Como repetir e desfazer ações dentro do editor Vim

Repetir e desfazer são ações corriqueiras ao editar texto.
Como o Vim funciona de um modo “pouco convencional”, ou seja, diferente de 99% dos outros editores de texto, os novatos se veem perdidos ao tentar fazer algo tão trivial, como desfazer uma edição acidental.

Sugiro a leitura do texto Como copiar, recortar e colar, para se aprofundar mais no assunto ou tirar eventuais dúvidas que fiquem após a leitura deste post.
Abra um texto de exemplo (um que você possa “estragar”) dentro do Vim e experimente as dicas que seguem.

Como repetir ações no Vim

No Vim, a tecla de comando para repetir ações (repeat) é ‘.’ (ponto).
Cada edição feita no programa é armazenada em um buffer temporário — cujo conteúdo é substituído pelas informações da próxima edição.
Ao teclar Esc e pressionar a tecla ‘.’, o Vim repetirá a última ação.
Experimente.


Ao pressionar a tecla Esc, eu saio do modo de edição e entro no modo de comando do Vim, em que posso pressionar . para repetir a última edição feita.
Ao pressionar a tecla Esc, eu saio do modo de edição e entro no modo de comando do Vim, em que posso pressionar . para repetir a última edição feita.

Para repetir ‘n’ vezes, use o comando ‘n.’ (número de vezes que deseja repetir e . ).
Por exemplo, para repetir a última ação 20 vezes, tecle ’20.’ no modo comando.

Como desfazer ações no Vim

Tão importante quanto refazer, é poder desfazer ações acidentais no editor, como apagar uma linha, seu texto inteiro etc.
No modo comando, tecle ‘u’ (undo), para desfazer a última ação.
Tal como anteriormente, também é possível indicar quantas ações deve ser desfeitas.
Basta adicionar um número ao comando ‘u’. Por exemplo ‘4u’ para desfazer as 4 últimas edições.

Tire um tempo, agora, para experimentar um pouco estas dicas. Assim fica mais fácil memorizar o aprendizado para quando ele for realmente necessário.

Opções de inicialização do editor Vim

O Vim tem inúmeras opções de inicialização.
Neste post, vamos abordar algumas das mais básicas alternativas para abrir arquivos de maneiras específicas.

Como você já sabe (como em qualquer outro editor de textos), é possível já abrir o Vim com o(s) seu(s) arquivo(s) prontos para edição (ou não).
Basta indicar o nome do arquivo na linha de comando:


vim arquivo.txt

Se você estava compilando um código de um arquivo ou rodando um script a partir de um interpretador e se deparou com uma mensagem de erro, é possível já abrir o arquivo na linha em que o interpretador/compilador indicou haver uma inconsistência:

vim +n arquivo

em que ‘n’ é o número da linha dentro do ‘arquivo’, aonde o editor irá posicionar o cursor.
Veja um exemplo mais direto:


vim +11 helloworld.py

No exemplo, acima, o Vim irá abrir o arquivo ‘helloworld.py’, com o cursor na linha 11, no modo de comando.
Veja um exemplo de como abrir o arquivo, com o cursor posicionado na última linha:


vim + helloworld.py

O padrão do editor é começar a edição na primeira linha do arquivo, se nenhum parâmetro ou opção for dada na linha de comando.
Se quiser abrir um arquivo-texto com o cursor posicionado sobre a primeira ocorrência de uma palavra ou sentença, use a opção ‘+’ seguido da string a ser encontrada e do nome do arquivo a ser aberto.
Segue um exemplo:


vim +/print helloworld.py

O comando, acima, abrirá o arquivo com o cursor sobre a primeira ocorrência (se houver) da palavra ‘print’.

Opcionalmente, você pode usar ‘-c’ (conforme recomendação do POSIX), em vez de ‘+’.

Usar a opção ‘+/’ para encontrar uma string dentro do texto, pode ser útil para ajudar a chegar a um determinado ponto do trabalho em que você o gostaria de retomar.
Por exemplo, digite ‘ZZZZ’ dentro do seu texto e, mais tarde, ao iniciar novamente o Vim, use esta mesma sequência para chegar ao ponto em que parou:

'vim +/ZZZZ nome-do-arquivo'

Como abrir um arquivo no modo somente leitura do Vim

Há basicamente 2 maneiras de abrir arquivos em read only mode ou “modo somente leitura” — no qual não é possível fazer alterações nem intencionais nem acidentais.
Este modo é muito útil para realizar a leitura de arquivos de configuração sensíveis do sistema ou ler código de algum programa — sem correr o risco de inserir um caractere ou apagar alguma coisa acidentalmente.
Use a opção ‘-R’, seguida do nome do arquivo que deseja abrir:

vim -R nome-do-arquivo

ou use o utilitário view:

view nome-do-arquivo

O view costuma ser apenas um link de sistema para o vi (com a opção ‘somente leitura’ habilitada) ou para o programa vim.basic.
Caso você mude de ideia e queira fazer alterações no arquivo, use o comando ‘:w!’ dentro editor.

Leia o artigo Como usar criptografia com o Vim para ver como abrir um arquivo em modo seguro (criptografado) e com o buffer previamente desligado.

Resumindo

A melhor forma de aprender a usar todos os macetes de um programa (como um editor de textos) é praticar.
Abra um terminal e experimente os comandos:

  • +n nome-do-arquivo — abre ‘nome-do-arquivo’ na linha ‘n’.
  • + nome-do-arquivo — abre ‘nome-do-arquivo’ na última linha.
  • +/string nome-do-arquivo — abre ‘nome-do-arquivo’ e posiciona o cursor sobre a string indicada.
  • -R nome-do-arquivo — abre no modo ‘apenas leitura’.
  • -r nome-do-arquivo — em caso de ter havido um crash, em que o Vim tenha sido interrompido acidentalmente, é possível recuperar arquivos danificados com esta opção.

Como copiar, recortar e colar no editor Vim

Copiar uma parte do texto em um arquivo, para usar em outros locais ajuda a poupar tempo e digitação.
Copiar/colar ou recortar/colar são funções existentes no Vim, que muitos novatos desconhecem.

Ambas estão ali, presentes, e são fáceis de usar.
Abra o Vim, com um texto qualquer, que você possa usar para fazer testes e experimente os exemplos que seguem.

Como recortar e colar texto no Vim

Esta função faz (re)uso de outras 2 funções do editor:

  1. os comandos de apagar uma linha, uma palavra, um caractere e
  2. o buffer (memória intermediária) do Vim, onde é guardado o conteúdo descartado.

Basicamente, a operação de recortar/colar consiste de “apagar” primeiro e, depois, recuperar o texto do buffer.

Veja 3 exemplos básicos de como apagar (recortar, neste caso) texto, no modo comando do Vim:

  • ‘dd’, recorta a linha (atual) em que o cursor se encontra
  • ‘dw’, recorta a palavra que se encontra à direita do cursor ou ‘db’, recorta a palavra à esquerda
  • ‘3d’, recorta 3 linhas inteiras

O comando ‘p’ é usado para inserir o conteúdo do buffer no texto.
Depois de recortar o que queria, basta posicionar o cursor no ponto em que deseja colar o texto “apagado” e pressionar ‘p’ — para reinserir o conteúdo do buffer.
Se quiser, é possível multiplicar a quantidade de vezes em que é reinserido.
Tecle ‘5p’, por exemplo, para inserir o conteúdo do buffer 5 vezes.

copiar e colar com o editor Vim

Como copiar e colar no editor Vim

Para copiar conteúdo, use o comando ‘y’ (yank).
Veja alguns exemplos:

  • ‘yy’, para copiar a linha atual
  • ‘yw’, para copiar a próxima palavra. Se quiser copiar as próximas 3 palavras, use ‘y3w’
  • ‘y$’, para copiar do ponto atual até o final da linha

Depois de copiado, basta mover o cursor para o local, no texto, em que deseja inserir o conteúdo do buffer e teclar ‘p’.

Como mover o cursor dentro do editor Vim

Fora do modo de inserção (i), dentro do modo de comando (Esc), é possível movimentar o cursor através das teclas direcionais do seu teclado ou usando teclas de comando para isto.
As teclas direcionais são as setinhas

 ↓   →   ←   ↑

Há também as teclas de comando:

  • h ← move o cursor um caractere para a esquerda
  • j ↓ move o cursor uma linha para baixo
  • k ↑ move o cursor uma linha para cima
  • l → move o cursor um caractere para a direita

As teclas de movimentação do cursor vão muito além disto no Vim.
Além de poder “andar” um caractere de cada vez, também há comandos para:

  1. se mover entre blocos de texto, como palavras, sentenças ou parágrafos
  2. se mover entre telas de um mesmo arquivo

Por que usar as teclas de comando em vez das direcionais do teclado?

Não se esqueça: tudo no Vi ou no Vim, é pensado para a máxima produtividade de quem digita.
Claro que “o que é produtivo e satisfatório para um, pode não ser para outro”.
Cabe a você decidir se vale a pena incorporar uma maneira nova de fazer as coisas ou não.
Aprender a usar este método de movimentação dentro do texto, vai tomar alguns minutos ou talvez mais.
Ao se permitir o aprendizado, você pode perceber que ele poupa tempo, no modo de comando.
A principal vantagem é que este caminho possibilita posicionar o cursor aonde você quiser no texto, sem precisar retirar a mão do centro do teclado.

Use valores numéricos para ter mais controle sobre a movimentação

Você pode indicar por quantos caracteres ou linhas o cursor irá se mover, dentro do seu texto.
Veja estes exemplos:

  1. 4l — o comando faz o cursor ‘andar’ 4 espaços para a direita
  2. 5j — o comando faz o cursor se mover 5 linhas para cima

Desta maneira, o Vim oferece meios de multiplicar os efeitos de um comando antes de sua execução.

Mais comandos para mover o cursor no Vim

Para se movimentar por entre blocos de texto, use os seguintes comandos de teclado:

  • 0 — (zero) para ir para o início de uma sentença ou parágrafo. Equivale a Home.
  • $ — para ir para o final de um parágrafo. Equivale a End.
  • w — (word) se move uma palavra de cada vez para frente.
  • b — (backwards?) se move uma palavra de cada vez para trás.
  • – — sobe uma linha.
  • + — desce uma linha.

Obviamente, as teclas + e – fogem daquele objetivo de realizar uma movimentação mais natural no teclado.

Uma linha, no Vim, não é a mesma coisa que a sua representação visível, na tela, com 80 colunas.
Uma linha é um bloco de texto compreendido entre uma quebra de linha e outra.
Em outras palavras, começa com um Enter e termina no próximo Enter.

Em todas estas teclas é possível acrescentar argumentos numéricos para multiplicar os efeitos de cada comando. Por exemplo:

  1. 4b — para mover 4 palavras para trás
  2. 5- — para subir 5 linhas

Você pode usar o comando G para ir até o fim do arquivo.
Com argumentos numéricos, é possível dizer ao comando G exatamente em que linha o cursor deve ficar.
Desta forma, 1G leva o cursor para o início do arquivo e 42G leva até a linha 42.

erro na linha 15
Quando você está tentando executar um script ou compilar código, frequentemente pode se deparar com avisos de erros.
Os avisos podem indicar exatamente em que linha do seu programa há alguma inconsistência.

Leia mais sobre o editor Vim.

Por que eu uso o Vim para programar.

Já experimentei várias IDEs de programação e ainda uso algumas, entre editores de textos variados.

Se alguém me perguntar qual editor uso para escrever código, a resposta é “Muitos!”.

Mas um deles sempre me cativou mais e é a quem sempre recorro quando vou dar continuidade a algum trabalho, dar alguns retoques em algum pedaço de código e editar arquivos de configuração do sistema.

O nome dele é Vim (ou Vi) e, embora não seja a única (como já disse), é a minha principal opção de editor de código.

Recentemente topei com o post do Casper Beyer, em que ele explica por que também prefere usar o Vim para programar.

Me senti tipo… “Poxa! Não sou o único maluco do pedaço”. 😉 Faço minhas as palavras do Casper:

A principal razão para usar o Vim é o costume — e não por que não sei sair dele.

A filosofia por trás da construção do Vim, não é apenas a leveza. Tanto isto é verdade, que as estatísticas vão mostrar que o Nano, muitas vezes, bate o Vim, neste quesito.

A ideia do Vim é oferecer uma experiência de agilidade para desenvolvedores — oferecendo uma gama de comandos que podem ser dados sem a necessidade de afastar as mãos do centro do teclado.

gvim text editor screen capture

Desde que comecei a usar o Linux, me acostumei a abrir pequenos arquivos de código ou de configurações do sistema dentro dele, em vez de ficar a esperar “séculos” que o editor GUI (interface gráfica) aparecesse na tela.

Na CLI, ele é leve, pequeno e está bem longe de ser um programa ruim. Pelo contrário, podemos usar extensões e plugins para aumentar as suas funcionalidades.

gvim text editor screen capture

Saber usar bem este programa, vai também ajudar quando você tiver que se conectar a algum servidor remoto via SSH — onde é possível que o vi (irmão mais velho do Vim) e o Nano sejam as únicas opções de editores disponíveis.

Quem usa computadores com restrição de recursos, vai entender bem melhor alguns dos argumentos, aqui.

A possibilidade de aumentar as funcionalidades, através de extensões e a velocidade com que o editor trabalha são as razões mais importantes, pra mim.

O visual é uma questão de gosto pessoal. E eu gosto do “visu” espartano dele.

vim text editor screen capture
O Gvim é uma versão GUI do editor.

Em seu artigo, Beyer propõe um teste. Carregar um arquivo com o seguinte código (em linguagem C), em vários editores, para comparar desempenhos:

#include 

int main() {
  printf("Hello, world!\n");
}

Eu obtive os seguintes números, relativos ao tempo total de carregamento e finalização do aplicativo, em segundos:

  1. Nano: 0,45s
  2. Vim: 0,47s
  3. Komodo Editor: 8,257s

Como você pode observar, o Nano consegue ser ainda mais rápido do que o Vim.

E a diferença entre o tempo de abertura destes dois para o do Komodo Editor, é brutal.

Consumo de memória do Vim

E o consumo de memória?

O código, acima, ocupa 66 bytes no disco do meu sistema. Veja os valores atingidos com o uso de cada editor:


ps aux | grep "hello.c"

justinc+ 16719 11.7  3.0 958240 242980 pts/1   Sl   16:32   0:09 /opt/Komodo-Edit-11/bin/komodo hello.c
justinc+ 16720  0.1  0.0  33140  7112 pts/1    T    16:32   0:00 vim hello.c
justinc+ 16721  0.0  0.0  15060  2640 pts/1    T    16:32   0:00 nano hello.c

O resultado exibe o consumo de memória na 4a coluna, da esquerda para a direita.

Assim, temos um consumo de 3.0 MB para o komodo, enquanto o Nano e o Vim nem “mexem os ponteiros”.

O ps não é perfeito para medir o consumo de memória de aplicativos mas o objetivo, aqui, é só estabelecer uma comparação.

Veja os resultados obtidos com o pmap:


pmap -x 16866 16969 16970 | grep total

total kB          973988  237952  155584
total kB           41932    7792    2892
total kB           23952    3736     960

Pela ordem, acima, temos os números (em KB), na segunda coluna, referentes ao Komodo, ao Vim e ao Nano.

Este último é o preferido de muita gente, em termos de editores em CLI, além de estar presente em quase todas as distribuições GNU/Linux.

Estes números só reforçam o quanto é ridículo usar um editor com um consumo de memória tão massivo.

Conclusão

Além do Komodo, como editor para GUI do Linux, uso também o Atom e o Netbeans (IDE).
Acho-os incríveis e vou continuar a tê-los instalados no meu sistema, para quando eu lembrar de usá-los.

O preferido, contudo, continua a ser o Vim.
A lógica pela qual o programa foi construído é fantástica: dar o máximo de produtividade para o desenvolvedor. Todas as funções que se precisa, devem estar ao alcance dos dedos.

Ele dispensa você da necessidade de tirar a mão de cima do teclado, para pegar no mouse — embora tenha completo suporte ao dispositivo tanto na edição para GUI quanto para a CLI.

Você pode levar algum tempo para conhecer e memorizar os comandos e as teclas de atalho do Vim — da mesma forma como vai levar algum tempo para dominar qualquer outro editor.
A diferença é que, com o Vim, você será premiado com mais eficiência e produtividade no final.

Comente sobre o que você acha deste editor.
Prefere mais agilidade e velocidade para editar ou prefere a comodidade de uma grande IDE?

Leia outros artigos sobre o Vim.