Variáveis de ambiente no Linux

As variáveis de ambiente são usadas para armazenar valores, que podem ser usados por scripts, executados a partir da shell.
Algumas variáveis de ambiente já fazem parte do sistema. Outras podem ser criadas por você.
No Bash, há 2 tipos de variáveis de ambiente ou (environment variables):

  1. locais — visíveis apenas dentro da shell, na qual foram criadas.
  2. globais — visíveis a todos os processos em execução numa shell.

Você pode usar o comando printenv, para ver quais são e como estão definidas as variáveis globais no seu ambiente atual:
Veja algumas das minhas:


printenv

LS_COLORS=di=7;32:fi=32:ln=4;32:pi=5;32:so=5;32:bd=5;32:cd=5;32:or=5;32:mi=5;32:ex=1;32:*.png=1;4;32:*.jpg=1;4;32
XDG_MENU_PREFIX=gnome-
LANG=pt_BR.UTF-8
GDM_LANG=pt_BR.UTF-8
DISPLAY=:0
COLORTERM=truecolor
USERNAME=justincase
DESKTOP_SESSION=gnome-xorg
WINDOWPATH=2
TERM=xterm-256color
SHELL=/bin/bash
VTE_VERSION=4602
XDG_CURRENT_DESKTOP=GNOME
GDMSESSION=gnome-xorg
GNOME_DESKTOP_SESSION_ID=this-is-deprecated
PATH=/opt/Komodo-Edit-10/bin:/opt/Telegram/Telegram:/usr/local/bin:/usr/bin:/bin:/usr/games
_=/usr/bin/printenv

Para ver apenas uma das variáveis, use o comando echo:


echo $HOME

/home/justincase

Experimente ver outras variáveis no seu sistema.
Depois, experimente criar sua primeira variável de sistema:


meusite="https://elias.praciano.com"

echo $meusite

https://elias.praciano.com

Fique atento: os nomes das variáveis são sensíveis à caixa (case sensitive).
Por isso, $meusite e $MEUSITE são coisas totalmente diferentes.
variáveis de ambiente sistema linux

Como prática recomendada, use sempre as letras minúsculas, para nomear as suas variáveis.
Assim você evita confusão com as variáveis do sistema.

Antes de abordarmos o próximo tópico, vale lembrar que as variáveis declaradas em uma sessão ou dentro de uma janela de um console não terão validade em outra sessão ou console.

Como declarar uma variável global

Para definir uma variável global, é necessário declarar (como você já deve saber) uma variável local.
Depois disto, a exportamos com o comando export:


autor='Elias Praciano'
echo $autor

Elias Praciano

export autor

Note que não se usa o ‘$’ à frente do nome da variável, quando a passamos para o comando export.
O último passo, para tornar uma variável persistente entre as sessões, é editar o arquivo ~/.bashrc.
Inclua, ao final dele, a linha com o comando export:


export autor='Elias Praciano'

Após este procedimento, a variável autor poderá ser sempre invocada no seu sistema, com o valor ‘Elias Praciano” — ou até você mudar o seu valor ou remover a linha do arquivo .bashrc.

Como descartar variáveis de ambiente no Linux

O comando unset pode ser usado para remover variáveis da memória do sistema:


echo $autor

Elias Praciano

unset autor
echo $autor

Remova também as declarações referentes à variável do seu arquivo .bashrc, ou ela ressurgirá na próxima sessão.

Método de instalação do Tails Linux em pendrive, via Ubuntu ou Mint.

O tails-installer é um aplicativo feito pelos desenvolvedores do sistema operacional Tails.
Baseado na versão mais atual do Debian, é um projeto voltado para usuários comuns e profissionais que necessitam ter um nível de privacidade, mas não querem (ou não sabem) se dar ao trabalho de configurar o seu sistema para isto.

O Tails é um Debian, que já vem com as configurações de privacidade, que você precisa, prontas.

Já abordei como instalar este aplicativo no Debian.
Neste post, vou mostrar como instalar o tails-installer no Ubuntu e no Linux Mint.
Nestes 2 sistemas, o aplicativo pode ser obtido através de PPAs.
Há vários motivos para não usarmos PPAs, como metodologia de instalação de novos programas, mas acredito que este caso vale como uma exceção.
tails oficial logo
Sugiro iniciar o download da imagem do Tails, enquanto você continua a leitura deste artigo, a partir deste site: https://tails.boum.org/index.pt.html.

Como instalar a PPA, para Ubuntu e Mint

Abra um terminal e adicione a PPA:


sudo add-apt-repository ppa:tails-team/tails-installer

Em seguida, sincronize o sistema com o repositório:


sudo apt update

… e faça a instalação do utilitário:


sudo apt install tails-installer

Agora, você já pode encontrar o tails-installer a partir dos menus do sistema, do Dash ou apenas rodá-lo da linha de comando:


tails-installer

Na tela de apresentação, selecione a opção “Install”.
tails-installer instalação ou atualização
Agora, siga estes passos:

  1. Selecione a imagem do Tails que você baixou anteriormente.
  2. Selecione corretamente a localização do seu pendrive.
  3. Verifique se as informações estão corretas. O próximo passo irá formatar completamente o dispositivo de armazenamento que você selecionou, acima.
    Se tudo estiver OK, clique em “Install Tails”.

tails-installer
O processo irá demorar (menos de) 15 minutos para ser concluído e pedir que você se autentique para realizar algumas tarefas administrativas no seu pendrive.

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Referências

Leia outros posts sobre o Tails.
https://tails.boum.org/install/debian/usb/index.en.html.

Use o tails-installer para rapidamente obter um pendrive com o sistema operacional Tails.

O sistema operacional Tails é uma das formas mais cômodas de se usar um computador e navegar na Internet com mais segurança.
Baseado no Debian GNU/Linux, o Tails vem pré-configurado e acompanhado de ferramentas que ajudam a usar a rede anonimamente — preservando a sua privacidade.
Neste artigo, apresento uma ferramenta que permite instalar o Tails em um pendrive, a partir de um computador com Linux.


Já abordamos outros métodos para instalar uma distro Linux em um flash drive (vulgo pendrive). Dentre estes métodos, o meu preferido é o que usa o comando dd — por que me parece mais simples e rápido. 😉
Neste post, vamos abordar o uso de uma ferramenta de instalação desenvolvida pela própria comunidade de desenvolvedores do Tails.
O tails-installer pode ser instalado a partir dos repositórios oficiais (do backports) do Debian ou via PPA para quem usa Ubuntu ou Linux Mint.

Se você pretende criar vários pendrives com o Tails instalado, este método é muito produtivo.
Mas se você tem a intenção de criar apenas um, sugiro usar um daqueles outros de que falei acima.

Uma outra vantagem do programa, é criar um espaço de armazenamento persistente no pendrive, já criptografado, para você armazenar seus arquivos pessoais, bem como, as suas configurações.
Em outras palavras, o sistema estará sempre pronto para você e não pode ser usado por outras pessoas, sem a sua autorização.
Estranhos não poderão acessar seus dados pessoais, caso você perca seu drive, por exemplo.
O que você precisa ter:

  1. Os backports configurados no Debian.
  2. Instalar o tails-installer
  3. … e obter uma imagem do Tails no site oficial: https://tails.boum.org/index.pt.html.
    Sugiro clicar no link, acima, e já começar a baixar o Tails.

Como instalar o Tails a partir do Debian

No post Como configurar o Debian para os backports, explico com maior detalhamento o procedimento. Se tiver dúvidas, dê uma olhadinha nele!
Se você já tem alguma experiência com o Debian, tudo o que precisa fazer é adicionar a linha, abaixo, ao final do arquivo /etc/apt/sources.list:

deb http://ftp.debian.org/debian stretch-backports main

Em seguida, sincronize os repositórios:


sudo apt update

Instale o programa:


sudo apt install tails-installer

Supondo que já tenha baixado a imagem do Tails, do site citado acima, pode rodar o aplicativo.
debian gnome tails-installer
A tela inicial do tails-installer oferece, como opções, iniciar uma “nova instalação” (install) no pendrive ou atualizar (upgrade) uma instalação preexistente.
Opte pelo primeiro botão “Install“.
tails-installer instalação ou atualização
Indique aonde se encontra o arquivo-imagem, que foi baixado do site do Tails, em seu disco local (1).
Em seguida, indique CUIDADOSAMENTE o local do seu pendrive (2).
Fique atento: este procedimento apaga/remove todos os dados preexistentes no seu pendrive.
Verifique se tudo está correto e, finalmente, clique em “Instalar Tails” (3).
tails-installer
O processo de instalação pode ser um pouco demorado (não mais do que 15 minutos) e, ao final, irá pedir sua autenticação para realizar alguns procedimentos administrativos no seu pendrive.
tela autenticação debian gnome
Após a conclusão, já será possível remover o flash drive do computador e testar seu funcionamento.
instalação concluída
Veja como testar a sua nova instalação, com o QEMU, sem precisar reiniciar o sistema.

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Use o QEMU para testar uma distro live instalada no pendrive.

Você não precisa reiniciar o seu computador para testar o Linux que você acabou de instalar em um pendrive ou, mesmo, em um CD/DVD.
O QEMU pode ser usado para criar uma máquina virtual a partir da sua instalação em mídia física externa.
Verifique aonde se encontra a sua mídia com o lsblk:


lsblk

NAME   MAJ:MIN RM   SIZE RO TYPE MOUNTPOINT
sda      8:0    0 465,8G  0 disk 
├─sda1   8:1    0   457G  0 part /home
└─sda2   8:2    0   8,8G  0 part [SWAP]
sdb      8:16   0  22,4G  0 disk 
├─sdb1   8:17   0  19,4G  0 part /
└─sdb2   8:18   0     3G  0 part [SWAP]
sdc      8:32   1   7,5G  0 disk 
└─sdc1   8:33   1   2,5G  0 part 

lsblk
Agora rode o comando abaixo, adequando-o à configuração que você possui aí:


qemu-system-x86_64 -hda /dev/sdc 

tails os qemu
Se o que você quer é testar uma imagem .ISO, a sintaxe do comando é a seguinte:

qemu-system-x86_64 -cdrom nome-da-imagem.iso

Veja um exemplo prático:


qemu-system-x86_64 -cdrom tails-amd64-3.1.iso

Leia mais sobre o QEMU, para conhecer outras opções de uso do programa.

Como trabalhar com vários arquivos ou partições de swap no Linux

Algumas pessoas precisam dividir seu espaço de troca ou memória virtual em diversos dispositivos físicos ou arquivos.
O recurso do swap, no Linux, é bastante maleável e flexível neste ponto.
É comum adquirir um computador e separar uma partição para o swap baseado na quantidade de memória presente no sistema.

Acrescentar um disco rígido ou um outro pente de memória, podem motivar a alteração na sua configuração de swap.

Por outro lado, fazer upgrade de hardware também é comum para muitos usuários.
Ao acrescentar memória RAM, suas necessidades para swapping mudam.
Instalar um SSD no sistema, ao lado do HDD, torna possíve aproveitar o recurso de hardware novo para obter melhor desempenho em tarefas pesadas.
Por estes e outros motivos você pode se ver forçado ou tentado a querer alterar a configuração do seu sistema de memória virtual.


Por favor, leia o artigo Perguntas e respostas sobre o swap, caso ainda restem dúvidas sobre o assunto.
Naquele artigo, há uma tabela com a relação entre quantidade de memória e tamanho de swap adequado — caso você tenha dúvidas sobre este quesito também.

Como configurar o fstab para as suas partições de swap

Não há segredo para configurar o swap no fstab.
Trata-se de um tipo especial de sistema de arquivos e geralmente segue a mesma configuração em todos os sistemas.
Esta é uma configuração modelo do swap, no fstab:

/dev/hda6   swap     swap   defaults        0   0

É seguro adotar este modelo para todas as partições e arquivos swap presentes no seu sistema. Faça apenas as alterações necessárias para refletir a sua situação.
Para fazer com que o fstab tenha efeito, você precisa reiniciar o sistema ou usar o comando mount:


sudo mount -va

Você também pode usar o comando swapon para ativar imediatamente um arquivo ou partição swap:


sudo swapon /dev/sdb2 /dev/sda2

Indique, para o swapon, todas as partições/arquivos swap presentes, que você queira usar.
No exemplo, acima, relacionei as minhas duas partições em ordem, começando pela mais prioritária.
Mas lembre-se que os ajustes feitos com o mount e swapon se perdem após reiniciar o sistema.
É necessário editar o fstab, para ter uma configuração persistente.
Sempre é possível usar o swapon, também para verificar a sua configuração de espaço de troca atual:


sudo swapon -v

[sudo] senha para justincase: 
NAME      TYPE      SIZE USED PRIO
/dev/sdb2 partition   3G   0B   -1
/dev/sda2 partition 8,8G   0B   -2

Leia mais sobre como criar um arquivo de swap.

Como dar mais prioridade a uma partição ou arquivo de swap

Se uma partição swap estiver em um drive mais rápido que os outros (um SSD, por exemplo), pode ser interessante configurar o sistema para começar a fazer o swapping por este dispositivo, que vai oferecer tempo de resposta muito menor.
Veja como especificar as prioridades de swap, no fstab:

/dev/sdb2   none    swap    sw,pri=2    0   0
/dev/hda2   none    swap    sw,pri=1    0   0

Com esta configuração (acima), o kernel irá priorizar a partição /dev/sdb2 (pri=2) — com o maior valor de prioridade da lista.
Assim que sua capacidade se esgotar, o kernel passará a usar a partição /dev/hda2 (pri=1), com valor de prioridade menor.
O valor da prioridade pode variar entre 0 e 32767.
0 é a menor prioridade possível e 32767 é a máxima.

Dê prioridade máxima ao arquivo ou partição swap que se encontrar no dispositivo de armazenamento mais rápido.
Esta configuração irá minimizar a perda de desempenho causada pelo uso do swap.

Configuração de RAID no swap

É possível fazer uso simultâneo de todas as partições swap disponíveis no seu sistema.
Para obter esta configuração, basta dar o mesmo nível de prioridade a todas elas.
Veja um exemplo:

/dev/hdb3   none   swap   sw,pri=1   0   0
/dev/hdd3   none   swap   sw,pri=1   0   0
/dev/hdc3   none   swap   sw,pri=1   0   0

Para obter um desempenho melhor, o ideal é que cada partição esteja em um drive físico diferente.

Conclusão

Na imagem, abaixo, você pode ver como configurei o meu swap
configuração do swap no linux fstab
Com 8 GiB de memória RAM e um SSD de 24 GiB, julguei interessante distribuir o espaço de troca recomendado, de 11 GiB entre o SSD e o HDD.
Assim, deixei 3 GiB de swap na unidade de estado sólido e o restante no disco rígido — dando maior prioridade à primeira.
Houve ganho de performance no sistema, toda vez em que foi necessário fazer uso da memória virtual.
Infelizmente, a unidade SSD já tem mais de 5 anos e eu espero que esta configuração tenha algum impacto negativo na sua durabilidade.
Tudo tem um preço, não é?

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Referências

http://www.tldp.org/HOWTO/Partition/setting_up_swap.html.