Como instalar aplicativos com o snap

O snap é uma nova abordagem para a instalação de aplicativos, lançada pela Canonical e disponível em sistemas operacionais baseados no Ubuntu 16.04 LTS (ou superior).
Terminal IBM3278
Para escrever este artigo, usei uma máquina com o KDE NEON User edition 5.8, baseado no Ubuntu 16.04 LTS.
A melhor maneira de entender o funcionamento do programa/comando snap é através de exemplos.

Como instalar aplicativos com o snap

No Ubuntu 16.04 LTS Xenial Xerus, o programa snap já vem instalado como padrão.
E ele é responsável pela interação com os pacotes snaps nos repositórios.
Sua sintaxe é semelhante à do comando apt:

sudo snap install nome-do-aplicativo

Um exemplo da “vida real”… para instalar o cliente Twitter Anatine, use o comando assim:

sudo snap install anatine

Como encontrar snaps para instalar no sistema

Use o comando ‘find’, para encontrar novos snaps, prontos para instalar em seu sistema.
Funciona semelhante ao ‘apt search’.
O comando requisita informações da “loja” de snaps e retorna os pacotes disponíveis para instalação imediata ou para compra.
O seu uso básico:

snap find twitter

Como você pode ver, tal como o apt, o snap não precisa de privilégios especiais para fazer buscas nos repositórios. Veja o meu resultado:

Name          Version              Developer        Notes  Summary
anatine       1.0.0-2-gacbd796-J1  claudioandre-br  -      Pristine Twitter app
caddy-hduran  0.9.3                hduran           -      The HTTP/2 web server with automatic HTTPS

Como listar os snaps instalados

Use o comando ‘list’ para obter uma relação dos snaps atualmente instalados no seu sistema.
Veja um exemplo:

snap list
Name             Version              Rev  Developer        Notes
anatine          1.0.0-2-gacbd796-J1  9    claudioandre-br  -
hexchat          2.12.3               6    tingping         -
telegram-latest  0.10.19              3    pain7            -
ubuntu-core      16.04.1              423  canonical        -
vlc              daily                1    videolan         -

Como remover snaps do sistema

Use o comando ‘remove’ para apagar os aplicativos snap que você não mais deseja ter instalados no seu sistema:

sudo snap remove hexchat
[sudo] password for justincase: 
hexchat removed

Conteúdo relacionado pelo Google

Como atualizar o Fedora.

Há inúmeras maneiras de atualizar o Fedora.
Uma delas é não fazer nada — você espera o aviso de atualização e confirma, com um toque na tela.
Contudo, há casos em que é necessário “pular” a atualização e deixá-la para depois. Quando você está envolvido em alguma atividade que já está fazendo uso intensivo da rede, por exemplo.
Fedora logo
Para este e muitos outros casos, sempre é possível atualizar o Fedora manualmente (como qualquer outra distro GNU/Linux).
Você pode usar o ambiente gráfico ou pode abrir um terminal e usufruir de toda a flexibilidade da linha de comandos — e este será o método adotado neste post.
Os exemplos deste artigo se baseiam em uma instalação do Fedora 24 — só para nos situarmos. Tudo deve funcionar igual em outras versões atuais do sistema operacional.

Como verificar se há atualizações para o Fedora

O dnf provê uma gestão de pacotes avançada e cômoda no Fedora. Se você está chegando aqui, do Ubuntu ou do Debian, vai se sentir em casa.
Se você vem de outros sistemas operacionais, que não sejam UNIX-like, pode precisar de um tempo para se adaptar — só até entender a lógica do procedimento.
Para verificar se há atualizações para o seu sistema, comece rodando o dnf com a opção “check-update”. Veja o exemplo:

dnf check-update

O resultado pode demorar (dependendo da sua conexão) e pode ser bastante extenso — principalmente, se esta for a primeira vez que o comando estiver sendo executado no seu sistema.
O meu resultado (parcial) foi o seguinte:

Last metadata expiration check: 2:24:42 ago on Mon Aug  1 09:50:54 2016.

GeoIP-GeoLite-data.noarch              2016.05-1.fc24            fedora         
GeoIP-GeoLite-data.noarch              2016.07-1.fc24            updates        
ModemManager.x86_64                    1.6-0.3.rc3.fc24          fedora         
ModemManager.x86_64                    1.6.0-1.fc24              updates-testing

...

NetworkManager.x86_64                  1:1.2.2-1.fc24            fedora         
NetworkManager.x86_64                  1:1.2.2-2.fc24            updates        
NetworkManager-adsl.x86_64             1:1.2.2-1.fc24            fedora   

Complementarmente (e opcionalmente), você também pode inquirir o sistema sobre as atualizações que há para fazer. Veja como fazer isto:

dnf updateinfo

O comando acima irá retornar informações genéricas sobre as atualizações disponíveis para o seu sistema. Veja um resultado típico:

Last metadata expiration check: 3:07:16 ago on Mon Aug  1 09:50:54 2016.
Updates Information Summary: available
    29 Security notice(s)
    87 Bugfix notice(s)
    45 Enhancement notice(s)
     1 other notice(s)

Acima, é possível ver um resumo das informações sobre as atualizações (se estiverem) disponíveis. Vamos tentar explicá-las melhor, abaixo:

  • a última verificação dos metadados dos pacotes dos repositórios;
  • resumo das informações de atualização: available (ou disponível);
  • 29 notificações de segurança;
  • 87 correções de bugs (ou erros);
  • 45 notificações de melhorias;
  • 1 outra notificação.

Se usar o comando dnf -v updateinfo o gestor irá fornecer informações ainda mais detalhadas.
As 29 notificações de segurança e as 87 correções de erros, no sistema exemplificado, já são motivos suficientes para atualizá-lo de imediato.
Fedora 24 screenshot

Como aplicar a atualização do sistema no Fedora

O exemplo usado é o de um sistema recém instalado e que ainda não foi atualizado — há mais de 400 MB de coisas para baixar, aqui.
A atualização é feita com a opção “upgrade”:

sudo dnf upgrade

Note que o comando precisa ser dado com privilégios administrativos.
Fedora 24 terminal update
Você pode rolar a lista de atualizações com o mouse e, se quiser, confirmar que o dnf prossiga.

Conteúdo relacionado pelo Google

Use o checkinstall para criar pacotes gerenciáveis dos aplicativos que você compila no seu sistema.

Compilar softwares a partir do código fonte, é um método de instalação que possibilita obter a versão mais atual do seu aplicativo.
Outra vantagem, é poder construir automaticamente software feito sob medida para o seu sistema.
Este texto complementa o artigo Como Compilar Código Fonte de Programas no Linux.
Na maioria das vezes, é muito fácil compilar software. Mas esta abordagem traz algumas desvantagens ou riscos que convém enumerar:

  • O software compilado não participa das atualizações automáticas do sistema. Se o objetivo era ter a versão mais atual, com o tempo, você pode acabar com uma versão desatualizada do seu aplicativo favorito.
    Isto significa também que ele não receberá correções para novos bugs, à medida em que são descobertos. Tampouco receberá patches de segurança.
    Resumindo, você terá que fazer as atualizações manualmente, se quiser.
  • Em alguns casos, pode ser complicado remover software instalado através deste método. Se você não sabe exatamente aonde foi gravado cada arquivo associado do aplicativo principal, pode acabar com um sistema cheio de coisas que não usa mais.
  • Pode haver perda de dados, em casos (embora raros) de conflito com o restante do sistema.

No texto Como Preservar a Integridade e a Estabilidade da sua Instalação Debian, são enumeradas as várias armadilhas que podem quebrar o seu sistema. Entre elas, compilar softwares do código fonte.

Como usar o checkinstall

Para solucionar parte destes problemas, use o checkinstall.
Este utilitário pode ajudar a rastrear softwares locais e a produzir arquivos binários que podem ser manipulados pelo seu aplicativo de gestão de pacotes.

O checkinstall produz um pacote binário que pode ser gerenciado pelo sistema de gestão de pacotes — facilitando, entre outras coisas, a futura desinstalação.

Trata-se de um programa que monitora o processo de instalação feito por ‘make install’ ou por um script ‘install.sh’ e cria um pacote padrão para a sua distribuição.
Atualmente, o checkinstall suporta pacotes deb, rpm e tgz — que podem ser usados, respectivamente, pelos gestores dpkg, rpm e installpkg.
Na maioria dos casos, o checkinstall precisa ser executado com privilégios administrativos, para ser realmente útil.
Sua sintaxe segue o padrão de linha de comando GNU:
checkinstall opções comando-de-instalação
Seu funcionamento segue os seguintes passos:

# entre no diretório em que se encontra o código fonte
./configure
make
sudo checkinstall

Se você prefere gerar pacotes .deb, para o seu sistema Debian/Ubuntu, use a opção ‘-D’:

sudo checkinstall -D 

Se preferir gerar pacotes RPM, use a opção ‘-R’; ou ‘-S’, para criar um pacote Slackware.
Use a opção ‘–install=no’ para evitar a instalação automática do pacote.
O exemplo, abaixo, cria um pacote RPM e sai, sem instalar nada:

sudo checkinstall -R --install=no

O novo pacote criado, ficará disponível no mesmo local em que você executou o comando. Basta usar o comando ls, para encontrá-lo.

Referências

https://manpages.debian.org/cgi-bin/man.cgi?sektion=8&query=checkinstall&apropos=0&manpath=sid&locale=en.
https://wiki.debian.org/CheckInstall.

Conteúdo relacionado pelo Google

Gestão de pacotes para iniciantes.

A mudança de sistema operacional comumente vem acompanhada de um choque cultural. Um dos principais momentos em que isto ocorre, quando um usuário Mac ou Windows se posiciona em frente à uma máquina Linux é aquele em que precisa instalar algum software novo ou atualizar o sistema.
Este é um dos pontos em que a diferença é grande.
Para quem vem do Fedora ou do Opensuse, a gestão de pacotes é diferente, mas segue a mesma lógica.
gnome software center
As várias distros GNU/Linux possuem sistemas completos para gestão de pacotes — que cuidam da instalação, configuração e, se quiser, da remoção de softwares. Além disto, o sistema cuida das dependências — o que significa que vai atrás das bibliotecas e dos softwares adicionais necessários para que o aplicativo desejado seja instalado e usado plenamente.
Este sistema varia de acordo com cada distribuição e é comum que cada uma tenha seus próprios repositórios (ou loja de aplicativos, para facilitar a compreensão do conceito).

Fora do tradicional, há exceções, como compilar o código, baixar e instalar o conjunto completo com software e bibliotecas, como o snap ou pacote em tar.gz (para citar alguns exemplos).

Quando você usa o Google Play ou a app Store da Apple, saiba que a prática de fornecer todos os aplicativos pros usuários da sua plataforma em um só lugar, centralizado, já vai completar algumas décadas no mundo Linux.
Claro que os repositórios das grandes distribuições, como a Debian ou o Ubuntu (derivado da primeira) não são “centralizados”. Eles são espelhados e distribuídos, mundo afora, em vários servidores.
Assim, quem está no Brasil, pode fazer downloads mais rápidos a partir de servidores localizados na América Latina.

Gestão de softwares no Windows e no Mac

Os usuários Windows estão acostumados a baixar arquivos .exe e .msi da Internet ou instalá-los a partir de mídias físicas CD/DVD, com assistente de instalação.
Ainda que este método continue a ser usado nas próximas décadas, as novas versões do sistema operacional caminham na direção de oferecer os programas dos usuários centralizados em uma loja online.
As atualizações dos aplicativos, ou são feitas pelos próprios aplicativos ou os usuários precisam verificar online se há novas versões para seus programas.
Os usuários Mac já estão mais acostumados com o modelo de loja central, para adquirir os seus aplicativos. Mas também instalam bastante a partir de mídias físicas ou da Internet.
Os aplicativos adquiridos na App Store são atualizados automaticamente, o que diminui a quantidade de softwares desatualizados no sistema, com possíveis falhas de segurança, inclusive.

Gestão de software no Linux

GNOME Software Center
Usuários Ubuntu não têm a prática de procurar e baixar seus softwares “em sites” da Internet. Embora seja possível, é muito incomum. Da mesma forma, dificilmente adquirem aplicativos separados em CD/DVD.
O próprio sistema é que se encarrega de mostrar um menu com os aplicativos disponíveis (e você os pode organizar por categoria), seus preços (a maioria gratuitos), entre outras informações. Se você usa um smartphone, então sabe como se faz.
Cada distribuição ou sabor Linux tem o seu próprio sistema de gestão de softwares. É comum ter mais de uma forma de acessar os repositórios, para a conveniência dos usuários.
Embora eu sempre recomende aos iniciantes os gestores gráficos, no dia a dia uso a linha de comando para instalar ou desinstalar meus aplicativos — e há muito tempo não instalo softwares individuais a partir de CD/DVD.
Contudo, aplicativos como o Firefox nightly, baixo do site oficial da Mozilla. Da mesma forma, baixo e instalo o NetBeans Nightly e o Komodo Editor — neste caso, trata-se de exceções. Estes softwares estão disponíveis nos repositórios normais, nas suas versões estáveis.
Todos softwares instalados podem ser atualizados ao pressionar um botão, ao dar um comando… ou sem fazer nada — quando chegam, as atualizações são aplicadas automaticamente.
GNOME Software Center

Os vários gestores de pacotes do Linux, pro terminal

Os aplicativos gráficos de gestão de software, mesmo que diferentes de uma distribuição para outra, não são complicados.
A busca por aplicativos, para quem usa um smartphone no dia a dia, ocorre intuitivamente no ambiente gráfico do Ubuntu, do Debian, Opensuse etc.
Mesmo assim, muita gente prefere usar o bom e velho terminal para instalar ou remover qualquer coisa ou, ainda, atualizar o sistema — é um método muito mais ágil.

Sites com tutoriais, preferem mostrar como resolver problemas usando o terminal. Entre outros motivos, por que permite ao leitor a comodidade de copiar o comando do site e colar no seu console.

Abaixo segue uma tabela com os nomes de alguns dos gestores de softwares mais comuns de algumas das principais distribuições Linux:

Distro Nome do gestor de software
Debian e Ubuntu apt, aptitude, apt-get
Fedora yum, yumex, dnf
Arch Linux emerge
Opensuse zypper

Vantagens dos sistemas de gestão de pacotes

No começo, cada novo programa era distribuído como um binário (que nem no Windows/DOS) ou em código-fonte, para ser compilado pelo usuário/administrador do sistema.
Os sistemas de gestão de pacotes, nas várias distribuições GNU/Linux oferecem diversas vantagens em relação a esta abordagem:

  1. Tornar fácil saber que versão do pacote de softwares já se encontra instalada no sistema ou está disponível no repositório.
  2. Tornar fácil a remoção de qualquer software instalado no seu sistema, bem como suas dependências e (opcionalmente) arquivos de configuração.
  3. Simplificar a verificação da integridade dos arquivos dentro do pacote — assim você não instala software corrompido ou “mexido”.
  4. Simplificar a atualização fazendo a remoção automática das versões antigas para instalar as novas — evitando que o procedimento desestabilize o seu sistema.
  5. Tornar transparente o que os pacotes requerem ou oferecem, antes de você começar a instalação.
  6. Simplificar tarefas complexas, como instalar ou remover grupos grandes de pacotes, como os que são necessários para ter um servidor LAMP, por exemplo.
  7. Quando uma versão nova, instalada, apresenta algum bug, é possível, em alguns casos, reverter com facilidade para a versão anterior do software.

Como encontrar e instalar pacotes de aplicativos via linha de comando

Os exemplos, que seguem, se baseiam nas distribuições Debian e Ubuntu, para mostrar basicamente como gerenciar softwares em seu sistema.
Para se aprofundar leia mais sobre o apt.
Se quiser saber como o processo funciona no Opensuse, leia gestão de pacotes com o zypper.
Quando desejo encontrar algum aplicativo relativo a uma determinada área ou categoria, posso usar o parâmetro search para efetuar uma pesquisa nos repositórios.
Veja um exemplo de como encontrar softwares de CAD (Computer Aided Design) para instalar no Ubuntu:

apt search cad

A lista de resultados pode ser enorme, uma vez que o apt irá procurar todos as referências que contenham a cadeia de caracteres “cad”.
Pra resolver isto, use o comando grep:

librecad - Computer-aided design (CAD) system
librecad-data - Computer-aided design (CAD) system -- shared files
tdiary-theme - Themes of tDiary to change the design
alsaplayer-gtk - PCM player designed for ALSA (GTK+ version)
geda-gsymcheck - GPL EDA -- Eletronics design software (verificador de símbolos)

Para instalar o freeCAD, uso o comando apt, assim:
sudo apt install freecad

Referências

Leia textos mais específicos sobre gestão de pacotes.

Conteúdo relacionado pelo Google

Gestão de pacotes na CLI do openSUSE

Instalar programas, atualizar o sistema, remover pacotes de softwares desnecessários, deixar o sistema enxuto — enfim, gerenciamento de pacotes.
Neste texto, vou mostrar como estas atividades podem ser realizadas na CLI (Command Line Interface) ou interface da linha de comando — ou, simplesmente, o bom e eficiente terminal.
Escrevo sob a ótica de um usuário Debian/Ubuntu, de longa data, obrigado a usar um notebook openSUSE por alguns dias (ei! Estou gostando!) — e mantenho o hábito de resolver meus problemas com a flexibilidade e agilidade que só a CLI proporciona.
Se você tiver dificuldade para entender algum conceito, dê uma olhada no glossário, ao final do texto.

Mesmo em inglês o termo CLI não tem homogeneidade no seu significado, podendo ser também Command Language/Line Interpreter (Interpretador de Linguagem/Linha de Comando).
Outros termos se aplicam, como CUIConsole User Interface (Interface de Usuário no Console) ou Character User Interface (Interface ao Usuário em Caracteres).

Métodos tradicionais de instalação

A grande maioria dos usuários Linux sempre instalou seus softwares no computador, da mesma forma como, hoje, instala no smartphone — escolhendo de uma central de programas (comumente chamada “loja” ou store).
Há outros métodos, contudo, que existiam antes e ainda vão existir por muito tempo, em função de oferecer maior flexibilidade de uso, como veremos no decorrer deste texto.

Se você está vindo da “terra do Windows”, saiba que seus dias de ficar procurando programas de origem duvidosa, de sites duvidosos, acabaram. Ninguém faz isto no Linux, desde a década de 90!

Baixar e compilar os fontes de um software é o método mais tradicional, que merece um post só para ele — e que tem diversas vantagens em cima dos outros.
A preocupação de possibilitar aos usuários finais de seus softwares instalar, não somente, o programa principal, mas ter todo o ‘ecossistema’ de bibliotecas necessárias ao seu funcionamento, acompanha os desenvolvedores Linux desde os primórdios.
Um “pacote de softwares”, portanto, contém o programa que você quer, junto com algumas bibliotecas de necessidade imediata e informações sobre outras bibliotecas e softwares, cuja instalação é necessária ou sugerida.
O sistema de gestão de pacotes do Linux é capaz de baixar e instalar o programa do pacote, junto com as suas bibliotecas e — mais importante! — verificar se o sistema já tem todos os outros softwares necessários para o funcionamento do aplicativo que você deseja. Se não estiverem presentes, o gestor sugere sua instalação e informa, por exemplo, o tamanho que toda a instalação irá ocupar ao final.
Pacotes de softwares costumam vir comprimidos dentro de arquivos RPM e podem ter o mesmo problema de baixar softwares para Windows (se você não tiver certeza da idoneidade do site de onde você o pegou).
opensuse oficial logo

Gestão de pacotes com o zypper

O ZYpp (ou libzypp) é um mecanismo de gestão de pacotes que move aplicações Linux, como o YaST, Zypper e as implementações de Packagekit para o openSUSE e o SUSE Linux Enterprise.
Trata-se de uma ferramenta desenvolvida nos laboratórios da Novell e é distribuída sob a GPL v2.0.
O Zypper é o frontend para CLI do gestor de pacotes ZYpp.
Pode ser usado para instalar, remover pacotes, atualizar o sistema e exibir informações sobre pacotes de softwares locais ou remotos.

O Zypper também faz parte do sistema de gerenciamento de pacotes de distribuições Linux voltadas para equipamentos móveis, como o MeeGo, Sailfish OS e o Tizen (da Samsung).

Vejamos alguns exemplos de uso.
Para atualizar as informações do seu sistema em relação aos repositórios do openSUSE, use o comando refresh:

sudo zypper refresh
root's password:
O repositório 'openSUSE-13.2-Non-Oss' está atualizado.
Obtendo os metadados do repositório 'openSUSE-13.2-Oss' ---------------------[\]
Construindo o cache do repositório 'openSUSE-13.2-Oss' ..............[concluído]
Obtendo os metadados do repositório 'openSUSE-13.2-Update' ------------------

...

Se você pretende adotar a CLI para remover, instalar e atualizar seus softwares no openSUSE, é recomendável executar o refresh sempre, antes de começar.
Este processo serve para baixar e sincronizar os metadados dos pacotes entre o repositório remoto (ou em uma mídia) e o repositório local — construindo o solv cache, localizado em /var/cache/zypp/solv.
Depois do refresh, você pode tentar localizar o pacote ou pattern (padrão, perfil de instalação) desejado, com o comando search:

zypper search games

Veja o resultado dividido por colunas:

  1. coluna indicativa do status ou estado atual do pacote ou padrão. ‘i’ quer dizer que está instalado.
  2. nome do pacote ou padrão.
  3. descrição do pacote ou padrão.
  4. especificação da entidade.

Abaixo, segue o meu resultado — que mostra que o pattern ‘games’ já se encontra instalado:

Carregando os dados do repositório...
Lendo os pacotes instalados...

S | Nome                          | Resumo                        | Tipo        
--+-------------------------------+-------------------------------+-------------
  | bsd-games                     | Several Text-Mode Games       | pacote      
i | games                         | Games                         | padrão      
  | gnome-games                   | Games for GNOME -- meta pac-> | pacote      
  | gnome-games-extra-data        | Extra data files for GNOME -> | pacote      
i | gnome-games-recommended       | Recommended Games for GNOME   | pacote      
  | gnome-games-scripts           | Build helpers for gnome gam-> | pacote      
  | kdeaddons3-games              | Additional Modules for Atla-> | pacote      
  | kdegames3                     | Games for KDE                 | pacote      
  | kdegames3-arcade              | Arcade games for KDE          | pacote      
  | kdegames3-board               | KDE board games               | pacote      
  | kdegames3-card                | Card games for KDE            | pacote      
  | kdegames3-devel               | Games for KDE: Build Enviro-> | pacote      
  | kdegames3-tactic              | Tactic and logic games for -> | pacote      
  | kdegames4-carddecks-default   | Default Card Decks for KDE -> | pacote      
  | kdegames4-carddecks-other     | Further Card Decks for KDE -> | pacote      
  | libkdegames                   | General Data for KDE Games    | pacote      
  | libkdegames                   | General Data for KDE Games    | pacote fonte
  | libkdegames-devel             | Library for KDE Games: Buil-> | pacote      
  | libkdegames6                  | Library for KDE Games         | pacote      
  | opengl-games-utils            | Utilities to check proper 3-> | pacote      
i | patterns-openSUSE-games       | Games                         | pacote      
i | patterns-openSUSE-gnome_games | GNOME Games                   | pacote      
  | patterns-openSUSE-kde4_games  | KDE4 Games                    | pacote      
  | racket-games                  | Sample games from Racket Sc-> | pacote      
  | texlive-collection-games      | Games typesetting             | pacote      
  | texlive-context-games         | Package context-games         | pacote      
  | texlive-context-games-doc     | Documentation for texlive-c-> | pacote      

Como é possível observar, na figura abaixo, o padrão games, que já vem incluído na instalação “padrão”, não é muito extenso.
padrões de jogos no opensuse
É possível reduzir o tamanho da saída do comando search com a opção ‘–uninstalled-only’, que vai mostrar apenas os pacotes/padrões que já se encontram instalados no seu sistema. O contrário desta opção é ‘–installed-only’.
Veja um exemplo:

zypper search --installed-only games
Carregando os dados do repositório...
Lendo os pacotes instalados...

S | Nome                          | Resumo                      | Tipo  
--+-------------------------------+-----------------------------+-------
i | games                         | Games                       | padrão
i | gnome-games-recommended       | Recommended Games for GNOME | pacote
i | patterns-openSUSE-games       | Games                       | pacote
i | patterns-openSUSE-gnome_games | GNOME Games                 | pacote

Se quiser obter informações sobre um dos pacotes (na primeira lista), uso o comando info:

zypper info opengl-games-utils
Carregando os dados do repositório...
Lendo os pacotes instalados...


Informação para pacote opengl-games-utils:
------------------------------------------
Repositório: openSUSE-13.2-Oss
Nome: opengl-games-utils
Versão: 0.1-8.1.2
Arquitetura: noarch
Fornecedor: openSUSE
Instalado: Não
Status: não instalado
Tamanho após instalado: 2,4 KiB
Resumo: Utilities to check proper 3d support before launching 3d games
Descrição: 
  This package contains various shell scripts which are intended for use by
  3D games packages. These shell scripts can be used to check if direct
  rendering
  is available before launching an OpenGL game. This package is intended for use
  by other packages and is not intended for direct end user use!

De acordo com as informações, acima, é possível estabelecer que os softwares dentro do pacote, após a instalação, ocuparão 2,4 KiB.
Pela descrição, depreende-se que se trata de uma “dependência”, ou seja, este software não será executado diretamente pelo usuário final, mas pelos programas de jogos que necessitam testar o suporte aos gráficos 3d.
Para instalar um pacote, use o comando install, do zypper:

sudo zypper install opengl-games-utils
root's password:
Carregando os dados do repositório...
Lendo os pacotes instalados...
Resolvendo as dependências de pacote...

O seguinte pacote NOVO será instalado:
  opengl-games-utils 

1 novo pacote a ser instalado.
Tamanho total do download: 5,2 KiB. Já baixado: 0 B  Após a operação, 2,4 KiB 
adicionais serão utilizados.
Continuar? [s/n/? exibe todas as opções] (s): 

Note que, para atualizar (refresh), instalar e remover pacotes, já é necessário ter privilégios de superusuário.

Se quiser desinstalar o pacote, mais pra frente, use o comando remove:

sudo zypper remove opengl-games-utils
Carregando os dados do repositório...
Lendo os pacotes instalados...
Resolvendo as dependências de pacote...

O seguinte pacote será REMOVIDO:
  opengl-games-utils 

1 pacote para remover.
Após a operação, 2,4 KiB será liberado.
Continuar? [s/n/? exibe todas as opções] (s): 

Como última dica, caso você não se lembre do complemento exato do comando que deseja, use a tecla TAB, para obter uma lista de possibilidades na linha de comando, sem precisar abortar a atual linha:

zypper [pressione a tecla TAB]
Display all 108 possibilities? (y or n)
?
addlock
addrepo
addservice
al
ar
as
--cache-dir
cl
clean
cleanlocks
--config
--disable-repositories
--disable-system-resolvables
dist-upgrade
download
dup
--gpg-auto-import-keys
help
--help
if
--ignore-unknown
in
--More--

Glossário da gestão de pacotes no openSUSE


  • Repositório — é um diretório local ou remoto, contendo pacotes de softwares, além de informações adicionais acerca destes pacotes (meta-dados dos pacotes)
  • Pattern ou padrão — é um grupo de pacotes instalável e dedicado a certo propósito.
    Por exemplo, o grupo Laptop pattern contém todos os pacotes necessários para constituir um ambiente de computação móvel.
    O conceito é semelhante ao do Tasksel, no Debian.
    Os patterns definem as dependências de cada pacote componente do grupo e vem com uma pre-seleção de itens marcados para a instalação.
    Desta forma, ele garante que todos os pacotes de aplicativos necessários para aquele tipo de perfil de uso estarão presentes no equipamento de instalação.
  • Pacotes — são arquivos comprimidos, em formato RPM, contendo os arquivos referentes a uma aplicativo
  • Patch — consiste de um ou mais pacotes e podem conter dependências de outros pacotes que ainda não estejam instalados.
  • Dependências — são softwares ou bibliotecas de softwares dos(as) quais outros aplicativos dependem para serem instalados e/ou funcionar.
    Se você vai instalar um pacote de softwares e este necessita de outros pacotes para poder ser instalado e usado, estes outros pacotes complementares são chamados “dependências”.

Se você já conhece o sistema de gerenciamento de pacotes do Debian e Ubuntu, tenho certeza de que tudo isto lhe é muito familiar.

Conteúdo relacionado pelo Google