3 editores de código para Debian e Ubuntu

O Linux é uma plataforma valiosa para desenvolvedores(as). É estável e cresceu pelas mãos de programadores.
A concepção inicial era ser um sistema operacional feito por e para desenvolvedores, mas o projeto acabou crescendo muito além disso.

O GNU/Linux, hoje, é para todos.
É possível afirmar que apenas alguns nichos de usuários é que não irão encontrar utilidade para o sistema operacional do pinguim (sorte que não sou um deles) 😉

Programadores(as), dispõem de um enorme “manancial” de ferramentas e documentação, dentro da plataforma GNU/Linux.
Parte já vem instalada por padrão.
Outra parte pode ser baixada dos repositórios da sua distro (ou seja, a lojinha de apps).
Debian Ubuntu Instalar programas

Este post, tem algumas limitações — ou a lista ficaria insanamente grande.
Só vale editores gráficos (GUI) e que estejam presentes na lista do aplicativo Programas (Debian/GNOME).
Por exemplo, o Kate é tão bom quanto o Gedit, para editar código — mas é voltado ao KDE.
Nada impede que o usuário instale software para KDE no GNOME, mas isto vai contra algumas regras básicas de uso do Linux

Se você percebeu que deixei algum software de fora, por favor, use a sessão de comentários para avisar.

O Gedit

Este é um dos itens padrão de qualquer instalação que usa o desktop GNOME — ou seja, é pré-instalado.
O editor tem suporte a dezenas de linguagens de programação.gedit editor

Conta com suporte a syntax highlighting e vários outros recursos, via plugins.
Abaixo, painel para alterar o tema visual do editor.
temas do Gedit

GVim

Derivado do Vim, editor de textos CLI, esta versão mantém todos os atalhos de teclado e comandos do original e adiciona a possibilidade de realizar as tarefas pela GUI, com o mouse, claro.
gvim editor

Podemos dizer que o Vim é algo muito poderoso na CLI, mas isto seria verdade também na sua versão gráfica?
Eu acredito que traz todas as suas vantagens para o ambiente gráfico, sim. Mesmo sendo um ávido usuário do editor na CLI, também gosto do conforto de usar o conceito de “apontar e clicar” no meu editor favorito, de vez em quando.

Outra vantagem do editor é que você pode levar e usar toda a sua base de conhecimento no Vi e Vim.

Pluma

Este seria o editor padrão do Ubuntu MATE, assim como o Kate e o Kwrite são do KDE e o Gedit do GNOME.
Não recomendo usar editores de outros ambientes desktop apenas pelo princípio de manter o sistema enxuto.
Ao instalar programas do KDE, em um ambiente GNOME, várias novas bibliotecas (QT, por exemplo) são acrescentadas ao sistema, que ficará “inchado” apenas para satisfazer aquele programa novo.
editor texto pluma

O Pluma irá acrescentar, além do pacote do editor, em si, o mate-dekstop (393 Kb) e o próprio Pluma (12.8 MB).
Neste caso, o pacote adicional do Mate, representa apenas uma pequena fração do carro-chefe.
Vale a pena experimentá-lo, portanto.

O que ficou de fora

Eu fiz um esforço para não incluir editores mais avançados, como o Geany e o Aptana (entre outros).
Estes programas são IDEs (Ambientes de Desenvolvimento Integrado) e, portanto, não são “apenas editores de texto”.

Tem outras sugestões de editores, que não abordei neste post?
Então, comente sobre isso 😉

Como repetir e desfazer ações dentro do editor Vim

Repetir e desfazer são ações corriqueiras ao editar texto.
Como o Vim funciona de um modo “pouco convencional”, ou seja, diferente de 99% dos outros editores de texto, os novatos se veem perdidos ao tentar fazer algo tão trivial, como desfazer uma edição acidental.

Sugiro a leitura do texto Como copiar, recortar e colar, para se aprofundar mais no assunto ou tirar eventuais dúvidas que fiquem após a leitura deste post.
Abra um texto de exemplo (um que você possa “estragar”) dentro do Vim e experimente as dicas que seguem.

Como repetir ações no Vim

No Vim, a tecla de comando para repetir ações (repeat) é ‘.’ (ponto).
Cada edição feita no programa é armazenada em um buffer temporário — cujo conteúdo é substituído pelas informações da próxima edição.
Ao teclar Esc e pressionar a tecla ‘.’, o Vim repetirá a última ação.
Experimente.


Ao pressionar a tecla Esc, eu saio do modo de edição e entro no modo de comando do Vim, em que posso pressionar . para repetir a última edição feita.
Ao pressionar a tecla Esc, eu saio do modo de edição e entro no modo de comando do Vim, em que posso pressionar . para repetir a última edição feita.

Para repetir ‘n’ vezes, use o comando ‘n.’ (número de vezes que deseja repetir e . ).
Por exemplo, para repetir a última ação 20 vezes, tecle ’20.’ no modo comando.

Como desfazer ações no Vim

Tão importante quanto refazer, é poder desfazer ações acidentais no editor, como apagar uma linha, seu texto inteiro etc.
No modo comando, tecle ‘u’ (undo), para desfazer a última ação.
Tal como anteriormente, também é possível indicar quantas ações deve ser desfeitas.
Basta adicionar um número ao comando ‘u’. Por exemplo ‘4u’ para desfazer as 4 últimas edições.

Tire um tempo, agora, para experimentar um pouco estas dicas. Assim fica mais fácil memorizar o aprendizado para quando ele for realmente necessário.

Opções de inicialização do editor Vim

O Vim tem inúmeras opções de inicialização.
Neste post, vamos abordar algumas das mais básicas alternativas para abrir arquivos de maneiras específicas.

Como você já sabe (como em qualquer outro editor de textos), é possível já abrir o Vim com o(s) seu(s) arquivo(s) prontos para edição (ou não).
Basta indicar o nome do arquivo na linha de comando:


vim arquivo.txt

Se você estava compilando um código de um arquivo ou rodando um script a partir de um interpretador e se deparou com uma mensagem de erro, é possível já abrir o arquivo na linha em que o interpretador/compilador indicou haver uma inconsistência:

vim +n arquivo

em que ‘n’ é o número da linha dentro do ‘arquivo’, aonde o editor irá posicionar o cursor.
Veja um exemplo mais direto:


vim +11 helloworld.py

No exemplo, acima, o Vim irá abrir o arquivo ‘helloworld.py’, com o cursor na linha 11, no modo de comando.
Veja um exemplo de como abrir o arquivo, com o cursor posicionado na última linha:


vim + helloworld.py

O padrão do editor é começar a edição na primeira linha do arquivo, se nenhum parâmetro ou opção for dada na linha de comando.
Se quiser abrir um arquivo-texto com o cursor posicionado sobre a primeira ocorrência de uma palavra ou sentença, use a opção ‘+’ seguido da string a ser encontrada e do nome do arquivo a ser aberto.
Segue um exemplo:


vim +/print helloworld.py

O comando, acima, abrirá o arquivo com o cursor sobre a primeira ocorrência (se houver) da palavra ‘print’.

Opcionalmente, você pode usar ‘-c’ (conforme recomendação do POSIX), em vez de ‘+’.

Usar a opção ‘+/’ para encontrar uma string dentro do texto, pode ser útil para ajudar a chegar a um determinado ponto do trabalho em que você o gostaria de retomar.
Por exemplo, digite ‘ZZZZ’ dentro do seu texto e, mais tarde, ao iniciar novamente o Vim, use esta mesma sequência para chegar ao ponto em que parou:

'vim +/ZZZZ nome-do-arquivo'

Como abrir um arquivo no modo somente leitura do Vim

Há basicamente 2 maneiras de abrir arquivos em read only mode ou “modo somente leitura” — no qual não é possível fazer alterações nem intencionais nem acidentais.
Este modo é muito útil para realizar a leitura de arquivos de configuração sensíveis do sistema ou ler código de algum programa — sem correr o risco de inserir um caractere ou apagar alguma coisa acidentalmente.
Use a opção ‘-R’, seguida do nome do arquivo que deseja abrir:

vim -R nome-do-arquivo

ou use o utilitário view:

view nome-do-arquivo

O view costuma ser apenas um link de sistema para o vi (com a opção ‘somente leitura’ habilitada) ou para o programa vim.basic.
Caso você mude de ideia e queira fazer alterações no arquivo, use o comando ‘:w!’ dentro editor.

Leia o artigo Como usar criptografia com o Vim para ver como abrir um arquivo em modo seguro (criptografado) e com o buffer previamente desligado.

Resumindo

A melhor forma de aprender a usar todos os macetes de um programa (como um editor de textos) é praticar.
Abra um terminal e experimente os comandos:

  • +n nome-do-arquivo — abre ‘nome-do-arquivo’ na linha ‘n’.
  • + nome-do-arquivo — abre ‘nome-do-arquivo’ na última linha.
  • +/string nome-do-arquivo — abre ‘nome-do-arquivo’ e posiciona o cursor sobre a string indicada.
  • -R nome-do-arquivo — abre no modo ‘apenas leitura’.
  • -r nome-do-arquivo — em caso de ter havido um crash, em que o Vim tenha sido interrompido acidentalmente, é possível recuperar arquivos danificados com esta opção.

Como copiar, recortar e colar no editor Vim

Copiar uma parte do texto em um arquivo, para usar em outros locais ajuda a poupar tempo e digitação.
Copiar/colar ou recortar/colar são funções existentes no Vim, que muitos novatos desconhecem.

Ambas estão ali, presentes, e são fáceis de usar.
Abra o Vim, com um texto qualquer, que você possa usar para fazer testes e experimente os exemplos que seguem.

Como recortar e colar texto no Vim

Esta função faz (re)uso de outras 2 funções do editor:

  1. os comandos de apagar uma linha, uma palavra, um caractere e
  2. o buffer (memória intermediária) do Vim, onde é guardado o conteúdo descartado.

Basicamente, a operação de recortar/colar consiste de “apagar” primeiro e, depois, recuperar o texto do buffer.

Veja 3 exemplos básicos de como apagar (recortar, neste caso) texto, no modo comando do Vim:

  • ‘dd’, recorta a linha (atual) em que o cursor se encontra
  • ‘dw’, recorta a palavra que se encontra à direita do cursor ou ‘db’, recorta a palavra à esquerda
  • ‘3d’, recorta 3 linhas inteiras

O comando ‘p’ é usado para inserir o conteúdo do buffer no texto.
Depois de recortar o que queria, basta posicionar o cursor no ponto em que deseja colar o texto “apagado” e pressionar ‘p’ — para reinserir o conteúdo do buffer.
Se quiser, é possível multiplicar a quantidade de vezes em que é reinserido.
Tecle ‘5p’, por exemplo, para inserir o conteúdo do buffer 5 vezes.

copiar e colar com o editor Vim

Como copiar e colar no editor Vim

Para copiar conteúdo, use o comando ‘y’ (yank).
Veja alguns exemplos:

  • ‘yy’, para copiar a linha atual
  • ‘yw’, para copiar a próxima palavra. Se quiser copiar as próximas 3 palavras, use ‘y3w’
  • ‘y$’, para copiar do ponto atual até o final da linha

Depois de copiado, basta mover o cursor para o local, no texto, em que deseja inserir o conteúdo do buffer e teclar ‘p’.

Como gravar arquivos criptografados com o Vim

O editor de textos Vim tem suporte a diversos métodos de criptografia.
É possível guardar código ou qualquer outro texto (como senhas ou outras informações sensíveis) longe de olhares curiosos.

Uma vez criptografado, o texto não pode mais ser lido, sem a chave correta.
Tenha isto em mente, antes de usar este tipo de segurança em um arquivo — pra não ficar “trancado do lado de fora”.
Você pode enviar o texto codificado para outras pessoas, que usem o Vim no Windows ou no MacOS.
Se elas tiverem a senha para descriptografar, poderão ler o conteúdo da mensagem.

Para ativar a criptografia, a qualquer momento, use o comando ‘:X’.
Forneça a senha e a confirmação.
A criptografia será aplicada na hora de gravar o arquivo (:w).

criptografia no vim

É possível já abrir um arquivo com a criptografia ativada:

vim -x meu-arquivo-secreto.txt

Após este comando, o Vim iniciará pedindo uma nova chave de segurança para o seu arquivo.
Na próxima vez em que for abrir o arquivo, não precisa usar ‘-x’:

vim meu-arquivo-secreto.txt

Cuidados com a segurança criptográfica no Vim

Além de não perder a sua senha e usar, também, uma senha decente, há outros aspectos a levar em consideração, caso você se preocupe realmente com a sua segurança.
Quando tentar abrir o seu arquivo, só conseguirá ver um monte de caracteres desconexos.
texto criptografado

Tanto o texto contido no swap, quanto o do arquivo undo (usado para desfazer ações dentro do editor), são guardados sob criptografia.

Talvez não seja paranoia, mas a gente tem que falar sobre isso…
A codificação dos arquivos de swap e do undo são feitas bloco a bloco — fator que pode ajudar a reduzir o tempo necessário para um invasor quebrar sua senha.
Portanto, se quiser segurança extra, desative o swap e o undo (desfazer) para o arquivo.
Para desativar o recurso de swapping do Vim, entre no modo de comando (tecla ESC) e execute o seguinte:

:noswapfile

O comando abaixo, inicia a edição do arquivo ‘meus_segredos.txt’, com o swap desativado:

:noswapfile edit meus_segredos

Use o que achar melhor.
O lado ruim desta ação é que você pode perder texto, que ainda não tenha sido gravado, caso ocorra alguma queda de energia ou travamento no sistema operacional.
Já o arquivo undo pode ser desativado sem maiores problemas:

:set noundofile

Veja outros procedimentos adicionais (opcionais) de segurança que você pode adotar.
Para desativar também o backup automático:

:set nobackup

Para desativar o arquivo temporário:

:set nowritebackup

Para desativar a criptografia de um arquivo use o comando:

:set key=

Você também pode desativar o viminfo, que oferece informações sobre a sessão atual:

:set viminfo=

Quais métodos de criptografia estão disponíveis para o Vim

Você pode usar a opção ‘cryptmethod‘ (ou cm) para selecionar o tipo de criptografia a ser usado:

  1. zip: método mais fraco, porém rápido e mais difundido. Tem maior compatibilidade.
  2. blowfish: método mais seguro que o anterior.
  3. blowfish2: método atualizado e com segurança média para forte. É recomendado pela documentação oficial do Vim.

Para escolher o método de criptografia blowfish2, use o seguinte comando no Vim:

:setlocal cm=blowfish2

Você precisa fazer esta opção antes de começar a escrever no arquivo.
Quando você for abrir um arquivo, o Vim detecta automaticamente o método usado para criptografá-lo.
Você pode alterar o cryptmethod, ao abrir um arquivo, antes de começar editar.
Para definir permanentemente o método ou qualquer outro ajuste de que falamos neste post, edite o arquivo de configuração vimrc.

Como saber se a minha versão do Vim tem suporte a criptografia

Se você efetuou a instalação do aplicativo a partir dos repositórios oficiais da sua distro, não há muito o que fazer. E o suporte provavelmente já estará lá.
Alguns usuários preferem baixar e compilar o código fonte — entre outras coisas, isto lhes dá acesso a uma versão mais atual do aplicativo.
Neste caso, pode ser necessário compilar com a opção ‘cryptv’ selecionada.
Use a opção ‘–version’, combinada ao comando grep, para saber se a sua versão tem suporte a criptografia:


vim --version | grep crypt

Se o +cryptv estiver presente, então está tudo ok com a sua versão.

vim version

Referências

Como considerações finais, tenha cuidado para não começar a editar (e gravar em seguida) um arquivo criptografado, que você não descodificou adequadamente. Todo o conteúdo do arquivo será perdido, caso você o faça.
Lembre-se que o texto armazenado na memória não é criptografado.
Isto significa que o administrador do seu sistema, tecnicamente, poderá ler o seu conteúdo, enquanto você o estiver editando.
O manual do Vim também informa que, em uma máquina antiga (32 bit) é possível quebrar uma senha de 6 caracteres em menos de 1 dia, por força bruta, no caso de usar o cryptmethod zip.
Você pode iniciar o Vim com criptografia ativada e o swap desligado, com as seguintes opções:


vim -xn meuarquivo.txt

Leia mais:
https://linux-audit.com/using-encrypted-documents-with-vim/.