10 Dicas para migrar do Windows para Linux

Fazer a sua mudança para Linux não precisa ser traumático. Neste texto vou tentar ajudar a tornar este processo mais fácil e (porque não?) prazeroso.
Sabemos que sair da zona de conforto é… desconfortável.
Se você é usuário do Windows e está aqui (me dando a honra da sua atenção), imagino que já esteja se sentindo desconfortável com o seu sistema operacional, por uma série de motivos.
O Linux não tem tudo o que há no Windows — assim como o Windows não tem tudo o que se encontra no Linux.
Haverá perdas nesta mudança.
Faz-se a mudança, contudo, por que certos pontos acabam por ser mais importantes do que outros: segurança, eficiência, rapidez etc.
Neste post, vou dar algumas dicas sobre como percorrer melhor este caminho e evitar algumas situações desanimadoras.

Não dê atenção a certos preconceitos ou tabus

Alguns fatos, preliminares, que derrubam 2 tabus em relação ao Linux:

  1. Linux não é difícil de instalar — nem demorado.
    Com uma boa conexão, é possível ter tudo funcionando em pouco mais de meia hora. E você anda pode usar o sistema operacional enquanto o instala.
  2. Embora o uso do terminal multiplique suas possibilidades, ele não é necessário para usar o sistema. Mas, quem quiser, pode aprender alguns bons truques para aplicar no console.

É possível fazer uma transição de Windows para Linux sem dor?

É preciso ter determinação e estar focado(a) no objetivo de completar a transição. Portanto, prepare-se para passar por algumas dificuldades durante o processo.

Fazer todos os seus dispositivos funcionarem ao fim do processo é uma das dificuldades.
Contudo, é um desafio que você pode encontrar ao instalar qualquer sistema operacional.

Previna-se de incidentes chatos, faça cópias de segurança de todos os seus arquivos, exporte os marcadores favoritos do seu navegador e guarde suas senhas em local seguro.
Isto te dará tranquilidade e segurança para experimentar e encontrar a melhor forma de instalar o Linux.
O Linux tem um sistema de arquivos muito mais eficiente, o ext4. Para fazer uso dele, será necessário formatar seu disco rígido.
Uma instalação decente do Linux (do Windows também), pede que a unidade de armazenamento seja particionada.
Mais adiante, vou falar mais sobre o particionamento do disco.

Como escolher o Linux

Não se escolhe uma distribuição Linux… escolhe-se um conjunto de softwares adequado ao seu trabalho.
O Ubuntu não é o único Linux que existe — ele mesmo se subdivide em várias outras opções, com o objetivo de atender melhor os usuários. Além do Ubuntu, há o Fedora, o OpenSuSE, o Red Hat etc.
Há distribuições Linux voltadas para máquinas com recursos limitados, computadores de escritório, netbooks, aplicações de multimídia, consultórios médicos etc.
Algumas pessoas vêem nesta amplitude de opções um problema, outras enxergam soluções mais adequadas.

Não dê espaço para “fanboys”

Há tantos fanáticos por Linux, quanto há por Windows.
Os do Linux se dividem por distribuições preferidas. O fato é que você precisa experimentar um bom tanto, antes de se decidir — e deve tomar a decisão baseado na sua própria experiência, não na dos outros.
A melhor distro Linux é aquela que atende melhor às suas necessidades e se adéqua melhor ao seu parque de hardware.
Há também os que que são chamados “xiitas” por defender mais fervorosamente os conceitos do software livre. Eu tenho um imenso respeito por este ideal, mas também entendo que usar um sistema 100% livre é para poucos.

Se não funcionou de primeira… passe para a próxima

É frustrante para um novo usuário, que ainda não conhece muito sobre o novo sistema, achar que tem tudo instalado e descobrir que sua impressora não funciona.
Se você não tem alguém por perto, com experiência suficiente para ajudar, descarte a distribuição que não funcionou 100% de cara e tente uma outra.
Com o tempo, você vai adquirindo a sua própria experiência para resolver estes problemas.

Se jogue no Linux

Como já foi dito acima, faça a transição de forma séria.
Procure os programas similares aos que você usava no Windows e se esforce seriamente a aprender a utilizá-los.
Os únicos programas iguais entre os sistemas são os navegadores e os clientes de email. Todos os outros precisarão de alguma dedicação e adaptação da sua parte.
Fazer uso de dual boot, emulação ou máquinas virtuais são opções para continuar usando programas cujos similares não existam no Linux — mas devem ser evitados por que te prendem no meio da travessia.
Aqui surge outro mito: o de que a versão do programa para Linux não tem todos os recursos que a versão para Windows.
O fato é que muitas pessoas falam sem conhecimento de causa. Algumas falam baseadas na opinião de terceiras — e o centro da minha argumentação aqui, é convencer você a experimentar e formar a sua própria opinião.

Fazer uso de dual boot, emulação ou máquinas virtuais são opções para continuar usando programas cujos similares não existam no Linux — mas devem ser evitados por que te prendem no meio da travessia.

Na hora de particionar, separe o /home

Falei sobre particionamento acima e vou explicar melhor o assunto aqui.
Já que vai aprender a instalar um novo sistema operacional, faça-o da maneira certa: particionando (dividindo/separando) o disco rígido. Eu sempre particiono o meu HD em 3:

  1. Uma partição para SWAP (o arquivo de troca)
  2. Uma partição (a maior) para /home, onde os arquivos dos usuários ficam
  3. Uma partição exclusiva pro sistema operacional e seus aplicativos

Isto ajuda sobremaneira a manter o seu sistema organizado, a prevenir acidentes e a melhorar o desempenho.
Pra quem está experimentando várias distros, este esquema permite manter todo o processo de instalar/desinstalar restrito àquela partição exclusiva para o sistema operacional — o que deixa a salvo a partição com os arquivos dos usuários.

O Ubuntu pode não ser a melhor opção… amplie o seu olhar para seus derivados oficiais

Se a sua máquina estava rodando o XP, é provável que ela não seja das mais avançadas. Neste caso, o Ubuntu, com todos os seus recursos, pode se tornar um tanto “pesado”.
As opções oficiais do Ubuntu, para máquinas com recursos de hardware limitados são:

  • Lubuntu
  • Xubuntu

Leia mais em Qual Ubuntu Escolher?
Ambas usam ambientes de desktop mais leves e mais rápidos.
Sim. Eu sei que os nomes são “engraçados”.

Aprenda a perguntar e a procurar respostas

Inscreva-se nos fóruns de usuários Linux — de preferência naqueles específicos da distribuição que você escolheu.
Antes de perguntar, pesquise dentro do fórum — todos já foram novatos ali e há uma grande probabilidade de já terem tido dúvidas semelhantes às suas.
Se você pesquisou e não encontrou a resposta no fórum, procure no Google.
Se a dúvida persistir, pergunte — seja objetivo, dê o máximo de informações possível sobre o problema e evite comentários negativos.
A melhor forma de agradecer pela solução de um problema é dar um retorno explicando o que foi feito para resolver — será útil a outros usuários novatos, inclusive.

Distros que você poderia experimentar

O site DistroWatch tem uma relação de distribuições Linux bem completa.
Através dele é possível buscar e relacionar distribuições Linux por características específicas:

  • Distribuições educacionais — compreende uma ampla gama de distribuições voltadas para o ambiente escolar e/ou educativo. Algumas são voltadas para estudantes, outras para a gestão do ambiente escolar.
    Nesta lista, eu destaco a Edubuntu, uma derivada do Ubuntu, voltada para a sala de aula e SkoleLinux ou Debian Edu voltada para todo o ambiente escolar/universitário, que envolve mais de 75 aplicativos que atendem da sala de aula à gestão da secretaria.
  • Multimídia — há distribuições voltadas para quem trabalha em estúdios de música, estúdios de criação gráfica, animação e renderizações complexas etc. Aqui, não se farão presentes os pacotes de escritório (planilhas, editores de texto etc), mas programas voltados para o objetivo da distro. Vale a pena fazer um passeio por aqui.
  • Distribuições Linux para desktops — envolvem todo o conjunto de softwares comuns aos ambientes de escritório, onde eu destaco o Fedora, Ubuntu, Linux Mint, Ultimate Edition, Xubuntu etc. São as distros mais difundidas.

Conclusão

Enfim, deixo o conselho para, se possível, separar uma máquina para fazer as experiências. Baixar várias distros, testá-las exaustivamente, planejar a migração, consultar pessoas mais experientes no assunto, perder o medo do novo e… seguir em frente.

Publicado por

Elias Praciano

Autor de tecnologia (livre, de preferência), desenvolvedor web e geek, nos mais diversos assuntos. Entusiasta de software livre e hacker de LEGO, acredito em repassar meu conhecimento e ajudar as pessoas sempre que for possível.

2 comentários sobre “10 Dicas para migrar do Windows para Linux”

  1. Prezado Elias. Boa tarde!
    Primeiro, meus parabéns, de novo, pelo seu blog. Gosto muito de tudo o que encontro por aqui e tem me ajudado bastante.
    Tenho uma vontade muito grande de usar exclusivamente o Linux, em qualquer uma de suas versões, e já experimentei, Ubuntu (várias edições), Kubuntu, Lubuntu, Xubuntu e Fedora.
    Porém, meu maior problema tem sido o fato de que a empresa onde trabalho utiliza todos os seus programas criados para rodarem no ambiente Windows, além de ferramentas a serem utilizadas em trabalhos externos, que sempre são baseadas em Office, notadamente o Access. Trata-se de empresa pública, onde uma mudança de cultura demanda muito tempo, envolvimento pessoal, etc., e eu não trabalho na área de TI, portanto, minha contribuição para essa mudança é inexpressiva.
    Minha pergunta é: Você conhece um meio de contornar estas dificuldades? Porque eu já experimentei emular o windows e o office, mas não é o suficiente. Já experimentei tudo o que pude encontrar de dicas do Wine, inclusive aquelas encontradas no próprio site deles (https://www.winehq.org/), mas não resolvem de fato o problema. Todas as páginas criadas para windows, ou não rodam ou rodam com uma “diagramação” de página toda bagunçada. E as ferramentas criadas para o Access não abrem no Wine e nem funcionam no LibreOffice – Base.
    Existe um meio de corrigir isso e, de fato, poder migrar totalmente para Linux?

    1. A situação relatada merece outro artigo, não é?
      É uma situação comum. Passei minha vida profissional toda tendo que brigar para usar Linux (até mesmo no meu computador pessoal).
      Não é por acaso, que tudo isto acontece. A dependência tecnológica é deliberada, planejada e executada com a ajuda dos gestores públicos (e privados).
      A resposta à sua pergunta é “você não pode migrar para Linux, no seu trabalho, aparentemente”.
      Já, desde que você não leve trabalho para casa, pode usar o que quiser lá à vontade.

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