Debian & Ubuntu badges together

O que faz o Ubuntu diferente do Debian.

O Ubuntu é uma distro GNU/Linux que muitos sabem (outros não) é baseado em outra grande e excelente distro: a Debian.
No dia a dia, usuários podem sentir pouca diferença entre usar um e outro. Os dois projetos trocam muitas informações entre si e alguns desenvolvedores trabalham em ambos.
Há algumas diferenças históricas e filosóficas entre as duas distribuições, contudo.
Vale a pena conhecê-las.

Uma breve história do Debian

A história do Debian ocuparia bem mais do que alguns parágrafos, mas a gente vai tentar resumí-la, para manter o foco no tema deste post.
Criada em 1993 pelo, então universitário Ian Murdock, a distro é uma das 3 primeiras grandes distribuições GNU/Linux, que deram origem a quase todas as outras que conhecemos — ao lado da Red Hat e Slackware.
Tal como o Ubuntu, o Debian também dá “nomes” às suas distros, ao lado dos números das versões.
O nome de cada edição Debian é inspirado em um dos personagens da saga Toy Story.
É creditado a Ian Murdock, enquanto liderança, a criação de um sistema democrático para gerir o andamento do projeto. Os líderes do Debian são eleitos entre os colaboradores do Projeto a cada 2 anos.
A filosofia da gestão do Debian é um modelo que tem sido também largamente copiado em vários outros projetos — não somente de sistemas operacionais.
debian flat badge

Uma breve história do ubuntu

A distribuição Ubuntu, foi lançada em 2004, como derivada do Debian, pelo milionário Sul-africano Mark Shuttleworth.
Shuttleworth tem hoje o papel de Ditador Benevolente Vitalício do projeto Ubuntu.
Uma das suas missões, era tornar a distro Debian mais amigável e comercial.
Os números das edições do Ubuntu, se referem ao ano e ao mẽs de lançamento. Desta forma, é fácil saber que o Ubuntu 11.04 saiu em 2011/Abril.
Tal como o Debian, o projeto Ubuntu também costuma nomear cada edição.
Usualmente, são dados 2 nomes com a mesma inicial, seguindo a ordem alfabética. Você pode ver aqui a relação.
ubuntu flat orange badge
O posicionamento oficial da Canonical sobre o assunto é de que o Debian é a pedra fundamental do Ubuntu, mas cada qual tem sua equipe de desenvolvimento e sua própria interface padrão.
A Canonical tem se esforçado, com sucesso, para ser uma referência para empresas do mundo todo como uma companhia que fornece um produto gratuito e um sólido serviço (pago) de suporte 24/7.
Esta é uma diferença importante: o Debian não é uma empresa e não tem qualquer obrigação de prestar suporte a ninguém. Você o usa por sua própria conta e risco — embora seja conhecido com um dos sistemas operacionais mais estáveis.
Já, por trás do Ubuntu, há a Canonical, que oferece vários serviços pagos, embora a maioria dos usuários se contenta em baixar gratuitamente o sistema e usá-lo por sua própria conta e risco.
O fato de uma distro ser produto de uma empresa e a outra não, já implica em algumas diferenças: A Canonical paga seus desenvolvedores, atendentes, publicitários etc.
O desenvolvimento da distribuição Debian depende de trabalho voluntário — o que não significa que há menos gente trabalhando. Pelo contrário, trata-se da maior comunidade de desenvolvedores e mantenedores do mundo.

A popularidade do Ubuntu

Nos últimos anos, não só a popularidade do Ubuntu subiu, como a do Debian também.
Embora muitos usuários Debian tenham migrado para Ubuntu, também houve o fluxo contrário — pessoas que decidiram experimentar a distro original.

À época do lançamento do Ubuntu, a distro mais popular era o Mandrake (de origem francesa), derivado do Red Hat. Hoje, chamada Mandriva — fruto da fusão entre Mandrake e Conectiva (brasileira).

O instalador gráfico do Ubuntu se aperfeiçoou e o próprio ambiente de trabalho incorporou recursos gráficos mais atraentes aos novatos.
O Ubuntu já teve um foco maior em usuários Windows, chegando a ter um software chamado Wubi, que permitia instalar a distro em modo dual-boot — e era integrado ao sistema operacional de Redmond.
A versão de Junho de 2006 trouxe o compromisso de suporte prolongado — Long Term Support ou LTS.
As distro LTS desobrigavam os usuários a usar novas versões a cada 6 meses, uma vez que ofereciam maior estabilidade, junto com o suporte, por mais tempo.
Atualmente, as versões LTS, trazem suporte de 5 anos aos usuários — o que as torna indicadas para ambientes corporativos, usuários que precisam de estabilidade etc.
As versões intermediárias são voltadas a quem prefere novidades.
A partir dos aprimoramentos no visual do Ubuntu 10.04, este se distanciou significativamente do Debian e trouxe o Ubuntu Software Center pro centro das atenções, como plataforma de conexão aos repositórios de programas.
A partir do Ubuntu 16.04 Xenial Xerus e do Debian 8.0 Jessie “GNOME Edition”, ambas passaram a compartilhar o Gnome Software Center, como aplicativo gráfico de acesso aos repositórios.

As PPAs

Além dos repositórios oficiais, o Ubuntu introduziu a possibilidade de usuários oferecerem repositórios pessoais a outros usuários, de onde poderiam baixar e instalar seus pacotes de programas — as PPAs ou Personal Package Archives.
Isto foi um grande incentivo para desenvolvedores independentes.
Quando algum aplicativo ou pacote se torna muito popular, é comum a Canonical integrar sua versão mais estável ao seu repositório oficial.
O Ubuntu 11.04, trouxe o Unity para os palcos, com o objetivo de adaptar gradativamente o sistema a novos hardwares, como tablets, phablets, smartphones, netbooks etc.
Esta mudança foi grande e gerou debates inflamados — alguns contra, outros a favor.

Mir, Unity, SNAPS e Flatpak

O ano de 2016 prometia criar alguns novos divisores de águas.
A comunidade de desenvolvedores do X.org (servidor gráfico) se encontra em transição para o Wayland, que traz melhorias e código novo para dar resposta às novas necessidades e equipamentos tecnológicos.
A Canonical anunciou que iria partir para uma solução própria: o Mir — o que acabou por não se concretizar.
O sistema de empacotamento de softwares SNAP foi lançado para a plataforma Ubuntu 16.04, como método de instalação mais eficiente para certos tipos de aplicativos.
Há um projeto concorrente do SNAP, o Flatpak, mas ele não está tão adiantado.
A tendência pode ser a adoção do SNAP por outras distribuições — de forma que deixe de ser um diferencial do Ubuntu.

Ciclos de desenvolvimento

A versão “séria” do Ubuntu é a LTS (Long Term Support ou versão de suporte prolongado). Hoje, as LTS têm suporte de 5 anos.
Isto quer dizer que, usuários do Ubuntu 16.04, contarão com suporte da Canonical até Abril/2021.
No Debian, a versão de suporte prolongado ou stable, tem um tempo de vida de 2 anos.
Um time de suporte, composto por voluntários e empresas, estende o período oficial por mais 3 anos.
A cada 2 anos, é lançada uma versão LTS do Ubuntu. As edições intermediárias, tẽm suporte por 6 meses apenas — e são voltadas para usuários que desejam usar as versões mais atuais de seus softwares (abrindo mão, consequentemente, da estabilidade).
O Debian tem, além da stable, os canais testing e unstable.
A maioria dos usuários Debian, usam a versão testing em notebooks e desktops. A stable é a preferida em servidores.
O Ubuntu se baseia nos canais de desenvolvimento Debian testing e unstable.

Qual dos dois é mais estável

Para usuários comuns (eu!) não há muita diferença.
O Ubuntu LTS tem estabilidade equivalente à do Debian testing (que a maioria usa).
O Debian consegue bater o Ubuntu em estabilidade na sua versão stable, ao custo de usar softwares não muito atuais, porém mais maduros.

Qual é mais leve? Ubuntu ou Debian?

A versão mainstream ou principal, do Ubuntu, pode ser um pouco mais pesada que a versão principal do Debian — em função dos recursos visuais etc.
Mas, existem versões mais leves do Ubuntu, como Xubuntu e Lubuntu.
O Debian também pode ser relativamente pesado, na sua versão com KDE ou GNOME.
As diferenças dependem também do público para o qual cada uma se volta. O público do Ubuntu prefere ter o máximo de aplicativos e recursos à mão, logo após a instalação. Já o público do Debian não se importa (ou até prefere) configurar e instalar seus próprios aplicativos.
Para usuários preocupados com desempenho, ambas as distribuições oferecem soluções mais leves e rápidas.

A filosofia

A filosofia que move a comunidade que participa do desenvolvimento do Debian é mais fortemente sintonizada com os valores do software livre.
A distribuição principal do Debian GNU/Linux vem exclusivamente com softwares livres.
O uso de softwares não-livres é opcional — e não automática, como no Ubuntu.
Para desenvolvedores, a comunidade de desenvolvimento do Debian pode ser um ambiente “hostil”, no início. A meritocracia vale muito para eles.
Para se tornar um desenvolvedor de facto, há um caminho a ser percorrido dentro da comunidade do Debian. Normalmente, é necessário ter um sponsor ou alguém que “se responsabilize” por você, inicialmente.
Depois disto, a democracia prevalece na tomada das decisões, que são exaustivamente discutidas, antes de qualquer conclusão.
No Ubuntu, após um certo nível de debates, as decisões são tomadas por Shuttleworth, o dono da empresa. E ele é um homem de negócios.
O Debian não pertence a uma empresa, como já dissemos. É a distribuição de uma comunidade que ama o que faz.
É esta comunidade quem dita o ritmo do desenvolvimento e os rumos do projeto.
A filosofia do projeto da comunidade Debian desagrada a uns e agrada a outros. O mesmo vale para o projeto do Ubuntu.

Qual a melhor?

Eu jamais diria isso.
Só quem pode decidir qual a melhor distro GNU/Linux para você, é você.
É necessário usar uma distro, por alguns meses, para sentir se ela é a ideal ou não.
Além disto, o mundo do Linux não se resume a Debian e Ubuntu…

Referências

http://www.ubuntu.com/about/about-ubuntu/ubuntu-and-debian.

Publicado por

Elias Praciano

Autor de tecnologia (livre, de preferência), apaixonado por programação e astronomia.
Fã de séries, como “Rick and Morty” e “BoJack Horseman”.
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One thought on “O que faz o Ubuntu diferente do Debian.”

  1. só uma correção: a mandriva fechou as portas em 2015. hoje há o openmandriva, organização sem fins lucrativos criada pela falecida para gerenciar uma distro “comunitária”, tipo o fedora pro red hat.

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