Monitore sua conexão WiFi com o Wavemon

O programa Wavemon (Wave Monitor ou monitor de onda, em tradução livre), permite analisar o estado da sua conexão à rede local com muito pouco consumo de recursos do seu sistema.
O wavemon é o programa ideal para rodar em um computador como o Raspberry Pi ou, mesmo, em um laptop parrudo — caso a economia dos recursos de processamentos sejam importantes para você.

Instalação do Wavemon

O aplicativo faz parte dos repositórios das grandes distribuições GNU/Linux.
Ele pode ser facilmente instalado usando o gerenciador padrão da sua distro, portanto: apt, dnf, yum, pacman etc.
No Debian e no Ubuntu, ele pode ser instalado com o apt:


sudo apt install wavemon

Lendo listas de pacotes... Pronto
Construindo árvore de dependências       
Lendo informação de estado... Pronto
Os NOVOS pacotes a seguir serão instalados:
  wavemon
0 pacotes atualizados, 1 pacotes novos instalados, 0 a serem removidos e 51 não atualizados.
É preciso baixar 51,3 kB de arquivos.
Depois desta operação, 122 kB adicionais de espaço em disco serão usados.
Obter:1 http://deb.debian.org/debian testing/main amd64 wavemon amd64 0.8.2-1 [51,3 kB]
Baixados 51,3 kB em 1s (64,2 kB/s)          
A seleccionar pacote anteriormente não seleccionado wavemon.
(Lendo banco de dados ... 160782 ficheiros e directórios actualmente instalados.)
A preparar para desempacotar .../wavemon_0.8.2-1_amd64.deb ...
A descompactar wavemon (0.8.2-1) ...
Configurando wavemon (0.8.2-1) ...
A processar 'triggers' para man-db (2.8.3-2) ...

Uma vez instalado, basta rodar, da linha de comando (sem privilégios):


wavemon

Instale o wavemon no laptop e movimente-se dentro da casa ou do escritório, para descobrir aonde o sinal do WiFi é mais forte ou mais fraco.

wavemon

Uso básico do Wavemon

Como é possível observar, na imagem acima, o aplicativo provê, de cara, algumas informações bem interessantes.
Segue algumas dicas básicas de uso do programa.

Para começar, use a tecla ‘q’ para sair do wavemon, a qualquer momento. A tecla F10 tem o mesmo efeito.

O aplicativo tem várias telas de monitoramento ou de trabalho.
Podem ser selecionadas através das teclas de função (F1, F2 etc.)
A tela principal é a de informações gerais — e pode ser acionada com a tecla F1.

Com a tecla F2, é possível acessar o histograma referente ao nível do sinal de rede.

Como obter informações dos roteadores dos vizinhos

Faça um scan na vizinhança e determine a força dos sinais dos roteadores ao seu redor.
Para isso, você deve acessar a tela F3 – Scan, que permite varrer a rede local e obter informações sobre os sinais dos roteadores próximos.
wavemon

Estas informações (imagem acima) são disponibilizadas para quem entrou no wavemon usando privilégios administrativos.

Linux no Notebook Dell Inspiron 14 5448

As máquinas Dell são conhecidas por serem razoavelmente amigáveis com quem prefere usar uma das várias distribuições Linux.
Este post tem como objeto de análise um laptop Dell Inspiron 14 série 5000 Special Edition ou apenas Dell Inspiron 5448.
Conforme é possível observar no site oficial da Canonical, a máquina tem compatibilidade com o sistema operacional Ubuntu 14.04 LTS “Trusty Tahr”, condicionada a você manter a versão que vem pré-instalada no sistema.
Isto quer dizer que você pode ter dificuldades para configurar alguns detalhes do hardware (como o sistema híbrido de GPUs).
Se você não estiver disposto a se dar ao trabalho de configurar manualmente parte do sistema de hardware do seu laptop Dell, não remova a versão do sistema operacional que já vem instalada nele.

Faça backup do Ubuntu presente no seu laptop

Quando você liga um laptop Dell, pela primeira vez, ele dá início ao processo de pré-instalação e personalização do seu sistema.
Veja a animação no vídeo abaixo:

Durante o procedimento, ele irá pedir para você inserir um pendrive em branco para fazer o backup do sistema. Isto permite que você possa reinstalar sempre que precisar a distro Ubuntu certificada para o seu modelo.
Dell Inspiron 14 5000 series modelo 5448

Como funciona o Dell com outras versões do Linux

O Ubuntu 14.04 LTS, padrão que pode ser baixado do site da Canonical, funciona bem e já vem com uma série de drivers proprietários prontos para uso.
Mas, o openSUSE Leap 42.2 foi o que funcionou melhor, de acordo com os meus testes — sempre desconsiderando a GPU híbrida, que só é adequadamente reconhecida com a versão pré-instalada do Ubuntu.
No Ubuntu 16.04 LTS “Xenial Xerus”, os drivers proprietários da AMD foram removidos, o que te obriga a baixá-los do site da companhia, neste link: http://support.amd.com/pt-br/download/linux — este e outros links para downloads estão organizados ao final do texto, na seção “Referências”.
Você também pode usar o driver proprietário amdgpu, disponível nos repositórios mais atuais.
Instalar o Debian pode ser uma tarefa um pouco mais difícil, contudo.
Será necessário instalar a partir de uma imagem non-free, com os firmwares proprietários.
Se você tiver interesse na leitura, o post O que fazer após instalar o Debian foi baseado nesta máquina — e este texto é uma ramificação daquele.
O que resta fazer, depois da configuração básica do Debian 8.4, neste notebook, é configurar estes 3 itens:

  1. Touchpad — para que sejam aceitos todos os gestos de toques.
  2. Placa de rede Intel 7265 — para ter uma conexão melhor.
  3. Processamento gráfico híbrido Intel Broadwell/Radeon R7 M260/M265 — ou você usa o driver opensource ou baixa e instala o proprietário.

Este texto se baseia na distribuição GNU/Linux Debian 8.4 “Jessie” (com kernel 3.16). Mas devo avisar que o Debian 9 “Stretch” (com kernel 4.5), que está (na data deste post) em modo de desenvolvimento testing apresentou melhor desempenho, mais estabilidade e menos trabalho para instalar.
Em contraste com o kernel presente no Jessie, a versão presente no Stretch, traz drivers mais atuais e melhor suporte para os componentes do Dell Inspiron 5448.

Uma breve análise do notebook Dell Inspiron 14 série 5000

Este Inspiron, vem com 8 GiB de memória, processador Intel i7-5500U 2.40G
Trata-se de uma máquina com 2 aspectos muito interessantes e que chamam a atenção imediata no site de vendas da Dell:

  • Armazenamento híbrido — O SSHD de 1 TiB vem acompanhado de uma unidade SSD de 8 GiB, que funciona automaticamente como um cache.
    A depender do tipo de atividades que você for exercer nesta máquina, levando em conta que o sistema de cache tem seu ápice em atividades repetitivas ou previsíveis, vai ter a impressão de que a unidade inteira é um SSD de um 1 TiB.
    Programas pesados, que abrem arquivos grandes, como o Audacity, o Gimp, o Openshot etc. são muito rápidos nesta configuração de hardware.
    O recurso de hibernação (no Debian 9) funcionou de primeira, o que permite que ela volte instantaneamente deste estado.
  • Processamento gráfico híbrido — O objetivo de se ter 2 unidades de processamento gráfico, nesta máquina é a economia de energia e não, exatamente, o desempenho superior.
    Vários fabricantes de laptops desenvolveram tecnologias de uso de 2 placas gráficas em um único computador.
    Uma, básica, voltada para o uso trivial, do dia a dia, sem estar conectado à tomada e com baixíssimo consumo de energia.
    A outra é voltada para atividades que exijam maior performance.
    Esta tecnologia é bem suportada no Windows, mas ainda é experimental no Linux.

    Chamamos de processamento gráfico híbrido uma configuração de 2 placas gráficas, com diferentes habilidades e consumo de energia.

    Na configuração deste laptop a concepção é usar a GPU integrada Intel Broadwell-U como a principal unidade, para realizar as tarefas mais básicas.
    A unidade secundária, chamada discrete unit é voltada para renderização 3D e outras tarefas mais pesadas.

O comando lshw pode ser invocado, com a opção ‘-short’ para obter um resumo do hardware integrado:

sudo lshw -short

(Em destaque, os itens que vão ter nossa atenção na configuração pós-instalação.

H/W path        Device     Class          Description
=====================================================
                           system         Computer
/0                         bus            Motherboard
/0/0                       memory         7923MiB System memory
/0/1                       processor      Intel(R) Core(TM) i7-5500U CPU @ 2.40G
/0/100                     bridge         Broadwell-U Host Bridge -OPI
/0/100/2                   display        Broadwell-U Integrated Graphics
/0/100/3                   multimedia     Broadwell-U Audio Controller
/0/100/14                  bus            Wildcat Point-LP USB xHCI Controller
/0/100/14/0     usb2       bus            xHCI Host Controller
/0/100/14/1     usb1       bus            xHCI Host Controller
/0/100/14/1/5              communication  Bluetooth wireless interface
/0/100/14/1/7              generic        USB2.0-CRW
/0/100/14/1/8              multimedia     Integrated_Webcam_HD
/0/100/16                  communication  Wildcat Point-LP MEI Controller #1
/0/100/1b                  multimedia     Wildcat Point-LP High Definition Audio
/0/100/1c                  bridge         Wildcat Point-LP PCI Express Root Port
/0/100/1c.2                bridge         Wildcat Point-LP PCI Express Root Port
/0/100/1c.2/0   eth0       network        RTL8101E/RTL8102E PCI Express Fast Eth
/0/100/1c.3                bridge         Wildcat Point-LP PCI Express Root Port
/0/100/1c.3/0   wlan0      network        Wireless 7265
/0/100/1c.4                bridge         Wildcat Point-LP PCI Express Root Port
/0/100/1c.4/0              display        Topaz XT [Radeon R7 M260/M265]
/0/100/1d                  bus            Wildcat Point-LP USB EHCI Controller
/0/100/1d/1     usb3       bus            EHCI Host Controller
/0/100/1d/1/1              bus            USB hub
/0/100/1f                  bridge         Wildcat Point-LP LPC Controller
/0/100/1f.2                storage        Wildcat Point-LP SATA Controller [AHCI
/0/100/1f.3                bus            Wildcat Point-LP SMBus Controller
/0/2            scsi0      storage        
/0/2/0.0.0      /dev/sda   disk           1TB ST1000LM014-1EJ1

A configuração deste notebook é boa para uso comum e até para a maioria dos jogos nativos Linux, mas não é satisfatória para rodar jogos mais exigentes.
Laptops da Dell, para gamers tem preços iniciais 50% mais caros que este — e podem chegar a 5 vezes o seu valor .
Mais informações sobre a configuração gráfica, serão abordadas mais pra frente, ainda neste post.

O touchpad do Dell Inspiron

O touchpad, no Debian 8.4 GNOME, já “nasce” funcionando. Basta ativar o “clique com um toque” no painel de configuração.
gnome - touchpad - toque para clicar
Depois disto, ele entenderá os gestos no touchpad, da seguinte forma:

  • 1 toque = 1 clique com o botão principal (esquerdo) do mouse
  • 1 toque com 2 dedos simultâneos = 1 clique com o botão secundário (direito) do mouse
  • 1 toque com 3 dedos simultâneos = 1 clique com o botão do meio do mouse. Usualmente serve para colar o texto que se encontra na área de transferência

Se você ainda tiver problemas com o touchpad no GNOME ou no XFCE, instalar o pacote kde-config-touchpad, pode resolver:

sudo aptitude update
aptitude install kde-config-touchpad

Configuração da placa de rede

Sem a instalação de um pacote de firmwares proprietários, este equipamento fica com uma configuração de rede muito instável — além de lenta, cai o tempo inteiro.
Intel wireless adapter
O chip de rede sem fio Intel Dual Band Wireless-AC 7265 oferece suporte ao padrão 802.11ac, a 2 x 2 Wi-Fi e contém um adaptador Bluetooth 4.0.
Você pode encontrar os drivers específicos para a sua placa de rede Intel na sessão de links ao final do texto ou nos repositórios da sua distro.
Para fazer a instalação via aptitude, informe o nome do pacote:

sudo aptitude install firmware-iwlwifi

O pacote traz suporte a dezenas de outros firmwares e hardware de rede wireless da Intel. Use o comando show, para ver a relação completa:

aptitude show firmware-iwlwifi

Você terá um desempenho melhor da placa de rede, se usar um kernel mais atual. Portanto, este passo não é necessário no Debian 9.

Como configurar o processamento gráfico híbrido no seu notebook

Na configuração padrão, do Jessie, o sistema reconhece, mas não habilita adequadamente a segunda GPU — AMD Radeon R7 M260/265 com processador Topaz XT.
Quando a carga de trabalho da GPU se torna muito elevada, o X11 “apaga” e volta para a tela de autenticação do GNOME.
Para começar a abordar o problema, é preciso instalar o pacote de suporte open source.
Uma busca pelo driver proprietário da AMD, para as suas GPUs, mostra que eu já o tenho instalado no sistema (veja o destaque):

aptitude search fglrx
p   boinc-client-fglrx                                                 - metapackage for AMD/ATI fglrx-savvy BOINC client and manager                 
i A fglrx-atieventsd                                                   - events daemon for the non-free ATI/AMD RadeonHD display driver               
v   fglrx-atieventsd-virtual	-                                                                              
i   fglrx-control                                                      - control panel for the non-free ATI/AMD RadeonHD display driver               
v   fglrx-control-virtual                                              -                                                                              
i   fglrx-driver                                                       - non-free ATI/AMD RadeonHD display driver
v   fglrx-kernel-15.12                                                 -                                                                              
v   fglrx-kernel-15.9                                                  -                                                                              
v   fglrx-kernel-dkms                                                  -                                                                              
i   fglrx-modules-dkms                                                 - dkms module source for the non-free ATI/AMD RadeonHD display driver          
p   fglrx-source                                                       - kernel module source for the non-free ATI/AMD RadeonHD display driver        
i A glx-alternative-fglrx                                              - allows the selection of FGLRX as GLX provider                                
i A libfglrx                                                           - non-free ATI/AMD RadeonHD display driver (runtime libraries)                 
i A libfglrx-amdxvba1                                                  - AMD XvBA (X-Video Bitstream Acceleration) backend for VA API                 
v   libfglrx-virtual                                                   -                                                                              
i A libgl1-fglrx-glx                                                   - proprietary libGL for the non-free ATI/AMD RadeonHD display driver           
v   libgl1-fglrx-glx-virtual                                           -                                                                              
v   xserver-xorg-video-fglrx                                           -                                                                              

Desempenho da placa gráfica Intel Broadwell U

A avaliação do desempenho (ou benchmarking) foi feita com o glmark2.
Contudo, no Debian 8.4 Jessie, a performance da placa foi insatisfatória — obtive um ridículo score 68.
Em contraste, logo após a instalação do Debian 9 Stretch – também sem qualquer configuração adicional – obtive um score 540 — um índice 7,9 vezes superior!
Não há dúvida. O Debian certo para este laptop, é o Stretch.
Note que ambos os scores se referem ao desempenho da placa Intel (integrada). É necessária alguma configuração extra (que não será abordado aqui) para pôr a segunda GPU para funcionar.
A Intel Broadwell U, com apenas 256 MiB de memória RAM, foi capaz de rodar um benchmark completo da Unigine, em modo Extreme.
No que toca a GPU discrete, da AMD, com os aplicativos proprietários, disponíveis no site, há várias possibilidades interessantes. Entre estas, cito:

  1. optar por uma ou outra GPU para trabalhar
  2. permitir que o sistema selecione automaticamente a GPU a ser usada, em função da carga de trabalho ou da necessidade de economizar energia, quando o notebook estiver fora da tomada

E a ventoinha que não pára?

Outra reclamação recorrente, no site da comunidade de usuários Dell, é a ventoinha interna que, alegadamente (entre usuários Windows principalmente), funciona sem necessidade e em excesso.
Preliminarmente, tenho 2 coisas a falar sobre isto:

  1. Vejo problema maior em ventoinhas que não funcionam. Aí, sim! Você tem um perigo real pela frente.
    O barulho não é tão alto e, quem mora em lugar quente, deveria usar uma base com cooler, para não sobrecarregar o fan e proteger seu sistema.
  2. Há usuários cuidadosos e perdulários …
    Sabemos que há pessoas que usam o notebook sobre o colo e/ou sobre a cama, tampando o sistema de exaustão e fazendo-o trabalhar dobrado.

Na minha humilde opinião, o equipamento não tem problemas relacionados ao sistema de refrigeração e achei justificadas todas as vezes em que o fan era ligado no máximo.

Conclusão

O Dell Inspiron 14 serie 5000, modelo 5448, é satisfatoriamente compatível com Linux.
O melhor cenário, atualmente, é na instalação do openSUSE Leap 42.2 ou mantendo o Ubuntu 14.04 LTS que já vem instalado.
O Debian 8.4 pode dar algum trabalho para ser configurado e o Ubuntu 16.04 LTS pode ter um excelente desempenho, com a instalação dos drivers proprietários disponíveis na página da empresa — o que você precisa, não tem nos repositórios da Canonical.
Não experimentei o equipamento com o Fedora, mas vejo esta possibilidade com otimismo.
Em ordem de preferência, se fosse escolher hoje, as melhores distros Linux para esta máquina são, as já citadas, Leap, Trusty Tahr e Stretch.
Ao dar uma olhada no fórum oficial da comunidade de usuários DELL, é perceptível que os usuários Windows também têm alguns problemas de compatibilidade com os equipamentos da empresa.
Nada é perfeito para ninguém. Não há por que ter inveja (nem pena) — eles pagam mais caro e recebem menos tratamento respeitoso de volta da parte das empresas.


Leia mais artigos sobre produtos Dell, no site.

Referências

Como verificar se seu sistema Linux tem suporte a IPv6

Com a popularização (que já está passando da hora) do padrão IPv6, parece pertinente verificar se seu sistema já possui suporte a este protocolo.
Se você está usando uma distribuição atualizada do GNU/Linux, provavelmente tudo estará pronto.
Contudo, sabendo que é fácil, por que não fazer um ou dois testes simples?
Há várias formas de testar o suporte ao IPv6, no Linux.
ipv6 logo gray on white

Como verificar o suporte ao IPv6 no kernel

Como já expliquei antes, o sistema de arquivos /proc funciona como um conjunto de janelas, que nos permitem espiar as condições do kernel.
Para isto, basta usar o comando cat (às vezes combinado ao comando grep) sobre algum dos arquivos virtuais do /proc.
Se o arquivo /proc/net/if_inet6 existe, então o suporte está lá.
Ao olhar o seu conteúdo, é possível verificar quais interfaces, no seu sistema, estão funcionando com suporte ao IPv6:

cat /proc/net/if_inet6 

No meu caso, as interfaces de rede loopback e wireless estão operando com o suporte ao novo protocolo:

00000000000000000000000000000001 01 80 10 80       lo
fe80000000000000c68508fffea50aaa 03 40 20 80    wlan0

Se você preferir, use a seguinte linha de comando, para rodar um teste:

test -f /proc/net/if_inet6 && echo "Este kernel está pronto pro IPv6!"

Se o arquivo if_inet6 estiver presente, o resultado será:

Este kernel está pronto pro IPv6!

Você pode usar esta linha comando em um script, que precise verificar as condições de rede do sistema.
Em máquinas que estejam rodando versões antigas do kernel (anterior ao 2.2.x), você pode verificar se o módulo de suporte ao IPv6 está carregado no kernel:

lsmod |grep -w 'ipv6'
ipv6
268960 12

Nas versões atuais do kernel isto é desnecessário (e não vai retornar qualquer resultado) por que o suporte já vem incluído e compilado.
Você pode usar o comando uname para determinar que versão do kernel está rodando na sua máquina:

uname -r
3.16.0-4-amd64

Obviamente, verificar a versão do kernel, podia ter sido feito logo no começo — e a gente já teria cortado todo este “papo furado”… Mas estamos aqui para aprender. 😉

use o comando ping6 para determinar o suporte ao IPv6

O ping6 é a versão IPv6 do conhecido comando ping. Veja como usar:

ping6 -c4 localhost
PING localhost(localhost) 56 data bytes
64 bytes from localhost: icmp_seq=1 ttl=64 time=0.031 ms
64 bytes from localhost: icmp_seq=2 ttl=64 time=0.034 ms
64 bytes from localhost: icmp_seq=3 ttl=64 time=0.038 ms
64 bytes from localhost: icmp_seq=4 ttl=64 time=0.038 ms

--- localhost ping statistics ---
4 packets transmitted, 4 received, 0% packet loss, time 2998ms
rtt min/avg/max/mdev = 0.031/0.035/0.038/0.005 ms

O resultado, acima, indica que o meu sistema está ok para o IPv6.

Todas as distribuições GNU/Linux atuais e mantidas por suas equipes de desenvolvedores, têm suporte ao protocolo IPv6, sem a necessidade de se fazer qualquer configuração extra.

Se a sua distro não suporta o IPv6, o que é raro, sugiro a leitura do HOWTO no link abaixo (em inglês).

Referências

http://www.tldp.org/HOWTO/Linux+IPv6-HOWTO/systemcheck-kernel.html.

O que acontece se 2 dispositivos de rede tiverem o mesmo endereço MAC?

No âmbito de uma WAN ou da Internet, a probabilidade de esta situação causar alguma confusão ou problema é mínima.
Dentro de uma rede local, dentro do mesmo domínio ou entre 2 (ou mais) dispositivos conectados ao mesmo switch ou roteador, a coisa muda de figura.
Neste caso, a situação de ter dois dispositivos usando o mesmo MAC address, pode ser causa de conflitos — que podem atingir até mesmo o provedor de acesso local.
network-switch-facebook-regular-photo
Uma vez que a rede Ethernet e seu roteador tomam suas decisões de distribuição do fluxo de dados ou switching basedos nos endereços de hardware, ter MACs duplicados envolvidos vai ser motivo de confusão certa.
Ter endereços MAC clonados vai fazer os switches ficar confusos sobre a quem direcionar o fluxo.

A presença de endereços MAC duplicados dá a definição técnica de um loop — cujo resultado costuma ser uma broadcast storm ou congestionamento de transmissões.

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Na prática, o que acontece quando o provedor de acesso detecta 2 MAC addresses iguais?

Normalmente, o provedor de acesso local ou o roteador irá desconectar ou negar serviços a um dos dispositivos clonados e tudo seguirá normalmente na rede (exceto para o dispositivo desconectado).
Quando se tratar de uma rede mais ampla ou WAN, se o dispositivo clonado estiver do outro lado do roteador de acesso, o problema provavelmente passará despercebido, contudo.

IP aliasing no Linux

Este post mostra como aplicar o recurso de IP aliasing a uma interface de rede em uma máquina Linux — o que permite que uma única interface física tenha mais de um endereço IP (como se você tivesse várias placas de rede independentes no seu computador).
A maioria das distro Linux atuais tem o recurso de IP aliasing compilado no kernel. Se este não for o seu caso, você vai ter que carregar o módulo, via insmod
interfaces de rede

O recurso de IP aliasing consiste na associação de um ou mais endereços IP a uma única interface de rede física.
A partir daí, um nó da rede pode ter múltiplas conexões, cada qual servindo a um propósito diferente.
(Wikipedia).

Motivos para usar o recurso de IP aliasing

Há várias razões para alguém querer organizar seu sistema através do uso de várias interfaces lógicas de rede.
Com este recurso, o seu computador vai ficar parecendo “várias computadores” dentro da rede — um pode ser o servidor de impressão, outro o servidor de arquivos, um “terceiro” o servidor web etc.
Esta situação pode ser útil se você tem planos de realmente introduzir outra(s) máquina ao seu parque atual e deseja testar as configurações — basta, depois, transferir tudo pro novo servidor.
O caso contrário também é interessante — concentrar todas as funções de vários servidores em um único, mais parrudo, para poupar o trabalho de manutenção e administração.
Alguns usuários fazem uso do recurso para poder manter seu computador ligado a 2 (ou mais) subredes distintas, simultaneamente.

A vantagem que se sobressai no uso do IP aliasing é que não precisa ter um endereço IP para cada peça de hardware — pelo contrário, você pode gerar um pool de interfaces de rede virtuais (ou aliases) em um único dispositivo.

Como configurar IP aliasing com o ifconfig

A ferramenta ifconfig já foi abordada em outros artigos — recomendo, caso você tenha interesse, ver outros exemplos práticos de uso deste utilitário.
Imagine que tenhamos um interface Ethernet ‘eth0’ no endereço IP 192.168.0.150 e queremos criar um alias ‘eth0:0’ com o endereço 192.168.0.151. Para fazer isto, siga o exemplo:

sudo ifconfig eth0:0 192.168.0.151

Para testar, use o ping:

ping 192.168.0.151

ou use o próprio ifconfig:

ifconfig
...

eth0      Link encap:Ethernet  Endereço de HW 50:b7:c3:04:da:48  
          inet end.: 192.168.0.150  Bcast:192.168.0.255  Masc:255.255.255.0
          UP BROADCAST MULTICAST  MTU:1500  Métrica:1
          pacotes RX:0 erros:0 descartados:0 excesso:0 quadro:0
          Pacotes TX:0 erros:0 descartados:0 excesso:0 portadora:0
          colisões:0 txqueuelen:1000 
          RX bytes:0 (0.0 B) TX bytes:0 (0.0 B)

eth0:0    Link encap:Ethernet  Endereço de HW 50:b7:c3:04:da:48  
          inet end.: 192.168.0.151  Bcast:192.168.0.255  Masc:255.255.255.0
          UP BROADCAST MULTICAST  MTU:1500  Métrica:1
...

Como criar interfaces de rede virtuais permanentes

Até agora, as alterações podem ser desfeitas com um simples reboot — ou seja, não são permanentes.
Para que elas persistam após a reinicialização, é necessário editar o arquivo (nas distribuições derivadas do Debian) /etc/network/interfaces.
Abra o arquivo com o seu editor favorito e acrescente (ou altere) de acordo com o exemplo a seguir:

auto eth0:0
iface eth0:0 inet static
name eth0 Alias
address 192.168.0.151
netmask 255.255.255.0
broadcast 192.168.0.255
network 192.168.0.0

Grave o arquivo /etc/network/interfaces e reinicie o serviço de rede do seu sistema:

sudo service networking restart

ou

sudo /etc/init.d/networking restart

Da mesma forma como você procedeu até aqui, pode continuar a criar novas interfaces lógicas de rede: eth0:1, eth0:2, eth0:3 … eth0:254.

Referências

O comando ifconfig, em exemplos práticos: https://elias.praciano.com/2015/05/como-configurar-sua-interface-de-rede-com-o-ifconfig/.
Penguintutor: http://www.penguintutor.com/linux/networking-ip-alias-tutorial.
Wikipedia – IP aliasing: http://en.wikipedia.org/wiki/IP_aliasing.
Yourownlinux: http://www.yourownlinux.com/2013/09/how-to-create-alias-for-network.html.