A maneira mais rápida de checar a saúde dos discos no Linux é esta.

Se o HD está fazendo barulhos estranhos (como estalos), você provavelmente está em maus lençóis.
O GNOME tem um aplicativo de gestão de dispositivos de armazenamento, que permite realizar diversas operações em pendrives, HDs, SSDs etc.

Neste post rápido, vou mostrar como obter dados básicos e rápidos a partir do Gerenciador de discos padrão, presente no Debian 10 e Ubuntu 18.04.

Encontre o aplicativo de gestão de dispositivos de armazenamento — Sim. Ele serve para pendrive, cartão de memória, SSD etc também.

Para chegar lá, acesse o Dash (use a tecla Super) e digite “disco”.
Ubuntu dash discos

Dentro do app de gestão de discos, selecione — à esquerda do painel — o dispositivo de armazenamento que você deseja diagnosticar — e a esta altura o diagnóstico já ocorreu e está sendo exibido na tela do painel, em Avaliação.
Disco rígido OK no Ubuntu

A mesma tela contém outras informações sobre o dispositivo de armazenamento selecionado, tais como Temperatura, tipo de sistema de arquivos etc.

Se você tiver algum problema no disco rígido, como setores defeituosos, ele será exibido na “Avaliação”.
Se, ainda, quiser realizar testes mais extensos e, eventualmente, corrigir problemas relacionados aos dispositivos, use o fsck.

Recupere o seu sistema de arquivos com o TestDisk

O TestDisk é uma ferramenta poderosa e útil para recuperar dados de dispositivos de armazenamento, como HDs, SSDs, pendrives, cartões de memória etc.
Originalmente, foi projetado para recuperar partições perdidas, danificadas e/ou fazer discos, que não estão dando boot mais, voltar a dar boot — quando estes sintomas forem causados por softwares defeituosos, vírus ou remoção acidental da tabela de partições.
A tarefa de recuperar tabelas de partições é relativamente fácil com o TestDisk.
testdisk logo
Neste texto, vou apresentar o aplicativo, mostrar como ele pode ser instalado e dar algumas dicas iniciais para o processo de recuperação dos dados.

O que dá pra fazer com o TestDisk

Dentre as tarefas possíveis com o aplicativo, a wiki oficial (link no final do texto) cita as seguintes:

  • Concertar a tabela de partições e recuperar partições removidas acidentalmente
  • Recuperar o setor de boot de uma partição FAT32 a partir do seu backup
  • Reconstruir setores de inicialização (boot sectors) de partições FAT12/FAT16/FAT32
  • Consertar tabelas FAT
  • Rebuild NTFS boot sector
  • Recover NTFS boot sector from its backup
  • Corrige o MFT, usando o MFT mirror
  • Localiza o Backup SuperBlock dos sistemas de arquivos ext2, ext3 e ext4
  • Recupera arquivos apagados da FAT, da exFAT, partições NTFS e ext2
  • Copia arquivos apagados a partir de sistemas FAT, exFAT, NTFS, ext2, ext3 e ext4

O utilitário tem recursos voltados para usuários novatos e avançados.
Se você tem pouco conhecimento sobre técnicas de recuperação de dados, pode usar o TestDisk apenas para coletar informações detalhadas sobre um dispositivo que não está inicializando e enviá-las para a análise de um técnico.
Sistemas operacionais suportados pelo TestDisk:

  • DOS
  • Windows (NT4, 2000, XP, 2003, Vista, 2008, Windows 7 (x86 & x64), Windows 10
  • Linux
  • FreeBSD, NetBSD, OpenBSD
  • SunOS
  • MacOS X

Ao final do texto, segue o link para download do aplicativo para a sua plataforma preferida.
Neste artigo, vou focalizar o uso do TestDisk no Linux (Debian 8.2, para ser mais preciso) — você pode facilmente adequar os conceitos explicados aqui a outra distribuição GNU/Linux ou plataforma de sistema operacional.

Sistemas de arquivos suportados

De acordo com a wiki, o TestDisk suporta os seguintes sistemas de arquivos:

  • BeFS ( BeOS )
  • BSD disklabel ( FreeBSD/OpenBSD/NetBSD )
  • CramFS, Compressed File System
  • DOS/Windows FAT12, FAT16 and FAT32
  • XBox FATX
  • Windows exFAT
  • HFS, HFS+ and HFSX, Hierarchical File System
  • JFS, IBM’s Journaled File System
  • Linux btrfs
  • Linux ext2, ext3 and ext4
  • Linux GFS2
  • Linux LUKS encrypted partition
  • Linux RAID md 0.9/1.0/1.1/1.2
  • RAID 1: mirroring
  • RAID 4: striped array with parity device
  • RAID 5: striped array with distributed parity information
  • RAID 6: striped array with distributed dual redundancy information
  • Linux Swap (versions 1 and 2)
  • LVM and LVM2, Linux Logical Volume Manager
  • Mac partition map
  • Novell Storage Services NSS
  • NTFS ( Windows NT/2000/XP/2003/Vista/2008/7 )
  • ReiserFS 3.5, 3.6 and 4
  • Sun Solaris i386 disklabel
  • Unix File System UFS and UFS2 (Sun/BSD/…)
  • XFS, SGI’s Journaled File System
  • Wii WBFS
  • Sun ZFS

Como instalar o TestDisk

Em distribuições baseadas no Debian, como é o caso do Ubuntu, Linux Mint e várias outras, é possível baixar e instalar diretamente dos repositórios oficiais, com o comando apt-get:

sudo apt-get install testdisk

se você prefere usar o aptitude (ideal, no Debian):

sudo aptitude install testdisk

Para executar o aplicativo, rode o comando testdisk no terminal.
Captura de tela do testdisk
A versão, que você vê na imagem acima, é a versão em modo texto.
Você também pode encontrar o TestDisk dentro de várias distribuições Live CD — ideal para suporte técnico ou no caso de você ter perdido acesso ao seu sistema por causa de problemas no disco rígido.
Como usar:

  • Para fazer uso do aplicativo, use as setas (no teclado), para se movimentar entre as opções do menu.
  • Para prosseguir e confirmar suas opções, use a tecla Enter.
  • Você pode usar a tecla ‘q’ (quit) para voltar às opções anteriores.
  • Para gravar as mudanças, use a tecla ‘y’ (yes) e Enter, para confirmar.
  • A opção ‘Write” é usada para registrar as mudanças na MBR (Master Boot Record).

Por fim, é necessário ter privilégios administrativos (superusuário) para usar a maior parte dos recursos do programa.

Alguns detalhes que você precisa entender

Antes de começar a trabalhar na recuperação do seu sistema de arquivos, é preciso entender que não há garantias de que você irá recuperar coisa alguma depois de um acidente ou desastre.
Suas chances de recuperar dados importantes são aleatórias — boa sorte!
Prepare-se psicologicamente para o pior.
Por mais que eu queira simplificar esta tarefa, a recuperação de dados é algo complexo e você pode facilmente causar mais danos ao sistema, piorando ainda mais a situação.

Se as informações são muito importantes para você, pergunte-se se não vale mais a pena pagar a um especialista para realizar os procedimentos necessários para a recuperação.

Não raro, a tarefa exige destreza no uso da linha de comando, conhecimento sobre partições, geometria de discos rígidos, compilações e, possivelmente, entender o conteúdo de arquivos a partir de um hex editor.
É muito importante não fazer nada, antes de ter certeza do que você está fazendo.

Referências

Como recuperar seu sistema de arquivos com o FSCK: https://elias.praciano.com/2014/03/como-verificar-e-consertar-seu-sistema-de-arquivos-no-ubuntu/
Download do TestDisk: http://www.cgsecurity.org/wiki/TestDisk_Download
Wiki do TestDisk, no CGISecurity: http://www.cgsecurity.org/wiki/TestDisk
Dedoimedo: http://www.dedoimedo.com/computers/linux-data-recovery.html

Como verificar e consertar seu sistema de arquivos no Ubuntu

O sistema de arquivos do seu HD pode ter problemas, pelas mais variadas razões. Este artigo é sobre como checar e, se houver erros, corrigi-los, com o comando fsck.
Uma situação típica, em que podem ocorrer, não somente perda de dados, mas danos ao seu sistema de arquivos é a situação de falta de energia.
Você reinicia o sistema e ele pára, pedindo para que você faça o reparo manualmente do seu sistema de arquivos.

Como usar o fsck para reparar o sistema de arquivos

O fsck (file system consistency check — verificação da consistência do sistema de arquivos) é um programa usada para encontrar erros no sistema de arquivos e corrigi-los.
Enquanto ferramenta de manutenção da integridade dos seus dados, é bom usá-la com frequência – especialmente em caso de o seu sistema ser desligado de forma irregular.
Para usar o fsck, em um ambiente seguro, tal como vou descrever aqui, você precisará ter privilégios administrativos.
O comando pode ser executado, como root, sozinho:

fsck

Nestas condições, ele irá perscrutar todas as partições descritas em /etc/fstab.
O modo certo de usar o fsck, contudo, é no Runlevel 1, o modo monousuário. Neste runlevel, o seu PC pode se tornar indisponível para o ambiente gráfico – é o equivalente ao modo de segurança no Windows.
Para reiniciar o sistema no runlevel 1, execute o seguinte comando:

init 1

em, seguida, desmonte a partição em que o fsck será executado.
Se quiser obter uma lista das partições que se encontram montadas e onde estão montadas no seu sistema, use o comando:

cat /etc/mtab

ou para saber exatamente onde está montada a sua partição /home:

cat /etc/mtab | grep home
/dev/sda3 /home ext3 rw 0 0

(vou usar a partição /dev/sda3, neste exemplo):

umount /dev/sda3

ou pelo seu nome:

umount /home

Agora execute o fsck:

fsck /dev/sda3

Se preferir não ter que responder a todas as perguntas feitas pelo fsck, use o modo -y. Assim, o fsck executará a verificação e aplicará as correções necessárias, sem te importunar com questões técnicas:

fsck -y /dev/sda3

Se houver arquivos danificados e estes forem recuperados pelo fsck, ele os guardará no diretório /home/lost+found
Ao terminar o processo, você pode reiniciar o computador ou apenas montar de volta a partição desmontada:

mount /home

E volte ao runlevel multiusuário:

init 2

Simples, assim.

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