Configurações básicas do xterm

Um dos emuladores de terminal mais comuns e tradicionais, presente nos mais diversos ambientes gráficos é o xterm.
Ele não é muito usado, uma vez que cada window manager ou desktop environment costuma oferecer o seu próprio padrão.
Se você usa um sistema com o GNOME instalado, o padrão é o GNOME-terminal.
Já para usuários do KDE, o padrão será o Konsole.
xterm on gnome shell dash
Embora o xterm não seja “tão fácil” (dependendo do ponto de vista) de personalizar, como os outros emuladores de terminal citados, ele também tem uma boa quantidade de possibilidades de personalização.
Os ajustes do xterm, contudo, não são feitos através de menus e painéis gráficos — mas na linha de comando e em um arquivo de configuração.

Exemplos de uso do aplicativo xterm

xterm borders adjust
Como você pode observar, na imagem acima, entre os vários ajustes visuais que podem ser feitos, a margem entre o início da área do texto e a borda externa do aplicativo — pode ser realizado com a opção ‘-b’. Veja um exemplo do comando:

xterm -b 50

Este comando irá definir uma margem interna de 50 pixels. Você conferir o resultado na imagem abaixo, com o xterm rodando no KDE, com tema escuro.
xterm and dmesg
O tamanho da janela pode ser definido por parâmetros fixos, como o ‘-fullscreen’ ou ‘-maximize’.
O primeiro amplia a janela do emulador de terminal para ocupar completamente toda a tela — suprimindo as bordas, o título e qualquer outra decoração.
Já, o segundo, apenas maximiza a janela do aplicativo, respeitando as decorações.
No exemplo abaixo, o xterm é aplicado em tela cheia, com borda interna de 70 pixels e cursor na cor cyan:

xterm -b 70 -fullscreen -cr cyan

Você pode usar o parâmetro ‘-geometry’ para definir valores específicos (em caracteres) para o tamanho da sua janela xterm.
Para obter uma janela com capacidade de exibir 150 caracteres na horizontal e 10 na vertical, use comando conforme o exemplo abaixo.
Para acrescentar, inclui a execução do comando dmesg, para acompanhar eventos do kernel do sistema:

xterm -geometry 150x10 -e dmesg --follow

Após a opção ‘-e’ você pode mandar o xterm executar qualquer comando.
As cores de fundo (-bg) e do texto (-fg) também podem ser alteradas. Veja mais um exemplo:

xterm -geometry 35x12 -bg lightyellow -fg darkblue -e less /proc/meminfo

Se você conhece o sistema de arquivos /proc, pode usar este esquema para ter várias janelas com informações sobre o seu sistema. Veja o exemplo e a imagem:

xterm -geometry 35x12 -bg lightyellow -fg darkblue -e less /proc/meminfo & xterm -geometry 35x12 -bg lightgreen -fg darkblue -e less /proc/cpuinfo & xterm -geometry 35x12 -bg lightblue -fg darkblue -e less /proc/devices & xterm -geometry 35x12 -bg darkblue -fg white -e less /proc/diskstats & xterm -geometry 35x12 -bg cyan -fg darkblue -e less /proc/iomem & xterm -geometry 35x12 -bg darkgreen -fg lightgreen -e less /proc/modules & xterm -geometry 35x12 -bg black -fg lightblue -e less /proc/mounts & xterm -geometry 35x12 -bg black -fg lightgreen -e less /proc/vmstat & xterm -geometry 35x12 -bg black -fg yellow -e less /proc/bus/pci/devices & xterm -geometry 35x12 -bg black -fg red -e less /proc/zoneinfo

screenshot_20161004_165847
Uma maneira rápida de reverter (ou inverter) as cores padrão do xterm é a opção ‘-rv’:

xterm -rv 

Use um sistema de cores RGB, para obter um visual mais personalizado:

xterm -fg "rgb:90/80/70" -bg "rgb:40/60/80"

Qualquer site que tenha uma tabela de cores RGB, pode ajudar a escolher as que você quer.
Alterar as fontes também é possível, com as opções ‘-fn’ e ‘-fa’:

xterm -fn 7x13 -fa "Liberation Mono:size=13:antialias=false"

Se você usa Ubuntu, vai encontrar os nomes das fontes nos seguintes arquivos:

/etc/X11/fonts/misc/xfonts-base.alias
/etc/X11/fonts/Type1/xfonts-scalable.scale

Altere as cores dos nomes dos diretórios, no terminal

Esta não é uma dica que exija algum conhecimento avançado de Linux, embora seja voltado para quem usa o terminal para executar alguns comandos — especialmente se for pra ver os conteúdos dos diretórios.
O problema aqui é que os nomes dos diretórios, quando coloridos, costumam vir em azul escuro – o que é ótimo para quem usa um terminal, como o xterm, com o fundo branco.
Mas atrapalha a visibilidade para quem usa um tema de fundo escuro no console.
No Ubuntu, o aplicativo de terminal padrão tem fundo preto, o que dificulta a leitura de letras azul escuro ou, azul com fundo verde (o que depende das permissões destes diretórios).
Captura de tela de 2013-02-07 22:31:10
Neste post vou mostrar como alterar a cor das letras dos nomes dos diretórios para amarelo claro — mas você pode experimentar e optar por outras colorações.
Readéque os exemplos à sua preferência.

  1. Abra o arquivo ~/.bashrc com o seu editor favorito
  2. Inclua ao final do arquivo o seguinte código:
    LS_COLORS='di=1;33';export LS_COLORS
    # altera a cor de exibição dos nomes de diretórios para amarelo forte.

Caso você não goste muito desta opção de cor (1;33), há outras, como você pode ver abaixo.

  • Azul = 34
  • Verde = 32
  • Verde Claro = 1;32
  • Ciano = 36 — usada para exibição de links
  • Vermelho = 31
  • Púrpura = 35
  • Marrom = 33
  • Amarelo = 1;33
  • Branco = 1;37
  • Cinza Claro = 0;37
  • Preto = 30
  • Cinza escuro = 1;30

O primeiro número determina a intensidade ou a variação da cor:

  • 0 — nenhuma
  • 1 — negrito
  • 2 — normal
  • 3 — clareado
  • 4 — sublinhado

O valor após o ponto e vírgula (;) determina a cor a ser usada.
Depois de feitas, as alterações só terão efeito depois de reiniciar a sessão.

Como ver as alterações no console sem reiniciar a sessão

Vamos simplificar as coisas a ponto de bastar iniciar um novo terminal (Ctrl+Alt+T) para ver as alterações.
Para isto, é necessário incluir a linha if [ -f ~/.bashrc ]; then . ~/.bashrc; fi no arquivo .bash_profile:

echo "if [ -f ~/.bashrc ]; then . ~/.bashrc; fi" >> ~/.bash_profile
# Este codigo pode ser removido quando os ajustes de lscolors estiverem finalizados.

Leia mais sobre o LS_COLORS aqui.
Toda vez que você abrir um novo terminal (ou shell), o .bash_profile, presente no seu diretório home, é executado. A linha, que incluímos força a leitura adicional do arquivo de configuração .bashrc seja lido.