Use o exiftool para descobrir como você fotografa

O exiftool é uma ferramenta CLI voltada para a obtenção de informações EXIF ou meta tags de arquivos diversos.
Se você usa MacOS ou Windows, baixe sua cópia do programa no site oficial (link ao final do artigo).

Se você usa Linux (que nem eu!), ele provavelmente já estará instalado aí, com suporte a aproximadamente 200 tipos de arquivos.

Neste universo de possibilidades, a ferramenta suporta a leitura de dados contidos em arquivos de imagens JPEG, bem como, em arquivos RAW de vários fabricantes.

O próprio Flickr usa o exiftools para manipular e analisar as informações das imagens de suas comunidades.

Neste post, vou mostrar como usar o programa para obter informações, de dentro dos arquivos. Vou, ainda, mostrar como associar o utilitário aos comandos grep e find, para refinar a sua busca e obter apenas resultados relevantes para o seu contexto.

Se você já tem dezenas de milhares de fotos e já usou várias lentes para produzir suas imagens, com estas ferramentas é possível montar algumas estatísticas sobre os seus hábitos ao fotografar.

Este tipo de informação pode ser muito útil para quem pensa em comprar uma nova lente, mas se encontra em dúvida sobre se o investimento irá ser realmente útil ou não.

Em outras palavras, faz sentido conhecer a distância focal que você prefere usar — mesmo nas lentes de zoom — antes de começar a analisar as opções disponíveis nas lojas.

Por exemplo, se você já se encontra há um ano usando uma das lentes que costuma vir com os kits de câmera e está pensando em qual poderia ser a próxima aquisição, seria muito interessante saber como você prefere trabalhar antes de tirar a carteira do bolso.

As lentes do kit costumam ser lentes de zoom, com distâncias focais variando entre 18-55mm, 55-250mm ou 75-300mmm (pelo menos, no caso da Canon).
Dentro da distância focal da lente do seu kit, você deve estar usando uma ou outra com predominância.

Isto quer dizer que, se você costuma fotografar frequentemente a aproximadamente 40mm, esta poderia ser a lente prime a ser sondada, na próxima compra.

As ferramentas descritas neste texto já foram abordadas com maior profundidade em outros posts, caso você queira saber um pouco mais sobre cada uma delas:

  1. O comando grep
  2. O comando find
  3. O comando exiftool

Execute o exiftool diretamente no arquivo

A ferramenta pode ser simplesmente aplicada a um ou vários arquivos de um diretório:


exiftool minhasfotos/img_2365.cr2

Para analisar todas os arquivos do diretório (ou da pasta), use-a assim:


exiftool minhasfotos/*.cr2

Altere os meus exemplos à sua realidade, aí.
Este segundo comando pode ser modificado para mostrar resultados mais específicos.
Veja como obter os valores das aberturas (aperture) usadas nas fotografias desta mesma pasta:


exiftool minhasfotos/*.cr2 | grep "Aperture" 

Note que os arquivos .cr2 correspondem aos “arquivos crus” das câmeras Canon. Se você tem arquivos com extensões diferentes, adeque o comando ao seu caso.
A tag (ou etiqueta) “Aperture” também pode variar em função das preferências do fabricante.
Se você fotografa sempre em JPEG, estas informações também estarão lá.
Fique atento.
Decida qual a meta tag mais importante para você e faça a sua busca.

O comando find pode ser usado para serviço mais pesado. No exemplo que segue, todas as pastas serão vasculhadas, recursivamente, a partir do diretório atual.

Neste caso, o resultado pode demorar bastante — vai depender da quantidade de imagens que você tem aí.
No meu caso, são milhares de imagens, dentro do diretório ‘Imagens’, espalhadas em vários subdiretórios. Decidi por todas as referências a abertura (Aperture) em um arquivo aberturas.txt — para verificar posteriormente, em separado. Ficou assim:


find ./ -name '*.cr2' -exec /usr/bin/exiftool {} \; | grep "Aperture" > aberturas.txt

O arquivo ficou com aproximadamente 8 mil linhas, embora sejam apenas 1564 arquivos de imagens RAW — mas a palavra “aperture” aparece, em média, mais de 4 vezes no resultado do exiftool de cada um.

Para saber quantas vezes usei a abertura 1.8, posso recorrer novamente ao grep:


cat aberturas.txt | grep "Aperture                        : 1.8"| wc -l

456

Este resultado mostra que o valor é usado em quase 1/3 das fotos.

Como descobrir a distância focal favorita nas suas fotos

Este é um dado bastante interessante, para quem pretende comprar uma lente nova — principalmente se for uma fixa (ou prime).
Saber qual a distância focal (ou focal length) que você mais usa nas suas sessões, pode ajudar determinar qual lente seria mais útil para você.
Para encontrar o meu resultado, novamente usei aqueles 3 comandos:


find ./ -name '*.cr2' -exec /usr/bin/exiftool {} \; | grep "Focal Length                    :" > distfocal.txt

No meu caso, o campo “Focal Length” se repete para cada foto em uma linha em que é dada uma distância focal equivalente. Para excluir esta redundãncia, acrescentei um “grep -v” ao final da linha de comando:


find ./ -name '*.cr2' -exec /usr/bin/exiftool {} \; | grep "Focal Length                    :" | grep -v "equivalent" > distfocal.txt

Desta forma, consigo obter um arquivo distfocal.txt com exatamente 1564 linhas — número igual ao de arquivos de imagens RAW .cr2.

Uso muito a lente do kit 75-300mm, e creio que seria interessante saber, exatamente, qual a distância focal mais usada dentro destes limites.
Esta informação pode ajudar a determinar qual lente prime seria mais útil para o meu caso: 85mm, 100mm, 135mm etc.

Conclusão

Por um lado, acredito que 1564 fotos pode ser um número muito pequeno para ser analisado, com o objetivo de determinar qual a sua distância focal favorita.
Isto varia de pessoa para pessoa.
Neste momento, acho os meus dados insuficientes para determinar “a minha maneira favorita” de fotografar.

Levar os dados obtidos para dentro de uma planilha é uma alternativa mais eficiente para obter informações sobre a maneira como você usa seu equipamento.

Eu prefiro sair para uma sessão de fotos, com apenas uma lente de zoom e brincar bastante.
Ao voltar, transfiro minhas imagens para o computador. Em seguida, rodo o exiftool, combinado com o grep, na pasta das fotos e observo as minhas estatísticas.

Me conte se você já descobriu qual a sua maneira favorita de fotografar e qual a sua lente ou distância focal preferida 😉

Link para o site oficial de downloads e documentação: https://sno.phy.queensu.ca/~phil/exiftool/.

Leia também meus outros artigos sobre o exiftool.

Transforme rapidamente o Ubuntu 18.04 em uma estúdio de edição de imagens.

Os repositórios (ou a lojinha) de aplicativos do sistema operacional da Canonical, Ubuntu, estão repletos de ferramentas de edição e manipulação de fotos e imagens.
Se deixei algo importante de fora, neste artigo, use a sessão de comentários para dizer o que você que precisa ter na sua estação de trabalho.

Comece por abrir a loja de aplicativos do Ubuntu, e vamos começar a aventura.
instalar software no ubuntu

RawTherapee

Com um visual assemelhado ao do Lightroom da Adobe, o RawTherapee é uma ferramenta poderosa para editar imagens de diversos tipos e formatos.
O principal, contudo, é que ela trabalha com as imagens em formato “cru” ou raw de diversos fabricantes de câmeras.
ubuntu instalar rawtherapee

Não deixe de ler os meus artigos sobre o RawTherapee.

Darktable

Para trabalhar com arquivos raw, eu sempre instalo os dois: RawTherapee e o Darktable. Tenho uma leve preferência pelo segundo (por que ele me parece mais rápido para carregar), mas acho o RawTherapee mais completo para alguns tipos de edição.
Novamente, use os comentários para dar a sua opinião (se tiver alguma) sobre as suas preferências em termos de softwares.
darktable ubuntu instalar

Note que é possível aparecer mais de uma versão do Darktable como sugestão de instalação.
Alguns são snaps — que variam de versões estáveis à versões beta. Convém verificar cuidadosamente qual a versão que você deseja instalar.
Eu optei pela última da lista, com 5 estrelas, de acordo com as informações realçadas pelas setas, nas imagens abaixo.

tela de instalação do Darktable para Ubuntu
Clique para ver mais detalhes.

Detalhes da versão do Darktable
Detalhes da versão do Darktable

Não deixe de ler os meus artigos sobre o darktable.

GIMP

Depois que termino de fazer ajustes básicos nas fotografias, é muito comum ir para o GIMP para fazer mais algumas edições.
Atualmente, o Ubuntu permite instalar a versão mais atual do GIMP (2.10.0, à época deste post) via snap. Mas a versão padrão ainda é a 2.8.x
Fica para você a decisão sobre isso.

Não deixe de dar uma olhada nos meus posts sobre o GIMP.

Shotwell

O Shotwell é um programa de visualização de imagens, com benefícios.
Entre os recursos adicionais, gosto (e uso) muito de:

  1. A possibilidade de baixar diretamente da câmera ou do cartão de memória as minhas fotos e organizá-las em diretórios.
  2. Poder ver as imagens em raw — ele ainda extrai o JPEG embutido nas imagens cruas, o que torna a visualização ainda mais ágil.
  3. E, sim, o Shotwell também permite fazer edições nas imagens raw.

O aplicativo ainda permite compartilhar suas imagens direto nas redes sociais, logo após a edição.
Para mim, este é essencial.

Também tenho alguns textos sobre o Shotwell.

Hugin para fazer panorama

Criar imagens panorâmicas ou em 360 graus, pede um programa poderoso como o Hugin.
Algumas câmeras e smartphones possuem este recurso, outras não.
hugin instalação
Quando quero um trabalho melhor, com mais qualidade, sei que o Hugin pode se beneficiar de um processador bem mais poderoso no laptop, para criar imagens incríveis.

Escrevi sobre ele aqui.

Polarr em todo lugar

instalar polarr

Eu já usava o Polarr Photo Editor no celular e, mais recentemente, descobri que ele pode ser instalado no Ubuntu (via snap).
É ótimo para fazer retoques nas suas imagens também.
Vale, pelo menos, experimentar. E leia mais sobre o Polarr, aqui.

Entangle para tethering

Se você quer transformar seu PC ou laptop em uma Workstation adaptada para fotografar através da sua câmera profissional, experimente instalar o Entangle.

Eu escrevi sobre a minha experiência com o Entangle através da Canon EOS Rebel T6 e sobre este método de fotografia. Confira os links!

Conclusão

Se você usar o recurso de busca (Ctrl + F) na loja de aplicativos do Ubuntu, vai descobrir que muita coisa ficou de fora.
Este texto cobre apenas o básico, que atende a todos, de maneira genérica.

Escrevi um pouco mais sobre como transformar o Ubuntu em uma estação de edição de imagens digitais neste post, com dicas voltadas para a linha de comando.