Distribuições Linux para a educação.

Educação e entretenimento infantil são assuntos a abordar com algum cuidado, sempre.
Este texto não tem a intenção de contradizer pedagogos, psicólogos e outros profissionais da seara educacional, quando são categóricos em manter crianças longe de computadores e mais próximas de bicicletas, Lego, livros infantis e, obviamente, de outras crianças.
Tá tudo bem, por mim.
Enfim, se você pensa diferente, acredita que pode haver um equilíbrio saudável e que há benefícios em começar a lidar com computadores mais cedo, este artigo é pra você.

Por que as crianças devem aprender a usar o Linux?

Um sistema operacional (o que inclui os aplicativos de trabalho) voltado para adultos dificilmente será útil para uma criança.
Também sabemos que deixar uma criança em frente a uma máquina conectada à Internet, sem qualquer supervisão ou segurança adicional, também não é o cenário ideal.
No que tange os jogos, são preferíveis aqueles voltados às necessidades do público infantojuvenil e que tenham características que permita desenvolver habilidades importantes (e não apenas o reflexo).
Se o quesito for o de oferecer uma ampla gama de possibilidades de exploração em um ambiente seguro, o Linux já será a opção mais certa.
Aprender a usar um sistema operacional diferente do que as outras crianças por aí estão usando também é um ponto a favor do Linux, para pais que desejam oferecer uma vantagem competitiva aos filhos no mundo tecnológico.

  • O Linux está presente nas estações espaciais internacionais.
  • É usado nos computadores de bordo de alguns carros, como Tesla, Cadillac e Toyota.
  • O Linux está presente nos sistemas de controle de tráfego aéreo.
  • Facebook, Twitter e Google usam o Linux.
  • 9 de cada 10 supercomputadores no mundo usam Linux. Em Janeiro de 2014, os 44 no topo da lista de 500 computadores mais poderosos do mundo usavam Linux. Ou seja, entre os 100 maiores sistemas computacionais do mundo, a presença do Linux chega a 99,9%.
  • O sistema operacional Android é baseado no Linux.

Diante disto, é mais do que racional apresentar o Linux às crianças — quanto mais cedo aprenderem mais vantajosa será a experiência.
Se isto já te convenceu a seguir em frente, podemos passar ao próximo questionamento.

Qual distribuição Linux é a mais apropriada para o público infantil?

O Linux atende a diversos setores e a diversas necessidades de seus usuários. Há distribuições voltadas ao uso de aplicações científicas, outras voltadas à aplicações multimídia etc.
Há muitas distribuições voltadas às necessidades educacionais. Neste texto, vou destacar 4.
Se gostaria de ressaltar as qualidades de alguma outra distro, que seja do seu conhecimento, use a sessão de comentários, logo abaixo.

Sugar

Esta distro foi projetada para o programa OLPC – One Laptop Per Child. Tem as características de ser fácil e amigável para crianças — tudo o que é feito é gravado automaticamente, incentivando o foco na atividade.
Mesmo aquelas que ainda não foram alfabetizadas se sentirão instigadas a explorar o ambiente e rapidamente entenderão seu funcionamento.
Palavras da Sugar Labs:

(…) é um ambiente desktop alternativo aos tipicamente usados (…) É concebido como uma plataforma na qual crianças aprendam através de atividades “Sugar”.

A plataforma provê mecanismos para colaboração, reflexão e exploração. As atividades cobrem uma ampla gama de aplicações de navegação na Internet, desenho, composição, escrita, programação etc.

Capturas de tela do sistema, podem ser vistas na página principal do projeto: http://www.sugarlabs.org/index.php.

Ubermix

Este já é bastante usado em algumas escolas e tem vários aplicativos.
A distribuição já vem com uma série de aplicativos educacionais pré-instalados. Aí se incluem outras voltadas para produtividade, design, programação, navegação na internet e criação multimídia.
Entre os programas orientados à área educacional, citam-se:

  1. Celestia — um simulador do espaço que te permite navegar por mais de 1000 sistemas solares, em nossa galáxia
  2. Stellarium — um planetário 3D bem realístico
  3. O microscópio virtual
  4. Scratch — uma ferramenta visual de programação

Conheça mais no site do projeto: http://ubermix.org/about.html.

Edubuntu

Está é provavelmente uma das distro educacionais mais conhecidas. Desenvolvida, tal como as outras, em colaboração com especialistas em educação e professores.
O Edubuntu incorpora uma variedade de programas educacionais e um confortável ambiente de aprendizado.
Tem o suporte da uma grande empresa, a Canonical e, quem usa o Ubuntu, pode converter sua distribuição original para Edubuntu com alguns comandos simples, ou instalar todos os pacotes da versão educacional.
Site do projeto: http://www.edubuntu.org/.

Skolelinux

Também chamada de Debian Edu, trata-se da solução mais completa, por englobar não somente os softwares educativos para crianças e estudantes das mais diversas idades e necessidades — mas também uma grande coletânea de aplicativos voltados para a administração do ambiente escolar ou acadêmico.
Conta com toda a estrutura do Debian, enquanto distribuição e permite uma total integração entre todos os equipamentos ligados à rede.
Página oficial do projeto: http://www.skolelinux.org/.
Há um artigo, neste site, com uma análise do Skolelinux.

Outros projetos educativos envolvendo o Linux

É profundamente injusto dizer que a ramificação educativa do GNU/Linux se restringe a estas quatro distribuições citadas.
Se você fizer uma busca no Distrowatch, pelo termo “Education“, terá uma relação de pelo menos 20 distros.
Grandes distribuições Linux, como o openSUSE e o Fedora tem seus projetos de coletânea prontas de softwares educativos.
Se você domina o inglês, veja os sites de cada uma, abaixo:

  1. Fedora Education SIG: https://fedoraproject.org/wiki/SIGs/Education.
  2. openSUSE Portal: Education: https://en.opensuse.org/Education.

Considerações finais

Decisões concernentes ao ambiente educacional, naturalmente são decisões políticas. É preciso que se diga que o Software livre é sempre a opção natural dentro deste ambiente, de acordo com suas definições que permitem que ele seja livremente estudado, modificado e redistribuído, sem qualquer restrição.
Não é natural (nem admissível, na minha opinião) o uso de software proprietário, que impõe barreiras para que os estudantes o “abram” para aprender como ele funciona, modificá-lo e redistribuí-lo.
Ao impedir que o conhecimento adquirido seja usado livremente em benefício de outros ou de si mesmo, inclusive para ganhar dinheiro, estamos negando os propósitos educacionais.

Publicado por

Elias Praciano

Autor de tecnologia (livre, de preferência), desenvolvedor web e geek, nos mais diversos assuntos. Entusiasta de software livre e hacker de LEGO, acredito em repassar meu conhecimento e ajudar as pessoas sempre que for possível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *