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Mitos sobre o FreeBSD

O FreeBSD e seus derivados não são tão conhecidos quanto algumas distribuições GNU/Linux, tal como o Ubuntu, Debian, Opensuse etc.
A falta de informações, às vezes, pode nos levar a acreditar em ou a disseminar fatos que não são verdadeiros sobre um determinado assunto.
Pensando nisto, elaborei este texto (baseado em outros textos) para lançar uma luz mais realista sobre este excelente sistema operacional, chamado FreeBSD.
Vamos abordar alguns dos mitos mais frequentes sobre o sistema operacional FreeBSD.
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O FreeBSD não é UNIX

Para a resposta não soar tão ambígua quanto à questão, vamos esclarecer um fato sobre a palavra UNIX: é uma marca registrada e você precisa de autorização de seus detentores para usá-la comercialmente ou não.
Sob o ponto de vista legal, nós não podemos chamar o FreeBSD de UNIX, portanto.
Já sob o ponto de vista tecnológico/técnico, o FreeBSD é tão unix quanto o Solaris, o HP UX etc.

O FreeBSD é ótimo para servidores, mas ruim para desktops e notebooks

Quando falamos de uso no desktop, queremos um sistema que tenha capacidade, entre outras coisas, de executar aplicativos e arquivos multimídia.
O fato é que o FreeBSD tem um subsistema de som pleno de recursos.
Seu kernel permite que múltiplas aplicações façam uso dos recursos de áudio simultaneamente e independentemente, sem qualquer configuração preliminar.
A instalação padrão do FreeBSD já inclui o X.org — o mesmo usado largamente nas várias distribuições Linux. Portanto, se você já é usuário do KDE, GNOME ou outro ambiente desktop, nada impede que você os continue usando. Basta instalar.
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O PC-BSD é um sistema derivado do FreeBSD que já vem melhor preparado para usuários iniciantes e possui um sistema de instalação muito mais fácil de usar e, opcionalmente, dispõe de suporte comercial.

O modelo de desenvolvimento do FreeBSD é fechado

São mais de 400 desenvolvedores ao redor do mundo que detém acesso commit ao repositório. Muitos destes recebem patches de terceiros (programadores independentes ou que trabalham em grandes empresas etc.)
É possível ter uma idéia da enorme quantidade de patches e de pessoas que trabalharam e trabalham para submetê-los fazendo uma busca por “submitted by” nos logs do commit — o número supera 20 mil pessoas.
O projeto tem uma dinâmica democrática. As decisões são tomadas pelas pessoas que trabalham nele.
Em caso de discordâncias, há um grupo de desenvolvedores que decide o rumo a ser tomado. Este grupo é eleito a cada 2 anos. Todo mundo que trabalha, enviando código para o projeto pode votar.

O FreeBSD é apenas um OS X sem a parte boa…

Isto é tão falso quanto dizer que o OS X é apenas o FreeBSD com uma GUI bonitinha.
O fato é que os dois sistemas operacionais têm muito código (e desenvolvedores) em comum.
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Por exemplo, muitos dos utilitários e a própria biblioteca C, no OS X são derivados de versões existentes no FreeBSD.
Algumas vezes o fluxo de desenvolvimento do código toma direções diferentes em um sistema operacional, em relação ao outro.
O FreeBSD 9.1 e suas versões posteriores incluem um stack e um compilador C++ originalmente desenvolvidos para o OS X. Boa parte deste trabalho foi feito por pessoal da Apple.
Os dois sistemas operacionais são “parentes muito próximos”, tẽm uma quantidade razoável de colaboração mútua… mas não são a mesma coisa.

A parte boa do FreeBSD vem do Solaris

Bem. O FreeBSD adotou dois recursos espetaculares do OpenSolaris: o DTrace e o ZFS.
O sistema de arquivos ZFS, em particular, tem o foco e a atenção de muitos desenvolvedores envolvidos com o FreeBSD — o que inclui o pessoal da iXsystems, uma empresa que dá suporte ao desenvolvimento do FreeNAS e comercializa dispositivos NAS baseados no FreeBSD.
Existe um trabalho muito próximo entre os contribuidores do FreeBSD e os desenvolvedores do Illumos, um fork de código aberto do sistema operacional Unix Solaris, no sentido de aprimorar estes dois recursos.
Embora o ZFS seja importante dentro do FreeBSD, ele é uma peça relativamente pequena dentro do sistema, como um todo.
Veja alguns números.
O ZFS e o DTrace, juntos, não somam 4% de todo o código do kernel — e este não chega a 10% do código do sistema básico do FreeBSD.
Faça as contas: o código destes recursos relevantes que vieram do Solaris, não chega a 0,4% de todo o FreeBSD.

No FreeBSD, tenho que compilar tudo do código fonte

A coleção de ports do FreeBSD é uma maneira muito poderosa de instalar softwares e permite que você personalize opções para uma grande variedade de programas e bibliotecas de terceiros.
Compilar programas a partir do código fonte, pode ser algo muito simples — mas não é o único jeito de se instalar no FreeBSD.
Você sempre tem a opção de instalar softwares de pacotes binários.
O projeto pkgng tem adicionado novos formatos e ferramentas de empacotamento, o que resulta em um conjunto moderno de aplicativos e utilitários para gestão de pacotes binários.

O FreeBSD é um UNIX dos anos 90 (ou 80)

Se você acha que o UNIX é velho demais para você, precisa saber a idade de outro sistema operacional muito usado: os primórdios do Windows datam da década de 60.

Softwares antigos, com desenvolvimento ainda ativo, em geral, são softwares estáveis e de boa qualidade.

Softwares ganham estabilidade e maturidade com o passar do tempo.
O FreeBSD tem um longa história e é descendente linear do UNIX original, que fazia parte da Berkeley Software Distribution. E ele tem evoluído durante todo este tempo.
Existem razões importantes para o fato de o UNIX ter se tornado tão popular.
Visualmente, o FreeBSD pode usar a CLI (Command Line Interface) ou uma GUI (Graphics User Interface) moderna GNOME, KDE etc.

O FreeBSD não tem drivers para todos os dispositivos

Ninguém tem.
O problema de falta de drivers para algum dispositivo é enfrentado por todos os sistemas operacionais — o que inclui o Windows.
Por outro lado, ninguém liga para a quantidade de drivers disponíveis para seu sistema operacional. O que importa é que tenha aqueles necessários para fazer funcionar adequadamente o seu hardware.
Alguns fabricantes são omissos para produzir drivers para seus produtos funcionarem no FreeBSD e no Linux.
O problema poderia ser facilmente resolvido se liberassem as especificações para a comunidade de desenvolvedores. Até nisso, são omissos e descomprometidos com os clientes.
A divisão de placas gráficas AMD/Radeon é um dos casos mais notórios desta omissão, tanto para FreeBSD, quanto para Linux.
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Existem opções, contudo, de outros fabricantes para placas de vídeo, placas de redes, hardware de som etc.
Usar o FreeBSD e cobrar os fabricantes a desenvolver drivers para a sua plataforma é a melhor forma de ajudar.

Depois da versão 4.x o sistema decaiu

O pessoal do projeto FreeBSD tem muito orgulho da série 4.x. De fato, a estabilidade é uma de suas marcas.
Mas, o que aconteceu depois?
Muitos a continuaram usando por anos.
As séries 5.x foram marcadas pela introdução de um sistema de multithreading aprimorado.
Esta transição envolveu a substituição de dispositivos de trava ao redor do kernel — uma tarefa complexa, entre outras coisas.
Este foi um tipo de trabalho que, além de muito intenso, é fácil dar errado.
Paralelamente, a série 5.x foi lançada com duas implementações de threading
As primeiras duas releases da série eram “developers only“, ou seja, não estavam prontas para sistemas em produção.
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Já a versão 5.2 foi lançada para um público mais amplo e falhou em satisfazer as expectativas da base de usuários do FreeBSD.
O resultado é que um grande número de usuários se manteve na (ou voltou para a) série 4.x, enquanto outros optaram por diferentes sistemas operacionais.
Esta versão representa uma lição dolorosa para o projeto, da qual houve um importante aprendizado.
A série seguinte, 6.x, recobrou a estabilidade pela qual a 4.x ficou conhecida.
Na série 7.x recuperou-se ganhos de performance em sistemas de processamento único.
Já na série 8.x, os benchmarks de terceiros mostravam que o FreeBSD escalava melhor que outros SOs em sistemas multiprocessados.
Desde então, a estabilidade e a performance permanecem como objetivos principais dos desenvolvedores. O que não tem impedido as substanciais melhorias nos subsistemas de som, no ZFS, no DTrace, no journaling do UFS, entre outros.

Falta aplicativos para FreeBSD

A ports collection do FreeBSD contém, atualmente, mais de 23.500 peças de software.
Boa parte destes softwares roda nativamente sobre o FreeBSD.

O importante é que tenha os softwares que você precisa.

Outros softwares são OS-agnostic ou seja, não “se importam muito” com o sistema operacional sobre o qual estão rodando e, às vezes, pedem poucas mudanças para funcionar adequadamente.
Há aplicativos que são executados sobre algum tipo de emulação. Por exemplo, os binários para Linux podem ser executados sobre uma camada Linux ABI, onde as system calls do Linux são traduzidas para suas equivalentes no FreeBSD.
O versão Linux do plugin Flash roda sobre um browser nativo do FreeBSD, usando o NSPluginWrapper.
Você pode, ainda usar o WINE para rodar aplicativos Windows.

O FreeBSD não tem suporte a virtualização

O FreeBSD 9 tem suporte, quando executado como hóspede Xen, tanto na arquitetura x86, quanto na x86-64 — o que inclui o Amazon EC2.
Após trabalho conjunto da Microsoft, NetApp e Citrix, passou a ser possível rodar o FreeBSD sobre o hypervisor Microsoft Hyper-V.
Há várias versões do FreeBSD disponíveis na lista do VMware ou do Virtualbox — e você pode rodar o próprio Virtualbox de dentro do FreeBSD.

O FreeBSD 10 age como sistema operacional hospedeiro para bhyve ou BSD Hypervisor, o que dá uma variedade maior de opções de máquinas virtuais para você.
Finalmente, se você não precisa de virtualização completa, ainda pode usar o jail subsystem para rodar userlands isolados do FreeBSD — ou, mesmo, userlands Linux, através da camada Linux ABI, tudo sobre um único kernel FreeBSD.

A licença BSD permite que as empresas usem seu código e não contribuam de volta

A licença permite que pegue código do FreeBSD e faça o que quiser com ele, contato que não os processe de volta ou faça de conta que o código é seu.
Sem a obrigação legal de compartilhar, é possível usar o código em qualquer lugar que você quiser.
Muitas empresas, de fato, tiram código do FreeBSD em benefício próprio e nunca dão nada em troca. São livres para fazer isto.
Muitas outras empresas não tem este comportamento, contudo.

Conclusão

Espero, com estes fatos, lançar uma luz sobre o projeto e a maravilhosa comunidade do FreeBSD.
Espero, ainda, ajudar a desconstruir mitos bobos que impedem que alguns usuários experimentem esta belíssima plataforma e a empreguem e seus projetos.

Referências

https://wiki.freebsd.org/Myths.
https://www.freebsd.org/advocacy/myths.html.

Publicado por

Elias Praciano

Autor de tecnologia (livre, de preferência), apaixonado por programação e astronomia.
Fã de séries, como “Rick and Morty” e “BoJack Horseman”.
Me siga no Twitter e vamos trocar ideias!

2 thoughts on “Mitos sobre o FreeBSD”

  1. Estou pensando em utilizar o PCBSD. Será que é possível instalar o PacketTracer nesse sistema?

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