 funcionando no seu sistema.

Como usar o f3write e o f3read

Depois de inserir a mídia no seu leitor, certifique-se da sua localização com o comando lsblk:

lsblk 

Como já mencionei, meu cartão está danificado (não é falso) e não irá montar. Mas a sua presença pode ser detectada. Veja o destaque, na última linha:

NAME    MAJ:MIN RM   SIZE RO TYPE MOUNTPOINT
sda       8:0    0 931,5G  0 disk 
├─sda1    8:1    0  21,4G  0 part /
├─sda2    8:2    0 881,1G  0 part /home
└─sda3    8:3    0  10,4G  0 part [SWAP]
mmcblk0 179:0    0   1,9G  0 disk

Antes de prosseguir, certifique-se de ter backup de seus dados.
Depois de inserir o cartão no slot/leitor, aguarde a montagem da mídia.
Em seguida, execute o f3write em relação a pasta/diretório em que a mídia se encontra montada:

f3write /media/justincase/music/

O processo pode demorar alguns minutos:

Free space: 2.68 GB
Creating file 1.h2w ... OK!                        
Creating file 2.h2w ... OK!                        
Creating file 3.h2w ... OK!                        
Free space: 0.00 Byte
Average writing speed: 5.30 MB/s

O que ocorreu acima?
Sendo um drive de capacidade 4 GB, com 2,68 GB de espaço livre, o f3write procurou preencher o espaço livre com os arquivos 1.h2w, 2.h2w e 3.h2w.
Os 2 primeiros arquivos tem 1 GB, cada. O último ficou com 700 MB.
A programa preenche o drive, mas não apaga os arquivos preexistentes.
Use o comando ls, para ver o conteúdo, se quiser.
Em seguida, use o f3read para verificar a consistência dos arquivos .h2w:

f3read /media/justincase/music/

O resultado é separado em 5 colunas: A primeira coluna exibe a quantidade de setores OK. A segunda, a quantidade de setores corrompidos. A penúltima e última colunas mostram os setores que sofreram alterações e os que foram sobrescritos.

                  SECTORS      ok/corrupted/changed/overwritten
Validating file 1.h2w ... 2097152/        0/      0/      0
Validating file 2.h2w ... 2097152/        0/      0/      0
Validating file 3.h2w ... 1434984/        0/      0/      0

Data OK: 2.68 GB (5629288 sectors)
Data LOST: 0.00 Byte (0 sectors)
	       Corrupted: 0.00 Byte (0 sectors)
	Slightly changed: 0.00 Byte (0 sectors)
	     Overwritten: 0.00 Byte (0 sectors)
Average reading speed: 20.16 MB/s

Em destaque, acima, a quantidade de dados que se encontra em setores confiáveis (ou Data OK).
Os números dos campos Data LOST e Corrupted, correspondem aos setores ruins e que não merecem confiança dentro da sua mídia.
Se você tivesse problemas, esta seção exibiria algo parecido com o seguinte:

Data LOST: 27.81 GB (58322336 sectors)
	       Corrupted: 27.81 GB (58322336 sectors)

Repare, também na velocidade de leitura (reading speed), para comparar com o que é alegado na embalagem do cartão.
Este valor é baseado em testes de laboratório, em condições perfeitas.
O valor obtido pelo F3 é uma estimativa e pode variar drasticamente, em função de outros processos em execução no seu sistema. Além disto, o leitor e a porta USB podem ter fatores limitantes do fluxo de dados.
Você pode repetir os testes quantas vezes quiser, com o f3read — ele é independente do f3write.

Algumas variações no espaço/capacidade total da mídia de armazenamento, em relação ao anunciado na embalagem, podem ser atribuídas a sistemas de arquivos que fazem reservas de segurança (ext2, ext3, ext4 etc.)

Como testar o dispositivo de armazenamento com o f3probe

O f3probe não precisa que a sua mídia esteja montada e deve ser direcionado ao endereço “físico” e não à pasta de montagem.
Novamente, use o lsblk para descobrir onde se encontra o dispositivo em que você quer executar o f3probe.

sudo f3probe /dev/mmcblk0 

O resultado, abaixo, indica que o device está danificado e que tem 0.00 bytes *utilizáveis*.

[sudo] senha para justincase: 

F3 probe 6.0
Copyright (C) 2010 Digirati Internet LTDA.
This is free software; see the source for copying conditions.

WARNING: Probing normally takes from a few seconds to 15 minutes, but
         it can take longer. Please be patient.

Probe finished, recovering blocks... Done

Bad news: The device `/dev/mmcblk0' is damaged

Device geometry:
	         *Usable* size: 0.00 Byte (0 blocks)
	        Announced size: 1.88 GB (3952640 blocks)
	                Module: 2.00 GB (2^31 Bytes)
	Approximate cache size: 0.00 Byte (0 blocks), need-reset=no
	   Physical block size: 512.00 Byte (2^9 Bytes)

Probe time: 7.33s

Ao tentar usar uma identificação como /dev/sdb1 ou /dev/sdc3, para o f3probe, ele irá avisar que você precisa indicar o endereço “raíz”: /dev/sdb ou /dev/sdc.
Para acessar este tipo de endereço, é necessário ter privilégios administrativos.
Use a opção ‘–destructive’ se você não se importa em perder dados no dispositivo testado.
Acrescente a opção ‘–min-memory’, para economizar memória do sistema — em compensação o processo ficará mais lento.
A opção ‘–time-ops’, testa leitura, escrita e aplica resets.
A mensagem abaixo, se você a obtiver é indício de falsificação:
Bad news: The device `/dev/sdb’ is a counterfeit of type limbo.”
A opção ‘–destructive’ faz o utilitário desprezar o conteúdo do drive, para aumentar a velocidade do teste. Sem ela, o F3 fará backup dos dados, antes de os destruir e os copia de volta, quando terminar o teste.
O problema é que você ainda pode perder tudo, caso o F3 deixe de funcionar no meio do procedimento. Portanto, faça seu próprio backup, antes de usar o F3.

Como resolver o problema do cartão de memória falso

Obviamente, você não deve aceitar ficar com um produto falso.
O melhor caminho é deixar claro para o vendedor que você sabe que ele te vendeu um produto ilegítimo e procurar receber o seu dinheiro de volta.
Ao agir assim, você ajuda outras pessoas a não serem enganadas.
Se não houver meios de reaver o seu prejuízo, esta seção irá te ajudar a tentar reduzir os danos.
Uma mídia de armazenamento falsa, usualmente, tenta fazer passar que tem um capacidade muito superior à real.
Por exemplo, anuncia que é um cartão de 32 GB e tem, no máximo, 8 GB utilizáveis.
Se você prestar atenção, o resultado do f3probe contém uma sugestão de uso do f3fix que pode ajudar a corrigir o problema no caso de mídia falsa.
O aviso costuma ser parecido com este:

f3fix --last-sec=16477878 /dev/sdb

Certifique-se de ter privilégios de superusuário para rodar o comando contido no aviso que você obteve, aí.

O f3fix funciona criando uma partição no seu cartão de memória, que incluirá apenas a sua parte utilizável. Isto evita que dados sejam gravados na “área ruim” (ou inexistente).
Ainda assim, não é recomendável confiar os arquivos mais importantes da sua vida a um dispositivo nestas condições.
Esta solução te dará algum fôlego para guardar dinheiro para comprar um novo cartão de memória SD.

Se, ao final da execução, o f3fix avisar que tem que forçar o kernel a recarregar a tabela de partições (reload the new partition table), desconecte e reconecte o dispositivo. Assim que a nova partição estiver disponível, faça a sua formatação.
O exemplo, abaixo, formata a mídia em /dev/sdb1 com o sistema de arquivos VFAT:

sudo mkfs.vfat /dev/sdb1
mkfs.fat 3.0.26 (2014-03-07)

A partir deste ponto, o cartão deve estar a funcionar bem.
Monte-o novamente e faça o teste f3write/f3read, novamente
Se você ainda obtiver mensagens informando erros e setores corrompidos, repita o procedimento f3write/f3read, mais uma vez.
É comum alguns cartões se recuperarem de falhas em um segundo ciclo de escrita.
Contudo, se os setores corrompidos persistirem, o conselho é desistir da mídia — pois ela não é apenas falsa, mas de baixíssima qualidade.
Boa sorte!

Referências

Site oficial: https://github.com/AltraMayor/f3/.
Documentação: http://oss.digirati.com.br/f3/.

Uma explicação simplificada sobre a gestão de memória no Linux, com foco no swap.

Uma das coisas mais certas, quando se fala em gestão da memória RAM, é que não existe memória sobrando ou ociosa em um sistema Linux.
Cada aplicação usa uma quantidade da memória disponível no sistema.
Do que “sobra”, com exceção dos últimos megabytes, o Linux usa para fazer caching — no que se inclui o cache de página, os caches de inodes etc.
Ocupar toda a memória física disponível, é benéfico — ajuda a melhorar enormemente a eficiência geral do sistema.
Tanto a leitura quanto a escrita em disco podem se beneficiar imensamente com o uso do cache.
Em mundo ideal, você sempre terá memória suficiente para abrigar todas as suas aplicações, suprir as necessidades delas e, de lambuja, ainda terá algumas centenas de megabytes disponíveis para fazer caching.
Neste mundo utópico, desde que suas aplicações não façam demandas crescentes por mais memória e o sistema não exerça pressão crescente no cache, não há necessidade alguma para swap — a não ser permitir a hibernação.

Além de auxiliar na gestão da memória virtual do sistema, o swap tem outro papel importante: guardar o estado atual do sistema, caso você ative a hibernação do computador.
Esta função do swap não será abordada neste texto, já que não tem relação direta com o gerenciamento de memória do sistema.

Para se aprofundar mais em algum tema, clique nos links incluídos no texto deste artigo e nos que estão relacionados ao final do post.


Voltando ao caching
À medida em que as aplicações precisam de mais memória física, o sistema vai abrindo mão do espaço que estava usando para o cache em prol delas.
Desalocar cache é tão simples e fácil que é feito em tempo real.
Uma vez que todo o conteúdo do cache é sempre uma cópia de algo que já se encontra gravado em disco, portanto seu espaço, ou pode ser disponibilizado imediatamente, ou já está sempre prestes a ser liberado nos próximos segundos.
O fato é que realocar o espaço usado para caching tem zero impacto na performance das aplicações.
Tendo isto em mente, quando nos referimos a memória física “livre”, podemos estar incluindo ou não a que está sendo usada pelo cache.
linux-memória-ram-livre
Esta é a maneira como todos os sistemas operacionais modernos trabalham. Na hora de exibir a quantidade de memória livre, contudo, alguns incluem o que está ocupado pelo cache, outros não.
Concordo com alguns autores que, ao falar de “memória livre”, faz mas sentido incluir a parte ocupada pelo cache — já que é instantaneamente disponibilizada ao ser requisitada pelas aplicações.
No Linux, ao executar o comando free, ele exibe as duas situações:

free -h
              total        used        free      shared  buff/cache   available
Mem:           2,0G        207M        1,2G         55M        521M        1,7G
Swap:          6,7G          0B        6,7G

No Linux, o comando free, inclui valor do cache na coluna “disponível” (available).
Se preferir ver os valor do cache destacado em uma coluna, use as opções ‘-hwt’:

free -hwt
              total        used        free      shared     buffers       cache   available
Mem:           2,0G        491M        262M        127M        2,0M        1,2G        1,3G
Swap:          6,7G        144K        6,7G
Total:         8,7G        491M        7,0G

Como o Linux usa o swap

Este tópico será explicado de maneira básica, aqui.
Sugiro a leitura de Perguntas e respostas sobre o SWAP, caso você queira saber mais sobre o assunto.
Uma vez preenchida toda a memória física disponível na sua máquina, não há mais espaço suficiente para o cache garantir a velocidade do fluxo de dados entre as mídias físicas e a memória.
Neste caso, o Linux irá realocar espaço na memória, usado por aplicações inativas (ou pouco usadas), da memória RAM, para o swap (no disco rígido), com objetivo de ter de volta algum espaço para operar com o cache.
Isto não acontece como fruto de uma decisão simples. Não existe “um percentual” de uso da memória a partir do qual o sistema automaticamente começa a fazer swapping.
Há um algoritmo mais complexo envolvido, a partir do qual o Linux decide que é hora de levar dados da RAM para o disco.
O algoritmo leva vários fatos em conta. Este processo pode melhor ser descrito por “quanta pressão há para alocar novos bytes de memória”.
Se houver muita pressão para alocar novos blocos de memória, também haverá mais chance de que alguns outros blocos sejam “swapeados” para criar mais espaço na memória. Se houver menos pressão, as chances serão menores.
A variável que regula a pressão do cache (ou cache pressure), pode ser definida, junto com o swappiness“.
Se quiser saber como fazer isto, leia Como reduzir o uso do swap para melhorar o desempenho.
A menos que você saiba o que está fazendo, em computadores de uso genérico, não é recomendável alterar estas variáveis.
É comum vilanizarmos o swap. De modo geral, contudo, ele é uma coisa muita boa.
Você pode ser penalizado na performance do seu sistema, por uso ocasional do swap. Mas esta situação traz mais ganhos à responsividade e à estabilidade geral do sistema.
Ao reduzir o valor do swappiness, permite-se que a quantidade de memória cache diminua um pouco mais do que iria normalmente — mesmo que, de alguma forma, ela pudesse ser útil ao sistema.
O uso de valores baixos para a variável swappiness, traz o risco de tornar um computador (de uso genérico) mais lento — por que ele terá menos espaço para fazer caching.
Cabe a você determinar se, no seu caso específico, esta relação pode ser interessante e trazer ganhos de desempenho
Desabilitar completamente o swap, pode trazer riscos a estabilidade do seu sistema, principalmente se ocorrer de toda a memória física vir a ser ocupada.

O que acontece no sistema quando ele está atolado e fazendo uso pesado do swap?

Com alguma frequência, acontece de percebermos que nosso computador parece atolado de tarefas, super lento e o led indicador de atividade no disco está “quase queimando”.
Neste caso, aparentemente, o sistema está enviando uma quantidade tremenda de dados da memória RAM para o HD (ou SSD).
Culpar o swap pela situação, é uma maneira inadequada de abordar o problema.
Se o swapping realmente atingiu este extremo, o fato é que a memória física está prestes a se esgotar — e o swapping é justamente quem está evitando o travamento do sistema ou evitando que este saia “matando” processos a esmo, para conseguir se manter em pé.
Sem o swapping, numa situação como esta, processos irão colidir e morrer (crash n’ die).
Neste caso, o que se tem é um sintoma de problemas mais profundos.
Se o seu computador tivesse memória suficiente, para a execução de todas as suas tarefas, o espaço de troca (swap) serviria apenas para garantir que a memória fosse usada de forma eficiente.
Remover o swap ou restringir arbitrariamente seu uso não vai mudar o fato de que você tem um hardware com pouca memória física para executar suas aplicações.

Quase tudo do que se fala do swap e cache, aqui, vale para qualquer sistema operacional atual. Não se restringe ao Linux, portanto.

O Linux é um sistema operacional extremamente amadurecido e testado em condições das mais adversas (nos computadores mais exigidos do mundo, inclusive).
Acredite, o algoritmo que cuida da gestão da memória, escolhendo os dados menos usados para “swapear” pro disco, é muito eficiente — e a grande maioria dos usuários jamais irá precisar alterar suas variáveis e seus parâmetros de trabalho.
Em um sistema desktop, pouco usado, há uma situação bastante conhecida em que o usuário chega, após algum tempo em que a máquina estava sem uso, e tem que esperar alguns segundos (que parecem horas) até que se torne disponível novamente.
Esta demora é resultante do trabalho de mover de volta (do disco para a memória RAM) os processos que estavam ociosos.
Isto é comum quando deixamos a máquina ligada durante a noite, realizando alguma tarefa, como downloads, checagem antivírus, backup etc., enquanto dormimos.
De manhã, o sistema não tem como prever que você vai querer usar o navegador, que ficou inativo durante horas. Portanto, você terá que esperar um pouco.
Este é um dos pontos “chatos” de deixar o swap habilitado e por conta do sistema. Se você desabilitá-lo, esta lentidão, após o backup (por exemplo), não irá mais ocorrer. Em compensação, o sistema irá rodar um pouco mais lento, durante o uso diário — na medida em que haverá menos espaço para cache.
Outro fator a ser considerado, é a perda da proteção no caso de faltar memória física para suas aplicações — neste caso, o sistema vai arriar.

A maneira mais eficiente, em termos de custos, de resolver lentidão associada ao uso do swap pelo sistema, é aumentar sua memória física.
Se isto não for possível, avalie trocar suas aplicações por outras mais leves.
Desabilitar ou restringir o uso do swap é uma das soluções menos eficazes — uma vez que ele é apenas um mecanismo do sistema, usado para lidar com situações em que a memória física se tornou escassa.

Em sistemas com grande quantidade de memória RAM, o swap pode ser desabilitado com segurança?

Nos dias atuais (veja a data do post), 8 Gb de memória RAM é uma grande quantidade de memória — se estivermos falando de uma distro Linux comum, para uso genérico.
Neste cenário, raramente o usuário irá chegar ao ponto de precisar de swap.
Ainda assim, é desnecessário desativar o swap — lembre que ele tem outras utilidades.
Tampouco há necessidade de ajustar o swappiness — o sistema “sabe” que há bastante espaço na memória RAM para as aplicações e para o cache e nunca irá tomar a decisão de usar o swap.
Se, ainda assim, você quiser desabilitar o swap e reduzir o swappiness, o sistema continuará funcionando bem. Simplesmente não fará diferença.
Nos raros casos em que o sistema precisar lançar mão do swap, vai ser bom tê-lo à disposição.
Deixar os valores padrão, portanto, é a opção pela segurança e pela eficiência — tendo ou não uma grande quantidade de memória.

Como o swap atua para tornar o meu sistema mais rápido?

A transferência de dados entre a memória física e o swap (em HD ou SSD) é uma operação lenta.
Porém, é uma atitude que o kernel só toma quando tem certeza de que os benefícios superam seus custos.
Um exemplo disto é quando a aplicação ativa no seu sistema cresceu no uso da memória a ponto de não deixar mais espaço livre para o cache — ocasionando uma perda sensível na eficiência da transferência de dados.
Neste caso, há benefícios em mover porções inativas ou pouco usadas da memória para o swap, liberando alguma quantidade de memória suficiente para agilizar o fluxo de dados do cache.
Algumas aplicações podem também precisar de uma grande quantidade de dados na hora de iniciar. A pressão por recursos é aliviada logo após seu completo carregamento.
Se o seu sistema já estiver sobrecarregado, de antemão, o swap pode evitar um crash, durante este processo.

Conclusão

Não faça deste caso, um dilema Tostines.
Não é o swap que torna o seu sistema mais lento. É o contrário.
É por estar muito lento, que seu sistema faz uso deste recurso.

As pessoas associam a lentidão do sistema ao uso do swap, por que seu uso acontece quando o sistema está perto da inanição por recursos de memória.
O swap, antes de estar atrapalhando a sua vida, pode estar salvando o seu dia de trabalho.
Se ele está “salvando demais” o seu dia, em vez de fazer dele um vilão suas ações precisam ter como alvo o problema certo — a falta de recursos para rodar as aplicações atuais. Ou muda as aplicações, ou aumenta os recursos.

Referências

Como verificar a memória swap no Linux.
Como criar um arquivo swap no Ubuntu.
Perguntas e respostas sobre o swap.
http://askubuntu.com/questions/184217/why-most-people-recommend-to-reduce-swappiness-to-10-20